Project Zero: megaiate a vela quer ser o primeiro do mundo a depender somente de energia renovável
Após seu lançamento, tecnologias da embarcação, em desenvolvimento há 10 anos, serão disponibilizadas em plataforma de código aberto


“Zero não é o nada, é de onde tudo começa.” Foi dessa forma que Patrick Coote, diretor da Vripack Yacht Design, definiu o Project Zero, uma embarcação de 68,85 metros de comprimento (225 pés) que vem sendo desenvolvida há mais de dez anos. A promessa é se tornar o primeiro megaiate a vela do mundo a depender somente de energia renovável para navegar. Hoje, ele passa por testes no mar e a expectativa é que seja oficialmente lançado no final do ano.
Novo iate de Neymar foi construído no Brasil e está entre os maiores barcos de lazer do país
Com 220 metros, maior iate a vela do mundo já navega pelo Mediterrâneo
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
Apesar da imponência que um megaiate apresenta por si só, o principal diferencial do Zero está na série de tecnologias, que prometem conseguir gerar energia suficiente para que nenhum tipo de combustível fóssil seja necessário — tanto é que, nas especificações da embarcação, há capacidade para “0 litro” de combustível.


Os sistemas do megaiate Zero foram desenvolvidos para fazê-lo funcionar 100% com energia eólica, solar e térmica. O coração tecnológico é o sistema de hidrogeração de 250 kW, que produz a maior parte da energia enquanto o iate navega à vela. Além disso, a embarcação aproveita cerca de 200 kW de energia eólica e possui aproximadamente 100 m² de painéis solares híbridos. Segundo a Vripack, estes painéis são altamente eficientes e convertem energia elétrica e térmica com uma eficiência de 60%.


A energia gerada é armazenada em baterias de íon-lítio de alta densidade e baterias de sal PCM. De acordo com a fabricante, essas estruturas — que pesam cerca de 44 toneladas — foram calculadas para armazenar cinco megawatts-hora de energia, o que promete ser suficiente para movimentar o megaiate Zero por até duas semanas sem depender de fontes externas.
Projetado em colaboração com a Dykstra Naval Architects, o Zero produzirá a maior parte de sua energia por meio de hidrogeração feitas a partir de hélices de turbina de design exclusivo. Segundo o portal Robb Report, o formato do casco em alumínio tem o objetivo de otimizar esse processo e também a velocidade final. O desenho, inclusive, foi desenvolvido em parceria com a equipe Emirates Team New Zealand da America’s Cup.


Apesar da alta tecnologia, o Project Zero mantém a estética de um veleiro clássico, com um casco elegante no tom Palma Blue e uma superestrutura em madeira teca. A embarcação tem capacidade para acomodar 12 convidados e 9 tripulantes e o layout interno inclui áreas funcionais, como um cockpit com móveis modulares, uma suíte principal conectada a um estúdio privado e uma sala de estar com proteção para o vento no convés principal.


O Zero é um projeto científico de código aberto que será utilizado para uso privado, fretamentos selecionados e como uma plataforma para pesquisas científicas contínuas sobre tecnologias renováveis e sustentabilidade oceânica.
Toda a tecnologia desse megaiate, em desenvolvimento há mais de uma década, será disponibilizada por meio da organização sem fins lucrativos Foundation Zero, uma plataforma de código aberto. A proposta é tornar público todos os dados, designs e inovações tecnológicas do Project Zero e permitir o compartilhamento aberto de novas ideias, projetos, dados e aprendizados para promover o uso de tecnologias renováveis e a eficiência energética.
Mais imagens do megaiate Project Zero








Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Pioneiro da indústria europeia de iates a motor, empresário criou a Marine Projects em Plymouth em 1965, origem da atual Princess Yachts
Navegadora autora do best-seller “Bom dia, inverno” reconheceu que a fala não levou em conta o impacto na cadeia editorial
Procissão fluvial contou com centenas de fiéis nas águas a bordo de lanchas, jets e pontoons
Projetado por Márcio Schaefer há 40 anos, Schaefer 31 prova que performance e navegabilidade podem resistir ao tempo
Neste Dia dos Pais, relembre o principal ensinamento que Amyr Klink transmitiu à filha Tamara e que ajudou a formar uma das maiores navegadoras brasileiras da atualidade




