Do Pacífico ao Atlântico: nova jornada de Tamara Klink pode ser acompanhada em “tempo real”
Velejadora de 29 anos partiu do Alasca em expedição que dispõe de painel digital aberto ao público com direito a “diário de bordo”


A navegadora e escritora Tamara Klink acaba de embarcar em mais uma de suas grandes aventuras em alto-mar — e novamente sozinha. Desta vez, ela deixa as águas frias do Alasca, no Pacífico, rumo ao Atlântico, em uma jornada que poderá ser acompanhada através de um painel digital aberto ao público.
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Através das redes sociais, a velejadora tem compartilhado as primeiras impressões da travessia pelo mar de Bering. “O céu amanhece da cor de lava. O vento indeciso me faz manobrar muitas vezes por dia”, escreveu em um post. “Navego em um lugar fabricado por placas tectônicas e geleiras derretidas”, detalhou em outro.


Na carta, as montanhas são amebas planas amarelas. No mar, são fronteiras altas, dentadas, secas, estriadas, cobertas de branco ou de verde– descreveu Tamara
Como já é de praxe em suas expedições, Tamara Klink busca chamar atenção para as mudanças causadas pela humanidade mesmo nos ambientes mais remotos do planeta. Também através do Instagram, ela destacou relatos de moradores locais quanto às geleiras que costumavam cercar a região em que hoje ela navega com o Sardinha 2.


“Meu irmão e eu esquiávamos numa geleira enorme que tinha ali”, “ninguém nunca tinha visto aquela montanha até no ano passado, era só gelo”; “quando eu era criança o gelo ia até ali, no mar, onde agora é pedra e pasto”, compartilhou a navegadora de 29 anos, que reforçou: “o que falta para as pessoas que decidem o futuro escolherem as vidas e não as coisas?”.
Saiba como acompanhar o Sardinha 2
Embora mais detalhes sobre o trajeto de Tamara não tenham sido divulgados, desta vez, a expedição da velejadora poderá ser acompanhada “de perto”. Isso porque a viagem conta com um painel digital aberto ao público, uma plataforma desenvolvida pela NTT DATA — empresa de serviços de tecnologia da qual Tamara é embaixadora — que funciona como uma espécie de diário de bordo com dados atualizados.


A plataforma promete atualizações a cada 30 minutos de informações como a localização atual do barco, a rota percorrida, a distância navegada, as condições meteorológicas e oceânicas e até relatos escritos pela própria Tamara durante a viagem com direito a fotos — esta última, uma grande notícia para os amantes dos livros da escritora.
Na atualização desta segunda-feira (20), a velejadora descreve uma forte chuva que veio de encontro ao Sardinha 2, e como ela trouxe mais do que apenas o medo das nuvens “impressionantemente enormes”, como ela mesma descreveu.


“Achei que o espetáculo havia terminado quando as nuvens foram embora, mas ele estava apenas começando, discretamente: uma nuvem negra cobriu o barco com milhares de pequenas criaturas”, detalhou Tamara Klink.
Há mosquitos por toda parte, e consigo sentir minha pele coçando sob três camadas de blusas– contou a velejadora
O sistema deve continuar sendo atualizado mesmo em áreas remotas, sem cobertura de rede convencional. Assim, o público não acompanhará apenas o deslocamento do barco em um mapa: poderá entender também as condições encontradas no caminho e as decisões tomadas pela navegadora durante a travessia.
De um gelo ao outro
A nova expedição de Tamara Klink chega em um momento que seu nome está em alta — especialmente no universo dos livros. Em maio, junto à Companhia das Letras, Tamara lançou seu quarto livro, batizado de “Bom dia, inverno”.


A obra, que chegou a liderar a lista dos mais vendidos do país, retrata os oito meses em que a velejadora passou com o Sardinha 2 presa no mar congelado da Groenlândia — feito que a consagrou como a primeira mulher velejadora a passar o inverno sozinha no Ártico. A invernagem também vai virar documentário da Netflix, conforme anunciado pela plataforma global de streaming em maio deste ano.
Primeira latino-americana a navegar sozinha pela Passagem Noroeste, Tamara empilha feitos como navegadora. De suas mãos, já nasceram outras produções literárias como resultado de suas vivências no mar. Em 2020, aos 23 anos, ela navegou sozinha cerca de mil milhas entre a Noruega e a França a bordo do pequeno Sardinha, seu veleiro de 7,9 metros de comprimento.
A viagem, além de ter sido a inspiração para o Mil milhas, seu primeiro livro como autora solo, ainda retratou a ousadia e a coragem da jovem para construir a própria trajetória na vela. Aos 24, em 2021, Tamara, novamente só, cruzou o Oceano Atlântico da Noruega ao Brasil. Ela concluiu a viagem de mais de 11,2 mil quilômetros em 90 dias e a experiência virou o livro Nós: o Atlântico em solitário.
No mesmo ano, Um mundo em poucas linhas, sua terceira obra literária, ganhou vida com poemas e textos sobre suas viagens e experiências de crescimento pessoal desde a adolescência.
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