Robert Scheidt vai em busca do título da Star Sailors League Finals 2018, nas Bahamas
Robert Scheidt inicia a luta pelo título da Star Sailors League Finals 2018 nesta terça-feira (4), na sede no Nassau Yacht Club, nas Bahamas. O bicampeão olímpico formará dupla com Henry Boening, o Maguila, repetindo a parceria medalha de prata na SSL Finals de 2017. “Será um grande evento, uma competição que reunirá alguns dos melhores velejadores do mundo. Estou animado e confiante. Vamos dar o nosso melhor em busca do pódio e, quem sabe, melhorar uma posição em relação ao ano passado”, comenta o velejador, nem humorado, confirmando o desejo de ser campeão.
Se conseguir alcançar seu objeto, Scheidt se tornará bicampeão da SSL Finals. Ele venceu logo na estreia da competição, em 2013, com Bruno Prada. No ano seguinte, com o mesmo proeiro, ficou em quinto lugar. Em 2016, subiu ao pódio em terceiro lugar, ao lado de Maguila. No ano passado, faturou a medalha de prata, novamente com Henry Boenning, em uma disputa emocionante na última regata. Isso porque a diferença da dupla brasileira para os campeões Paul Goodison (Reino Unido) e Frithjof Kleen (Alemanha), foi de menos de um barco. “A disputa em Nassau é sempre intensa, com vários campeões mundiais e medalhistas olímpicos”, explica o maior medalhista olímpico da história do Brasil, com cinco pódios.
O alto nível da disputa nas Bahamas citado por Scheidt pode ser exemplificado pela lista de grandes velejadores na Baía de Montagu: Iain Percy, da Grã-Bretanha (duas medalhas de ouro olímpicas e dois títulos mundiais); Sime Fantela, da Croácia (uma medalha de ouro olímpica e três títulos mundiais); Freddy Lööf, da Suécia, (uma medalha de ouro olímpica e cinco títulos mundiais); Mateusz Kusznierewicz, da Polônia (uma medalha de ouro olímpica e três títulos mundiais); entre outros.
Uma das razões para Scheidt alimentar boas expectativas para as finais da Star Sailors League está nos bons resultados recentes. Há menos de um mês, conquistou o Sul-Americano de Star, no Rio de Janeiro, ao lado de Arthur Lopes. Ele também voltou a competir na classe Laser e ficou em segundo lugar na Copa Brasil, em Florianópolis, também em novembro.
A Star Sailors League Finals terá regatas diárias até sábado (8). A competição tem sede no Nassau Yacht Club e reúne 25 duplas finalistas entre os melhores velejadores do mundo, conforme o ranking da SSL, com premiação total de 200 mil dólares, a maior da vela mundial. Neste ano o Brasil terá outros seis representantes. Juntamente com Scheidt/Boening, estarão nas Bahamas Lars Grael e Samuel Gonçalves (Samuca); o campeão mundial de Star, Jorge Zarif, ao lado de Pedro Trouche, além dos proeiros Bruno Prada e Arthur Lopes.
Regras do campeonato – Nos quatro primeiros dias, as 25 tripulações correm 11 regatas, todos contra todos, com apenas um descarte. As dez primeiras colocadas permanecem no campeonato para disputar três regatas no dia decisivo: quartas de final, semifinal e final. O líder da fase de classificação vai direto à final. O segundo colocado passa para a semifinal. A cada regata da fase decisiva três barcos são eliminados.
As regatas serão transmitidas ao vivo na Internet pelo site oficial do evento.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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