Grupo Okean é premiado como o melhor representante Ferretti Yachts no mundo

Reconhecimento aconteceu em Mônaco nesta quinta-feira (3), durante a conferência global de dealers do Grupo Ferretti; marca é presença frequente nos eventos Boat Show no Brasil

04/09/2026
Foto: Grupo Okean / Divulgação e Instagram @yachtmax / Reprodução

Nesta quinta-feira (3), o Grupo Okean recebeu o prêmio Best Sales Performance, que reconhece a marca como a melhor representante da Ferretti Yachts no mundo. A premiação aconteceu em Mônaco, durante a Global Dealers Meeting 2026 do Grupo Ferretti.

O Grupo Okean é representante exclusivo da Ferretti Yachts no Brasil há seis anos, junto de outras grandes marcas de renome internacional, como Riva, Pershing e a própria Okean Yachts. Através das redes sociais, Roberto Paião, CEO do grupo, reforçou a importância do reconhecimento.

Recebemos aqui em Mônaco um prêmio absolutamente incrível por tudo aquilo que temos feito no Brasil. O que entregamos em performance, produtos e mercado foi de grande reconhecimento por parte do Grupo Ferretti– destacou Roberto Paião

 

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A Global Dealers Meeting do Grupo Ferretti reúne, anualmente, a rede internacional de distribuidores, parceiros e representantes da marca para traçar metas estratégicas, apresentar novos modelos de iates de luxo e reconhecer os melhores desempenhos em vendas e conquistas comerciais.


Desde 2021, o Grupo Okean mantém fábrica própria em Itajaí (SC), com 13 mil m², e licença exclusiva para produzir as embarcações Ferretti Yachts no Brasil. Das instalações da marca nascem cinco modelos do estaleiro italiano: Ferretti Yachts 550, Ferretti Yachts 670, Ferretti Yachts 720, Ferretti Yachts 850 / 850R, Ferretti Yachts 1000 — esta, o maior iate em fibra de vidro produzido em série no Brasil. O modelo é sucesso no Canal NÁUTICA com mais de um milhão de visualizações. Confira:

 

 

Participações em grandes eventos nacionais

O maior iate em fibra de vidro fabricado no Brasil teve sua primeira exibição na água em 2025, durante o Marina Itajaí Boat Show. À época, Paião reforçou o potencial da indústria náutica e a qualidade do que é produzido no Brasil. No mesmo evento, neste ano, o grupo apresentou a nova Ferretti 850R, que ganhou uma reestilização pensada no consumidor brasileiro.

FY 850R. Foto: Ferretti Yachts / Divulgação

Em abril deste ano, a frota completa das embarcações Ferretti Yachts produzidas em solo brasileiro foi exposta no Rio Boat Show pela primeira vez. Na ocasião, a grande estrela do estande foi a FY100. “Para nós representa um orgulho imenso poder trazê-lo para o Brasil, montar 100% dele aqui”, disse à época o CEO do grupo sobre o iate.

Rio Boat Show 2026 | Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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