Yacht Club de Ilhabela sediará XVII Simpósio de Segurança do Navegador Amador


O Yacht Club de Ilhabela receberá o XVII Simpósio de Segurança do Navegador Amador, entre os dias 15 e 17 de outubro. Promovido pela Marinha do Brasil, em parceria com a Soamar SP, o encontro tem como objetivo transmitir conhecimentos e divulgar noções de segurança, através de palestras, demonstrações e treinamentos práticos aos que navegam no mar e nas águas interiores.
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É destinado aos navegadores amadores, que desejam se habilitar como Arrais, Mestre e Capitão, velejadores, marinheiros e pessoas relacionadas com o meio náutico. A abertura do evento terá o tradicional Dia de Mar, com treinamento prático em embarcações da Marinha, focado na segurança da navegação.
As atividades incluem atracação e desatracação, noções práticas de manobras e navegação, resgate, abandono de embarcação, coletes e balsas salva vidas, sinalização com pirotécnicos, transmissão de “Securitée” e “May Day”, demonstração de resgate de naufrágio por aeronave e desembarque dos meios.
”O Yacht Club de Ilhabela mantém sua vocação de fazer eventos ligados ao mar e impulsionando a navegação. O Simpósio é mais um exemplo. Vamos trazer os principais especialistas no segmento, principalmente a Marinha do Brasil, nossa parceira histórica. Estaremos abertos seguindo, assim como na Semana de Vela de Ilhabela, um rigoroso protocolo de segurança contra COVID-19”, disse Alex Costa Pereira, comodoro do Yacht Club de Ilhabela.

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O segundo dia contará com uma série de palestras com autoridades náuticas sobre segurança da navegação, sobrevivência no oceano e meio ambiente. Para encerrar o evento, serão realizados exames para as categorias de Arrais, Mestre e Capitão Amador, com entrega das carteiras aos navegadores aprovados.
”O Yacht Club de Ilhabela mantém sua vocação de fazer eventos ligados ao mar e impulsionando a navegação. O Simpósio é mais um exemplo. Vamos trazer os principais especialistas no segmento, principalmente a Marinha do Brasil, nossa parceira histórica. Estaremos abertos seguindo, assim como na Semana de Vela de Ilhabela, um rigoroso protocolo de segurança contra COVID-19”.
“O Simpósio tornou-se uma tradição muito importante, tanto para os navegadores como para a Marinha do Brasil. O tema da segurança só tem a evoluir, e junto com ele o relacionamento entre amadores e as autoridades marítimas”, destacou Mauro Dottori, diretor do YCI. “E para o Yacht Club de Ilhabela, é uma honra sediar e ajudar a perpetuar um evento que se mostrou um grande sucesso”.
Mauro Dottori lembrou ainda a importância do Dia de Mar, reservado para as práticas em alto mar. “É um dia fantástico, porque mostra como é realmente uma salvatagem. Os amadores veem o uso de pirotécnico, a balsa, os resgates, algumas manobras e um pouco da prática da Marinha e da navegação. E no último dia, como a cerejinha do bolo, ainda são feitas as provas de patentes amadoras, com a carteira entregue na hora”.
Ações sociais e ambientais
Durante o XVII Simpósio de Segurança do Navegador Amador, também serão realizadas ações sociais e ambientais já em prática no Yacht Club de Ilhabela. Uma delas é a campanha de doação de roupas de tempo para velejadores, iniciada durante a última edição da Semana Internacional de Vela de Ilhabela, em julho. Todas as peças arrecadadas serão entregues às escolas de vela da região.
Outra ação iniciada durante a Semana de Vela é a divulgação do Guia de Boas Práticas a Bordo aos navegadores. O guia, elaborado por Andrea Soffiatti Grael em conjunto com o projeto Grael, busca uma mudança de comportamento que gere benefícios para o ambiente marinho.
Já a campanha “Elastic Cut” visa recolher e retirar os elásticos das máscaras descartáveis, para descartá-las de maneira apropriada, evitando a poluição do meio ambiente.
Visita técnica
Nesta semana, os organizadores do Simpósio fizeram uma visita técnica ao Yacht Club de Ilhabela, para um inspeção prévia. Estiveram presentes o CMG. Costa Moura, Chefe da Segurança do Tráfego Aquaviário, o CMG. Adriano – Del.S.Sebastião, a CT Helenilde, Chefe do Departamento de Inspeção Naval, Pessoal Amador e Marinas. além dos técnicos de TI da Marinha. A Full Time, como organizadora do Simpósio, acompanhou a visita.

Programação
14/10 (quinta-feira)
Credenciamento
15/10 (sexta-feira)
Dia de Mar
16/10 (sábado)
Credenciamento
Abertura solene
Palestras
Encerramento
17/10 (domingo)
Provas
Entrega solene das carteiras
Sobre o Simpósio
O Simpósio de Segurança do Navegador Amador teve sua primeira edição realizada no ano de 2000, na Escola Naval. Idealizado pelo Vice Almirante Euclides Duncan Janot de Matos, à época Diretor de Portos e Costas da Marinha do Brasil, o evento teve a coordenação do navegador Carlos Brancante, pela sua experiência de mais de 150.000 milhas navegadas, e o então CMG Bernardo Pierantoni Gamboa, hoje Vice-Almirante.
A missão era aproximar a Marinha dos navegadores amadores, tendo como foco central a segurança. Nesses 20 anos, o simpósio vem conscientizando toda a comunidade náutica sobre como ter uma navegação mais segura e evitar a poluição hídrica, de forma a garantir a salvaguarda da vida humana no mar.
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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