Porto Livre

Por: Redação -
01/08/2014

Se os nossos novos marinheiros não se atualizarem em conhecimento e tecnologia, darão lugar a um tipo de profissional mais bem preparado

Por Ney Broker

Nos últimos anos, estamos vivendo uma constante evolução no mercado náutico brasileiro, em que o conhecimento é fundamental, a tecnologia, inevitável e a atualização, obrigatória. O perfil do comprador de barco também mudou bastante. Tendo como referência meus clientes, a maioria são empresários jovens que programam a compra de uma embarcação para eles mesmos comandarem. Alguns deles veem o marinheiro como simples prestador de serviço, e não mais como um “lobo do mar”, o qual era respeitado, simplesmente, por sua experiência. Bastava alguém comentar na marina que fulano era “safo no mar” para que os donos de barcos contratassem o profissional. Esse tempo acabou.

As embarcações estão cada vez mais modernas, superequipadas e informatizadas. Isso significa que o serviço do marinheiro é cada vez menos “braçal” e mais “cerebral”, o que exige dele conhecimentos técnicos e teóricos. A prática continua sendo importante, claro! Imagine uma situação de visibilidade zero, em que mesmo sabendo operar gps, sonar, radar e outros equipamentos a bordo, o comandante não domine a embarcação? Imagine se ele, mesmo compreendendo o que mostram os aparelhos, não souber entrar numa “barra” com ondas de três a quatro metros de altura, desviando de arrebentações e bancos de areia e pedras? Nestes casos, a falta de prática poderá ser fatal.

Alguns marinheiros experientes que já saíram do mercado náutico devido às baixas ofertas de salários falam que o mercado de marinharia no Brasil está tomando um rumo diferente. Que devemos viver como americanos e europeus, ou seja, a era de “clean boat”, “delivery” e “skipper”. Resumindo: além da marina de guarda, o dono do barco contratará uma empresa para cuidar da limpeza e manutenção da embarcação e, quando for usá-la, já a encontrará pronta, na água (daí o conceito de “clean boat”). Caso o proprietário queira comandá-la sozinho, pagará apenas pelo serviço do delivery. Mas, se ele precisar de marinheiro temporário, para alguns dias ou meses, a empresa enviará o barco com um skipper.

O resumo dessa ópera é que a atividade de marinharia está a exigir mais substância teórica de seus profissionais, embora a prática ainda seja (e sempre será, a meu ver) essencial. Mas cabe perguntar: quem vai financiar esse processo, a fim de que a figura do marinheiro nunca deixe de ser essencial? O dono do barco — que, cada vez mais, se capacita para ser “independente” a bordo — é que deve investir na formação do marinheiro? Ou é o marinheiro — que não ganha tão mal assim… — quem precisa investir nele mesmo e procurar novas oportunidades no mercado?

 

*Ney Broker é marinheiro há 25 anos e já iniciou vários amigos na profissão, e espera que o futuro traga dias melhores para todos eles

Porto Livre publicado na edição 303 de NÁUTICA.

Curta a revista Náutica no Facebook e fique por dentro de tudo que acontece no mundo náutico.

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Tamara Klink é premiada por um dos mais tradicionais clubes de vela do mundo

    Velejadora de 28 anos recebeu prêmio que reconhece os feitos de jovens velejadores do centenário Cruising Club of America

    Dos 26 aos 42 pés: saiba quais barcos a Lanchas Coral levará ao Rio Boat Show 2026

    Marca exibirá cinco embarcações no salão náutico carioca, que acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória

    Senado confirma adesão do Brasil à Convenção Internacional sobre a Remoção de Destroços

    Acordo permite que o país tenha base legal para remover, ou mandar remover, naufrágios em águas brasileiras; texto vai à promulgação

    Pesquisa brasileira revela que semente de planta comum no país pode extrair microplásticos da água

    Estudo da Unesp apontou a semente da acácia-branca como uma alternativa sustentável e eficiente para limpar alguns tipos de microplástico da água

    Real Powerboats levará 8 barcos ao Rio Boat Show 2026, entre eles a Real 37C

    Estaleiro celebra 40 anos de história exibindo lanchas de 27 a 42 pés no salão náutico carioca, que ocorre de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória