Organizadores da Semana de Vela de Ilhabela entregam cestas básicas arrecadas no evento

Por: Redação -
30/08/2021

Os organizadores da Semana Internacional de Vela de Ilhabela entregaram nos últimos dias as cestas básicas arrecadadas durante o evento, que ocorreu de 24 a 31 de julho deste ano, com mais de 80 barcos participantes. Os velejadores que disputaram as regatas em Ilhabela (litoral norte de São Paulo) participaram da ação social idealizada pelo Yacht Club de Ilhabela, que dobrou a quantidade de unidades entregues.

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Os locais atendidos pelas 174 cestas básicas da Semana de Vela de Ilhabela foram: Famílias da Ilha Vitória, Ilha de Búzios e Sombrio, Lar do Ancião Feliz, Lar do Menor e Adolescente, APAE e Posto de Saúde da Barra Velha. Todas as unidades assistenciais ficam em Ilhabela. A quantidade doada para as entidades foi definida de acordo com o número de famílias envolvidas.

”O Yacht Club de Ilhabela sempre abriu as portas e colocou sua equipe à disposição para ações sociais em prol da ilha. As doações das cestas básicas são exemplos desse nosso trabalho. A atividade foi muito importante e fundamental, especialmente nesse período de pandemia”, disse Alex Costa Pereira, comodoro do YCI.

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As entregas foram supervisionaras pelo diretor de meio ambiente do YCI, Julio Cardoso. “A iniciativa da 48ª SIVI e do YCI de arrecadar cestas básicas para as populações mais carentes, em especial as que vivem nas ilhas de Vitória e Búzios, no Saco do Sombrio, além das instituições que trabalham com crianças e idosos, teve resultados excelentes!”

”Como acompanhei todas as entregas, posso dizer que ver o brilho nos olhos e o sorriso das pessoas que receberam essas cestas, num momento de dificuldades, foi algo emocionante e tocante!”, disse Julio Cardoso.

Além de ações sociais, o Yacht Club de Ilhabela também promove eventos de limpeza de oceanos, como o World Clean Up Day, e trabalha com redução praticamente completa do uso de plástico em suas dependências. Outra novidade foi a Regata do Amanhã, que trouxe mais de 50 jovens para ter acesso à vela oceânica.

Organizador da competição, Mauro Dottori destacou o impacto social do evento em Ilhabela. “Fico muito feliz em ver que os velejadores abraçaram a doação de cestas básicas e as outras iniciativas promovidas pela Semana Internacional de Vela de Ilhabela. Espero que, nos próximos anos, a gente tenha mais atividades como essas, para continuar impulsionando o crescimento da região”.

”A Semana Internacional de Vela de Ilhabela é um evento que movimenta toda a cidade e as ações não se concentram apenas durante as regatas em julho. A comissão organizadora tem um trabalho voltado à comunidade, abrindo espaço para jovens velejadores e marinheiros, dando oportunidades para abrir novos postos de trabalho relacionados à economia marítima”, disse Vanessa Lombardi, CEO da Full Time, agência de oficial de produção e organização da Semana de Vela de Ilhabela há mais de 10 anos.

Campeões de 2021

ORC Geral – +Bravíssimo
ORC A – Xamã/Matrix Energia
ORC B – +Bravíssimo
ORC Silver – Lucky/Alforria
RGS Geral – Zeus
RGS A – Zeus
RGS B – Beleza Pura 2
RGS C – Brazuca
Bico de Proa Geral – BL3 Mangalô
Bico de Proa A – BL3 Mangalô
Bico de Proa B – H2Orça
Bico de Proa C – Super Bakanna
C30 – Kaikias
HPE25 – Espetáculo
Clássicos – Kameha Meha
Mini Transat – Jacaré
Multicascos – Maré XX

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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