Gaúcho transforma carcaça de Puma 1974 conversível em lancha

Por: Redação -
05/04/2021
Leonel e a sonhada lancha - Imagem: Acervo Pessoal

O ano era 2003. O gaúcho Leonel Campos, de 59 anos, comprou uma carcaça de um Puma 1974 conversível em um ferro velho no interior de Caxias do Sul, onde mora. Mesmo surrado, sem motor ou pneus, ele o colocou em um guincho e o levou até sua casa. “Olhando para ele eu via um tesouro”, explicou.

Inscreva-se no canal de NÁUTICA no YouTube e ATIVE as notificações

Inoportunamente, Leonel, que quando jovem era mecânico e mexia em carros Puma, pouco pôde fazer com aquela carcaça. Até que, na véspera de natal, em 2014, olhou para seus filhos e falou: “vou fazer uma lancha com a carroceria do Puma que está no pátio”. Eles, por sua vez, deram risada, mas não duvidaram do pai. 

O que sobrou do Puma 1974 antes de virar uma lancha – Imagem: Acervo Pessoal

Portanto, onze anos depois de comprar uma carroceria que acumulava pó e ocupava espaço na garagem, eles viraram o Puma de cabeça para baixo, e  Leonel começou a construir a sonhada lancha. 

“Quando viramos, fiquei imaginando como ficaria na água. Desenhei na mente um esqueleto que se transformaria em um casco e que flutuaria, tivesse estabilidade e suportasse o peso”, contou Leonel. 

A lancha quase finalizada no estaleiro do seu Leonel – Imagem: Acervo Pessoal

Sem nenhuma experiência náutica, tampouco com engenharia, Leonel mergulhou de cabeça no projeto. Primeiro, o casco. “Comprei lâminas para começar o esqueleto, foi rápido. Depois, passei quatro camadas de manta (fibra) com resina, ficou muito forte. Fiz uma quilha central da proa até a popa e duas laterais para dar estabilidade”, detalha. 

Com o casco pronto, começou a trabalhar na parte superior e refez toda carroceria com fibra de vidro. Lixou e vedou até ficar perfeito. “Tudo sem pressa, para fazer bem feito”. Em seguida, como tinha algumas peças em sua oficina — cabos de aço e canos de freio —, fez todos os comandos de direção. 

Painel da lancha – Imagem: Acervo Pessoal

Além disso, o painel foi feito inteiramente de madeira, quase no mesmo tom dos assentos revestidos em lona impermeável, dando um toque clássico à lancha. “Também fiz suporte para remos caso o motor sofra alguma pane”, disse Leonel que instalou um motor de popa Evinrude 35 hp. 

“Foram longas noites e finais de semana na confecção do projeto”, pontuou Leonel. Depois de seis anos de incertezas, chegou o dia de testar a Puma lancha, que ganhou o nome de Suçuarana. “E aí, será que boia ou afunda?”, indagou Leonel aos filhos. No final, a lancha boiou e boiou bonito. Com o bico para cima, flutuando tranquilamente.

Leia mais:

>> 500 km de caiaque pelo litoral: amigos enfrentam o mar entre o Paraná e Ilhabela a remo

>> Renomada marca de carros elétricos entra no mercado de iates com modelo de 130 pés

>> 100 anos de história: estaleiro português constrói tradicionais barcos rabelos à mão

Sendo assim, as águas da Lagoa do Borçato, a 45 km do centro de Caxias do Sul, nunca mais serão as mesmas. Agora, elas suportam o sorriso de realização do seu Leonel a bordo da Suçuarana, realizando o sonho que estava preso no tempo ocioso ao fundo da garagem, que agora não tem hora para acabar. 

Por Gustavo Baldassare sob supervisão da jornalista Maristella Pereira

Gostou desse artigo? Inscreva-se no canal de NÁUTICA no YouTube e ATIVE as notificações para ser avisado sobre novos vídeos.

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Maior espécie de raia no mundo é vista no litoral de SP e catalogada por especialistas

    Com quase 6 metros de envergadura, fêmea surpreendeu equipe do Projeto Mantas do Brasil em Itanhaém, na Baixada Santista

    Governo de São Paulo abre consulta pública para plano inédito de combate ao lixo no mar

    Iniciativa pretende enfrentar a poluição marinha e criar soluções ambientais duradouras. Sugestões podem ser enviadas até o dia 15 de maio

    Kiaroa Residence & Marina: a peróla de Maraú

    Com marina privativa para até 60 barcos, infraestrutura moderna, heliponto e um dos lugares mais exclusivos da Península de Maraú, no sul da Bahia, o Kiaroa Residence & Marina é o novo refúgio de alto padrão das águas

    Volvo Penta equipará a primeira balsa elétrica de passageiros da Austrália

    Embarcação vem sendo construída pela Aus Ships em Brisbane e a previsão é que comece a operar comercialmente no início de 2027

    Após 25 anos, pesquisadores se emocionam ao revisitar recife artificial que revitalizou fundo do mar no PR

    Projeto iniciado em 2001 buscou repovoar a vida marinha em Pontal do Sul. Resultado superou expectativas, com retorno de peixe criticamente ameaçado de extinção