Estação Espacial será jogada no oceano? Plano da NASA gera polêmica
Pesquisadores alegam falta de estudos adequados e falta de responsabilização de autoridades para pedir avaliações técnicas; entenda


Depois de 30 anos na ativa, a Estação Espacial Internacional (ISS) será desorbitada em um passo a passo que deve durar cerca de cinco anos. Contudo, esse plano, elaborado pela Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA), dos Estados Unidos, se tornou alvo de questionamentos de especialistas em conservação marinha. O motivo? A estratégia prevê que o descarte ocorra no oceano.
Cardume de peixe-mero, criticamente ameaçado de extinção, é registrado em Alagoas pela primeira vez
Pesquisa brasileira revela que semente de planta comum no país pode extrair microplásticos da água
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
Conforme planejado pela NASA, a ideia é conduzir a estrutura até uma área remota do Oceano Pacífico, conhecida como Ponto Nemo, o ponto mais isolado da Terra. Porém, ambientalistas defendem que a medida exige uma análise mais profunda sobre os riscos, impactos e direitos do oceano.


A origem das críticas veio após a divulgação do relatório do Government Accountability Office (GAO) que detalha, exatamente, o cronograma da desativação da estação e a transição para futuras plataformas comerciais em órbita terrestre baixa. O plano, resumidamente, é o seguinte:
- No início ou meados de 2028, a ISS começará a ser descida por meio de uma combinação do arrasto atmosférico natural da Terra e da execução de manobras de reentrada pelo segmento russo da ISS;
- Em meados de 2029, a NASA planeja lançar um Veículo de Dessorbitação dos EUA (USDV), fornecido pela SpaceX e financiado pelo governo, e acoplar essa espaçonave à ISS, que acionará seus 46 propulsores Draco e impulsionará a estação para o fundo do mar;
- No final de 2030 ou início de 2031, o USDV realizará uma queima de reentrada. Isso impulsionará a ISS através da atmosfera terrestre até um ponto predeterminado — uma zona oceânica chamada Ponto Nemo.
Como era de se imaginar, foi justamente esse descarte no mar que intriga os especialistas em ecologia. Fundação cuja missão é proteger a vida dos oceanos, a Ocean Foundation, grupo com sede em Washington, DC, nos EUA, afirmou que o procedimento da NASA expõe falhas nas regras internacionais sobre a destinação de detritos espaciais em alto-mar.


Segundo disse à Space.com Mark Spalding, presidente da fundação, a planejada desorbitação da Estação Espacial Internacional “levanta sérias preocupações para a saúde dos oceanos, que a comunidade espacial não tem abordado adequadamente”.
Entre as preocupações está o local do descarte, seja no Ponto Nemo ou em qualquer parte do oceano como um local conveniente. Isso porque, quando um detrito espacial cai no território de outra nação ou danificam propriedades, o país que lançou o objeto espacial deve indenizar o outro. Porém, não existe proteção equivalente para o oceano, conforme contou Spalding.
Como resultado, quando as agências espaciais têm controle sobre onde os detritos caem, elas miram no alto-mar e, ao fazer isso, não incorrem em nenhuma obrigação legal de pagar pela limpeza ou remediação ambiental– explicou Spalding


Embora o ponto escolhido pela NASA seja o Ponto Nemo, o ponto mais distante da Terra em qualquer área povoada, isso não deve ser confundido com falta de valor ou vulnerabilidade, lembra Spalding. “O oceano e suas criaturas merecem a mesma proteção que o direito internacional concede aos territórios nacionais”, ressalta o presidente da Ocean Foundation.
Sabemos que nem tudo se desintegra na reentrada. Os componentes mais densos sobreviverão e chegarão ao fundo do mar– alerta Mark


Por isso, organizações ambientais sustentam que a ausência de estudos conclusivos sobre os efeitos da queda dos destroços no ambiente marinho torna necessário ampliar o debate antes da execução do plano.
O ponto principal defendido não só por Spalding, mas por outros cientistas da área, é que não foi adequadamente estudado ou divulgado quais serão os materiais mais densos e específicos provenientes da reentrada da ISS, tampouco os danos que poderão ser causadas à vida marinha.


Por ser a maior reentrada da história, os danos ambientais podem começar antes mesmo dos destroços atingirem a água. Para isso, Spalding destacou um Tratado de Alto-Mar recém-negociado (Acordo BBNJ) que é relevante para o abate da ISS.
Este documento exige que as partes realizem avaliações de impacto ambiental para atividades que possam afetar o ambiente marinho além da jurisdição nacional quando os efeitos forem desconhecidos ou pouco compreendidos.
Por isso, a Ocean Foundation pede à NASA uma divulgação pública de todos os materiais que sobreviverem à reentrada na atmosfera e chegarem ao fundo do oceano, além de uma análise jurídica rigorosa das Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), do Protocolo de Londres de 1996.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Gui Guimarães conta como foi levar uma Victory 398 de Fort Lauderdale a Sint Maarten com um bladder tank cheio de gasolina em pleno Atlântico
Craque do Real Madrid e da Seleção Brasileira curtiu o momento a bordo de embarcação com 38,2 metros de comprimento e beach club de 80 m²
Reconhecimento aconteceu em Mônaco nesta quinta-feira (3), durante a conferência global de dealers do Grupo Ferretti; marca é presença frequente nos eventos Boat Show no Brasil
Inspirado no livro “Whalefall”, filme acompanha mergulhador engolido por uma cachalote de 25 metros e estreia nos cinemas brasileiros em outubro
Mesmo sem favoritismo no C1 500m, brasileiro superou o tcheco Martin Fuksa e chegou à 15ª medalha em mundiais




