Primeiro navio espião secreto do mundo vira luxuoso iate de aluguel


Gosta de filme de espionagem? Então, você vai gostar dessa história. Tudo começou em 1962, em um grande estaleiro de Varna, Bulgária, onde foi construída uma série de 12 navios destinados à frota da União Soviética. Uma dessas embarcações, mais especificamente a quinta dela, era o Aji-Petri, de 65,4 metros, ou cerca de 215 pés.
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Não era um navio de guerra. Com um casco elegante e espaço suficiente para cerca de 200 hóspedes mais 46 tripulantes, esse navio foi originalmente destinado ao transporte de passageiros. Como tal, viajou entre alguns dos portos mais famosos do mundo, como Odesa, Sevastopol e Istambul.

Mas era o tempo da Guerra Fria, da Cortina de Ferro e do confronto das ideologias entre as duas potências (EUA e URSS). Por isso, em determinado momento, a União Soviética decidiu usar sua frota de passageiros para fins estratégicos.
Os 12 “Navios Irmãos” agora desempenhariam um papel muito diferente. Enviado para o Atlântico Norte, o Aji-Petri oficialmente desempenhava um missão prosaica: serviria de base de rádio para a União Internacional de Telecomunicações. Seu verdadeiro propósito, porém, era outro: espionar os Estados Unidos e a Grã-Bretanha.

Curiosamente, depois do fim da União Soviética, o Aji-Petri simplesmente voltou às suas funções anteriores, como navio de cruzeiro, desta vez em nome de uma companhia búlgara. Mas a sua saga cinematográfica não tinha acabado.
Descoberto pelo Grupo La Sultana, o Aji-Petri passou por um retrofit radical nas instalações da francesa Orion Naval Engineering, que o transformou em um superiate de lazer. A conversão — um projeto grandioso — levou cerca de sete anos para ser concluída e resultou em um iate clássico com todas as comodidades modernas de um barco de luxo: de seis suítes confortáveis, com muito mármore e ônix nos banheiros, a uma área de relaxamento com piscina, jacuzzi e espreguiçadeiras.

Nesse processo, a superestrutura de alumínio foi totalmente reconstruída, seguindo a forma original. Também foram feitas mudanças para melhorar estabilidade do casco, incluindo a adição de uma quilha de 90 toneladas. Além disso, todos os deques foram refeitos, e o principal ganhou um heliponto.
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Por se tratar de um retrofit — técnica de reforma que preserva a fachada, mas moderniza todo o interior —, o caráter original e a aparência do navio não foram fundamentalmente alterados. Além disso, detalhes históricos impressionantes, como os orifícios e instrumentos originais (como um mostrador gravado com letras do alfabeto cirílico) foram preservados.

Já o interior do antigo navio espião exibe muita madeira, essências raras de todo o mundo, como mogno, ipê e cereja brasileira. Sem contar detalhes de fazer os olhos brilharem, como anteparas de vidro esculpidas, luminárias de cristal fosco, obras de arte orientais e — a cereja do bolo — uma incrível escada central com a balaustrada inspirada no famoso corrimão “Monnaie-du-Pape”, de Louis Majorelle.
Avaliado em 12,5 milhões de euros, o La Sultana atualmente está disponível para charter. Com lindas instalações, obras de arte e muita história para contar.


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