Retomada do mercado náutico marca o São Paulo Boat Show 2017


O setor náutico e de luxo tem o que comemorar no encerramento da 20ª edição do São Paulo Boat Show. O maior salão náutico indoor da América Latina atraiu 32 mil pessoas, entre admiradores e compradores, e contabilizou a venda de aproximadamente 320 embarcações, número que ultrapassou as expectativas da organização.
Para Elio Rossi, Diretor da Sedna, o salão náutico foi surpreendente. “Público excelente e ótima prospecção. Fechamos a venda de quatro embarcações durante o evento, sendo duas delas os lançamentos XF 315 e SS 460″, conta.
“Este ano tivemos um público muito mais especializado e decidido a comprar o primeiro barco ou trocar de embarcação. Foram 320 unidades vendidas, número superior à 19ª edição e um total de 220 milhões de reais em negócios. Além disso, os contatos realizados durante o evento continuam a gerar novos negócios ao longo do ano”, comenta Ernani Paciornik, organizador do evento. Estima-se que, em média, mais de 50% das negociações pós-feira serão firmadas em até 40 dias.
Para o evento, que pelo segundo ano consecutivo aconteceu no São Paulo Expo, os estaleiros trouxeram novidades que agradaram ao público brasileiro e facilitaram o pagamento, com opções de desconto e financiamento. Entre os cerca de 100 expositores, ainda haviam jets, infláveis, acessórios e equipamentos para esportes náuticos.
“A BRP levou com exclusividade a linha Sea-Doo 2018 para o São Paulo Boat Show. Um dia depois do lançamento mundial, as motos aquáticas já estavam no salão náutico que é considerado um dos principais da América Latina. Estamos muito entusiasmados pela receptividade do público brasileiro com as novidades da Sea-Doo, que mais uma vez reinventou o conceito de moto aquática e as possibilidades de viver novas experiências na água”, diz Robert Lumley, vice-presidente e gerente geral regional para América Latina da BRP.
Assim, os 32 mil visitantes puderam transitar por diversas modalidades do setor náutico – desde barcos esportivos, lanchas de passeio ou pesca, até embarcações de 80 pés, verdadeiras mansões de alto luxo flutuantes. Além disso, o evento abriu espaço a outras esferas do mercado náutico, como motores, equipamentos e utilitários.
“O São Paulo Boat Show é um evento de grande importância na indústria náutica e esta edição marca um momento de retomada do mercado, que pudemos sentir de maneira muito forte com o lançamento da nova Intermarine 62”, afirma Roberta Ramalho, presidente da Intermarine.
“Recebemos um público de muita qualidade durante o São Paulo Boat Show, além de vendas efetivadas e outras negociações em andamento. Entre as 8 embarcações expostas das marcas Triton Yachts, Armatti Yachts e Fishing Raptor, destaque para a Triton 440 HT e a Armatti 330, dois lançamentos feitos durante o evento ao mercado nacional. As embarcações da Fishing Raptor, reconhecidas pelo público, foram aprovadas pelos visitantes principalmente pela qualidade e pelas mudanças apresentadas pelo novo estaleiro. Excelente navegabilidade, ótimo aproveitamento de espaços, design e qualidade construtiva aliados à solidez do fabricante são características comuns que justificam o sucesso das marcas no Boat Show”, destaca um dos diretores das marcas Triton Yachts, Fishing Raptor e Armatti Yachts, Allan Cechelero.
O Espaço dos Desejos, ambiente de requinte e glamour dentro do evento, apresentou diversos produtos que são objetos de desejo de muitos e que foram apresentados na área de mais de 2,5 mil metros quadrados reservados ao setor de alto luxo.
Pelo primeiro ano, além de conferir de perto os mais cobiçados lançamentos do setor, como automóveis, eletrônicos, óculos e serviços personalizados, o público ainda pôde vivenciar a experiência gastronômica oferecida pelo chef Benoit Vidal – duas estrelas no renomado Guia Michelin – na réplica do restaurante francês L’Atelier d’Edmond, instalado no espaço especialmente para o São Paulo Boat Show.
Participaram do evento: Ótica Miguel Giannini, Residencial Galeria 90, DJI, Vivara, DeLonghi, Lennar, BR Marinas, Wolford, Pissani Massas Gourmet, Faber-Castell, Belmond Copacabana Palace, Lexus, Mercedes-Benz, Volvo e Icon Aviação, que trouxe ao evento o maior helicóptero disponível para táxi aéreo executivo do país.
Simultâneo ao evento e aberto a todos os visitantes do São Paulo Boat Show, aconteceu também o PADI Dive Festival, maior e mais completo evento de mergulho da América Latina. A atração apresentou o que há de mais moderno no setor e contou com palestras de profissionais de mergulho, turismo, ecologia, biologia, entre outros.
Este ano, os visitantes ainda puderam mergulhar em um mega tanque Discover Scuba Diving e vivenciar a experiência gratuitamente – o que resultou em novos e fiéis clientes do mercado de mergulho, inclusive crianças que foram apresentadas ao esporte durante o evento. A atividade atraiu cerca de 1100 pessoas.
“Estamos satisfeitos com a nossa participação no São Paulo Boat Show. A Azimut 74 foi o grande lançamento da feira ao mercado latino-americano. Essa grande e luxuosa embarcação de mais de 22,5 metros surpreendeu nossos clientes, formadores de opinião e admiradores da marca pelo design, conforto e tecnologia inovadora, já que utiliza em parte de sua estrutura fibra de carbono 100% pura. Todos os dias do evento tivemos filas de espera para visitação dessa novidade e também das outras duas embarcações expostas, a esportiva Azimut Verve 40 e a sofisticada Azimut 56. Isso comprova o sucesso da marca entre o público e sua evolução constante”, avalia o diretor comercial da Azimut Yachts, Francesco Caputo.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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