Semana do Meio Ambiente de Itajaí tem como tema “Coleta Seletiva e Mares Limpos”
A 24ª edição da Semana do Meio Ambiente de Itajaí, que tem o tema “Coleta Seletiva e Mares Limpos”, será realizada de 3 a 8 de junho. O evento contará com palestras, visitas monitoradas, plantio de árvores e coleta de resíduos eletrônicos. A Semana do Meio Ambiente é uma realização do Instituto Cidade Sustentável e o encerramento integra a programação do aniversário de Itajaí – 159 anos: de frente para o futuro.
Às 14h de segunda-feira (3), ocorreu a abertura no auditório do Centro de Educação Ambiental (CEA), localizado na rua Deputado Francisco Canziani, bairro Cabeçudas. O cerimonial tem o apoio do Ministério do Meio Ambiente, que apresentou o “Plano de combate ao lixo no mar”. Em seguida, as professoras Rafaela Picolotto e Camila Marin ministraram a palestra “Mares Limpos”.
Serão recolhidos resíduos eletroeletrônicos em todos os Centros de Educação em Tempo Integral (CEDINs) do município, de 3 a 30 de junho. Equipamentos de informática e comunicação, como computadores, impressoras, telefones e celulares são o foco da ação.
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No encerramento de sábado (8), 60 mudas serão plantadas pela extensão das avenidas Nilo Simas e Contorno Sul. O plantio terá ponto de encontro em frente ao IFSC, às 8h30. É esperado que, até o fim do mês, sejam plantadas 400 mudas de espécies nativas. Já das 13h30 às 17h, ocorrerá a tradicional Feira de Adoção de Animais. Os animais adultos, castrados e microchipados estarão no Parcão, que fica na Praça Genésio Miranda Lins (Beira-Rio). Amostras de ação serão oferecidas gratuitamente.
O objetivo é sensibilizar a população quanto à destinação adequada dos resíduos, que não podem ser recolhidos pelo serviço de coleta de lixo sólido comum. Por meio da programação, a ideia é que a importância do cuidado com o meio ambiente seja reforçada.
Confira a programação completa:
PROGRAMAÇÃO
SEGUNDA A DOMINGO (3 A 30)
ATIVIDADE – Coleta de Eletroeletrônicos
Local: Todos os Centros de Educação em Tempo Integral (CEDINs) do município
SEGUNDA-FEIRA (3)
Abertura da 24ª Semana do Meio Ambiente
ATIVIDADE – Palestra sobre “Mares Limpo” e apresentação do Plano de Combate ao Lixo no Mar
Horário: 14h
Local: Auditório do Centro de Educação Ambiental (CEA), localizado na Rua Dep. Francisco Canziani, bairro Cabeçudas.
Palestrantes: Representante do Ministério do Meio Ambiente, Profª Rafaela Picolotto (UNIVALI) e Profª Camila Marin
TERÇA-FEIRA (4)
Atividade – Projeto “De lixo a bicho”
Horário: 14h30
Local: Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), localizado na avenida Ver. Abrahão João Francisco, 3899, bairro Ressacada
QUARTA-FEIRA (5)
ATIVIDADE – Prática de Taiji Qigong
Horário: 8h30
Local: Centro de Educação Ambiental (CEA), localizado na rua Dep. Francisco Canziani, bairro Cabeçudas
ATIVIDADE – Plantio de Árvores Nativas Frutíferas
Horário: 14h
Local: Escola B. Prof. Maria Rosa Heleno Schulte, bairro Espinheiros
Público alvo: Alunos da Escola B. Prof. Maria Rosa Heleno Schulte
QUINTA-FEIRA (6)
ATIVIDADE – Inauguração da Trilha das Cotias
Horário: 8h30
Local: Saída no Centro de Educação Ambiental (CEA), localizado na rua Dep. Francisco Canziani, bairro Cabeçudas
ATIVIDADE – Palestra sobre Meio Ambiente
Horário: 14h
Local: CRAS Nossa Senhora das Graças.
ATIVIDADE – Plantio na restinga de Cabeçudas
Horário: 14h30
Local: Praia de Cabeçudas
ATIVIDADE – Visita monitorada ao Aterro Sanitário/Cooperativas
Horário: 14h30
Local: Aterro Sanitário, Cooperfoz e Reciclavale
SEXTA-FEIRA (7)
ATIVIDADE – Visita monitorada ao Viveiro e Parque do Atalaia
Horário: 8h30
Local: Viveiro Municipal de Mudas Nativas e Parque Natural Municipal do Atalaia
Sábado (8)
ATIVIDADE – Plantio Alusivo a Semana do Meio Ambiente
Horário: 8h30
Local: Ponto de encontro em frente ao IFES, plantio nas avenidas Nilo Simas e Contorno Sul
ATIVIDADE – Feira de Adoção de Animais
Horário: Das 13h30 às 17h
Local: Parcão, na Praça Genésio Miranda Lins (Beira-Rio)
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.



