Primeiro navio espião secreto do mundo vira luxuoso iate de aluguel

04/01/2022

Gosta de filme de espionagem? Então, você vai gostar dessa história. Tudo começou em 1962, em um grande estaleiro de Varna, Bulgária, onde foi construída uma série de 12 navios destinados à frota da União Soviética. Uma dessas embarcações, mais especificamente a quinta dela, era o Aji-Petri, de 65,4 metros, ou cerca de 215 pés.

Inscreva-se no canal de NÁUTICA no YouTube e ATIVE as notificações para não perder vídeos exclusivos

Não era um navio de guerra. Com um casco elegante e espaço suficiente para cerca de 200 hóspedes mais 46 tripulantes, esse navio foi originalmente destinado ao transporte de passageiros. Como tal, viajou entre alguns dos portos mais famosos do mundo, como Odesa, Sevastopol e Istambul.

Mas era o tempo da Guerra Fria, da Cortina de Ferro e do confronto das ideologias entre as duas potências (EUA e URSS). Por isso, em determinado momento, a União Soviética decidiu usar sua frota de passageiros para fins estratégicos.

Os 12 “Navios Irmãos” agora desempenhariam um papel muito diferente. Enviado para o Atlântico Norte, o Aji-Petri oficialmente desempenhava um missão prosaica: serviria de base de rádio para a União Internacional de Telecomunicações. Seu verdadeiro propósito, porém, era outro: espionar os Estados Unidos e a Grã-Bretanha.

Curiosamente, depois do fim da União Soviética, o Aji-Petri simplesmente voltou às suas funções anteriores, como navio de cruzeiro, desta vez em nome de uma companhia búlgara. Mas a sua saga cinematográfica não tinha acabado.

Descoberto pelo Grupo La Sultana, o Aji-Petri passou por um retrofit radical nas instalações da francesa Orion Naval Engineering, que o transformou em um superiate de lazer. A conversão — um projeto grandioso — levou cerca de sete anos para ser concluída e resultou em um iate clássico com todas as comodidades modernas de um barco de luxo: de seis suítes confortáveis, com muito mármore e ônix nos banheiros, a uma área de relaxamento com piscina, jacuzzi e espreguiçadeiras.

Nesse processo, a superestrutura de alumínio foi totalmente reconstruída, seguindo a forma original. Também foram feitas mudanças para melhorar estabilidade do casco, incluindo a adição de uma quilha de 90 toneladas. Além disso, todos os deques foram refeitos, e o principal ganhou um heliponto.

Não perca nada! Clique aqui para receber notícias do mundo náutico no seu WhatsApp

Por se tratar de um retrofit — técnica de reforma que preserva a fachada, mas moderniza todo o interior —, o caráter original e a aparência do navio não foram fundamentalmente alterados. Além disso, detalhes históricos impressionantes, como os orifícios e instrumentos originais (como um mostrador gravado com letras do alfabeto cirílico) foram preservados.

Já o interior do antigo navio espião exibe muita madeira, essências raras de todo o mundo, como mogno, ipê e cereja brasileira. Sem contar detalhes de fazer os olhos brilharem, como anteparas de vidro esculpidas, luminárias de cristal fosco, obras de arte orientais e — a cereja do bolo — uma incrível escada central com a balaustrada inspirada no famoso corrimão “Monnaie-du-Pape”, de Louis Majorelle.

Avaliado em 12,5 milhões de euros, o La Sultana atualmente está disponível para charter. Com lindas instalações, obras de arte e muita história para contar.

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Gasolina com 32% de etanol: entenda os riscos para o setor náutico

    Mistura obrigatória de etanol na gasolina sobe de 30% para 32%, enquanto especialistas alertam para riscos técnicos e de segurança no uso do combustível em embarcações.

    Segunda fase da Campanha Travessia Segura começou e segue até 23 de julho

    Iniciativa da Marinha do Brasil busca reforçar a segurança no transporte aquaviário de passageiros

    NX Boats amplia capacidade da fábrica e mira embarcações acima de 70 pés

    Com R$ 40 milhões investidos em infraestrutura, estaleiro pretende aumentar o leque de barcos e crescer a capacidade produtiva

    Marina Escola: conheça o projeto público que pretende formar profissionais da Economia Azul

    Iniciativa do IFSC prevê estrutura voltada ao ensino, pesquisa e inovação para atender à crescente demanda do setor náutico

    Economia do mar impulsiona Santa Catarina com 240 mil empregos e 23 mil empresas

    Estado concentra mais de 20% da força de trabalho do setor no Brasil; confira mais números trazidos em palestra do NÁUTICA Talks