Reforçando a competição

Por: Redação -
01/07/2016

O Yacht Club Paulista (YCP), um dos mais tradicionais da Represa Guarapiranga, levará experientes velejadores à 43ª Semana de Vela de Ilhabela entre 3 e 9 de julho. O barco L200 Triton correrá na classe HPE 25 com tripulação do YCP Sailing Team, que ainda estará representado na Star por Maurício Bueno e pelo atleta olímpico Jorginho Zarif, em campanha de Finn para os Jogos Rio 2016.

O L200 Triton faz parte da flotilha Gil Souza Ramos, do YCP Sailing Team. Em Ilhabela, o barco habitualmente comandado por Maurício Bueno na Copa YCP, terá no leme, Frederico Hackerott, presidente do Conselho do YCP, ao lado de Beto Hackerott, Matheus Biekarck e Pedro Quezada, acostumados às regatas de Snipe e Lightning. O campeão brasileiro de Laser Radial, João Hackerott e Luiz Eduardo D’Almeida, ambos do YCP, estarão no HPE 25 Takra.

André Fonseca, o Bochecha, participará no comando do YCP Sailing Team Pajero, líder da Copa YCP na HPE 25. O velejador olímpico é o único brasileiro com três regatas Volta ao Mundo no currículo. A ideia de fortalecimento da vela é defendida também pelo comodoro José Francisco Agostini Roxo. “Apoiamos a vela incondicionalmente através das relações com clubes, Fevesp e CBVela. Nossa ampla estrutura está à disposição para campeonatos e treinamentos. Possuímos dois hangares que em breve serão reformados para atender às necessidades de campeonatos internacionais”, revela o comodoro, que estará a bordo do For Sale para competir na RGS durante a Semana de Vela.

Em preparação para os Jogos Rio 2016, Jorginho Zarif dará uma breve trégua aos treinos intensos de Finn no Rio de Janeiro para correr na classe Star em Ilhabela ao lado de Arthur Lopes (Tutu), com quem venceu a Regata dos Campeões em junho na Guarapiranga pelo inédito Classic Sailing Festival do Yacht Club Paulista. O medalhista olímpico e tetra mundial de Star, Bruno Prada, também do YCP Sailing Team, foi o campeão da classe na Semana de Vela de Ilhabela em 2013, ao lado de Robert Scheidt.

O comandante “interino” do Triton L200, Frederico Hackerott, levará à raia de Ilhabela a longa experiência iniciada na vela em 1964, no próprio YCP. “Meu pai comprou para mim um Snipe quando eu tinha apenas 14 anos. Apaixonei-me pelo esporte e nunca mais parei. Muitos campeões marcam a trajetória do YCP durante estes 85 anos de existência: Joerg Bruder, Dino Pascolato, Eduardo Souza Ramos, Guga Zarif, Bruno Prada e Jorginho Zarif, entre outros. Hoje, felizmente, vivemos movimento de resgate da vela como esporte prioritário para o clube. Recentemente experimentei o HPE 25 e me surpreendi com a competitividade do barco nas condições da represa. Agora o desafio será no mar”, aguarda o comandante Fred.

Foto: Luhan Grolla

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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