Tamara Klink é premiada por um dos mais tradicionais clubes de vela do mundo
Velejadora de 28 anos recebeu prêmio que reconhece os feitos de jovens velejadores do centenário Cruising Club of America


Aos 28 anos, Tamara Klink carrega grandes feitos como velejadora. Sozinha, ela já atravessou o Atlântico, cruzou a Passagem Noroeste e passou o inverno no Ártico. Todos esses feitos, repletos de detalhes ainda mais impressionantes, renderam a ela o prêmio Young Voyager Award, concedido pelo Cruising Club of America (CCA), tradicional clube náutico dos Estados Unidos, fundado há mais de cem anos, em 1922.
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A honraria internacional (ou “Prêmio Jovem Viajante”, em tradução livre), entregue a Tamara no charmoso New York Yacht Club em 6 de março, reconhece jovens velejadores que tenham realizado uma ou mais viagens excepcionais, demonstrando suas habilidades e, principalmente, sua coragem — atributos que, de fato, não faltam à velejadora.


Em 2020, aos 23 anos, ela navegou sozinha cerca de mil milhas entre a Noruega e a França, a bordo do pequeno Sardinha, seu veleiro de 7,9 metros de comprimento. A viagem, além de ter sido a inspiração para seu primeiro livro, Mil milhas, ainda mostrou sua ousadia e coragem para construir a própria trajetória na vela.


Isso porque a jovem é filha de ninguém menos que Amyr Klink, grande velejador e escritor brasileiro conhecido, entre outros feitos, por ter sido a primeira pessoa a fazer a travessia do Atlântico Sul a remo, em 1984.
Aos 24 anos, em 2021, Tamara, novamente só, cruzou o Oceano Atlântico da Noruega ao Brasil. Ela concluiu a viagem de mais de 11,2 mil quilômetros em 90 dias e a experiência virou o livro Nós: o Atlântico em solitário. No mesmo ano, Um mundo em poucas linhas, sua terceira obra literária, ganhou vida com poemas e textos sobre suas viagens e experiências de crescimento pessoal desde a adolescência.
Já em 2023, a jovem navegou da França à Groenlândia no Sardinha-2, veleiro pouco maior que o anterior, com 10,4 metros. Seu objetivo? Passar o inverno sozinha no gelo marinho.


Foram três meses sem ver o sol, quatro meses sem ver humanos e um semestre inteiro presa no gelo, com temperaturas na casa dos -40ºC. Com o feito, ela se tornou a primeira mulher velejadora a passar o inverno sozinha no Ártico, além de ter se tornado a primeira latino-americana a navegar sozinha pela Passagem Noroeste.


Navegar é sempre um esforço coletivo, especialmente em solitário– disse Tamara ao ser informada da homenagem
Sua invernagem, claro, também virou livro. Bom dia, inverno foi anunciado por ela mesma em seu Instagram recentemente. São nas próprias redes sociais, inclusive, que Tamara acumula cada vez mais seguidores — ou melhor, inspira cada vez mais pessoas: já são 665 mil followers.
CCA Awards
O Cruising Club of America reúne velejadores experientes de cruzeiro há mais de 100 anos para promover a cultura da navegação “com responsabilidade, conhecimento e boas práticas no mar”. O clube não possui sede física: suas atividades acontecem onde os associados se reúnem, muitas vezes organizados em estações regionais em áreas de forte tradição náutica.


Entre suas iniciativas mais conhecidas estão a organização da regata Newport Bermuda Race e a concessão de prêmios importantes da vela de cruzeiro, como a Blue Water Medal, além de distinções mais recentes como o próprio Young Voyager Award, o Rod Stephens Trophy e o Diana Russell Award for Innovation. O clube também publica livros, guias de cruzeiro e a coletânea anual Voyages, com relatos e artigos de seus membros.
O prêmio de Tamara Klink corresponde ao ano de 2025, em que outras cinco categorias foram contempladas:
Medalha Blue Water — Pete Hill
A Blue Water Medal, principal honraria do Cruising Club of America, reconhece “habilidades náuticas excepcionais e espírito aventureiro na vela oceânica”. Em 2025, o prêmio foi concedido ao velejador britânico Pete Hill por mais de 50 anos de viagens de longa distância pelos oceanos do mundo, marcadas por uma filosofia minimalista: ele constrói ou adapta seus próprios barcos para o simples mastro de junco e prova sua navegabilidade em expedições reais, inspirando uma comunidade de velejadores que valorizam projetos simples e autonomia no mar.
Troféu Rod Stephens de Marinharia — Greg Velez
O Rod Stephens Trophy homenageia atos de habilidade náutica que contribuam de forma decisiva para a segurança de pessoas ou embarcações no mar. Em 2025, o prêmio foi entregue a Philip ‘Greg’ Velez, que liderou o resgate de um velejador que havia caído ao mar durante a Bayview Mackinac Race. Após quase uma hora de buscas em vento forte e mar agitado, ele e sua tripulação localizaram e retiraram a vítima da água a bordo do veleiro Amante 2.
Prêmio Diana Russell — Peter Willauer
O Diana Russell Award for Innovation reconhece membros que se destacam por inovação no design de barcos, educação náutica, segurança ou uso aventureiro do mar. Em 2025, o homenageado foi Peter Willauer, educador que teve papel fundamental na criação e no desenvolvimento da Hurricane Island Outward Bound School, iniciativa que integrou navegação, ciência e formação de liderança ambiental, influenciando gerações de marinheiros e estudantes.
Prêmio Far Horizons — Christopher e Molly Barnes
O Far Horizons Award é concedido a navegadores que realizam cruzeiros de grande alcance que representem o espírito aventureiro do clube. Em 2025, os vencedores foram Christopher Barnes e Molly Barnes, que entre 2013 e 2016 realizaram uma viagem familiar de três anos e cerca de 36 mil milhas náuticas, incluindo a circunavegação da América do Sul, a passagem pelo Cabo Horn e escalas em regiões remotas como a Ilha de Páscoa e a Ilha Geórgia do Sul, com os dois filhos a bordo.
Troféu Richard S. Nye — Doug e Dale Bruce
O Richard S. Nye Trophy homenageia membros que contribuíram de forma marcante para o clube e para a vela oceânica, seja por serviços prestados, navegação ou liderança no setor. Em 2025, o prêmio foi entregue a Doug Bruce e Dale Bruce, reconhecidos por anos de trabalho voluntário no CCA, incluindo a atualização de guias de cruzeiro para navegadores, a edição da publicação anual Voyages e o desenvolvimento de recursos de navegação que ampliaram o acesso a informações náuticas para a comunidade velejadora.
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