Maersk e The Ocean CleanUp validam tecnologia capaz de limpar rios e oceanos

Por: Redação -
16/12/2021

Visando um mundo melhor o grupo A.P. Moller – Maersk tem atuado junto à Ocean CleanUp, organização holandesa sem fins lucrativos, com serviços de gerenciamento de cadeia de suprimentos de ponta a ponta para sistemas de limpeza de rios e oceanos. Recentemente, o projeto concluiu a fase de testes, validando a eficácia da tecnologia.

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De acordo com um estudo realizado pela ISWA (International Solid Waste Association), mais de 20 milhões de toneladas de lixo são despejados nos oceanos anualmente, sendo que 80% vêm das cidades.

Além disso, resultados apontam que metade dos resíduos são plásticos, ou seja, 12,5 milhões de toneladas. Neste contexto, a agência científica nacional da Austrália, CSIRO, estima que há 14 milhões de toneladas métricas de microplásticos nos oceanos. O número constatado é 35 vezes maior do que o esperado.

Agora, o principal objetivo da parceria é expandir o tamanho do sistema e capturar uma maior quantidade de lixo de forma eficaz.

A missão da The Ocean CleanUp é desenvolver tecnologias avançadas para livrar os oceanos do mundo do plástico. Para isso, pretende interromper o afluxo via rios e limpar o que já se acumulou no oceano. O objetivo final da organização é atingir uma redução de 90% do plástico flutuante do oceano até 2040.

O local de atuação da organização é a região conhecida como ilha do lixo do oceano pacífico (Pacific Ocean Garbage Patches, em inglês), com uma extensão de 1,6 milhões de km², ou seja, três vezes o tamanho da França. Há 1,8 trilhão de pedaços de plástico na região, totalizando cerca de 80 mil  toneladas de lixo. Há, ainda, plásticos datados de 1977 na ilha.

“Como um operador marítimo responsável, estamos empenhados em garantir que os oceanos possam permanecer um ambiente saudável para as gerações vindouras. Portanto, estamos muito satisfeitos, não apenas em prolongar, mas também ampliar o acordo de parceria iniciado em 2018”, explica Mette Refshauge, vice-presidente de Comunicações Corporativas e Sustentabilidade da Maersk.

Mais de 29 mil toneladas foram recolhidas do mar

O sistema de limpeza está em desenvolvimento há cinco anos. Em 2019, o modelo 001 foi testado, mas sem muito sucesso. E agora em 2021, a Maersk e a The Ocean CleanUp testaram o modelo 002, que apresentou bons resultados.

O período de testes serviu como validação da forma de funcionamento e da eficácia do sistema, e os resultados foram positivos: uma das operações chegou a coletar 9 mil toneladas de lixo no oceano. No total, mais de 29 mil toneladas foram recolhidas.

Além disso, com base nos resultados da cada teste, houve um cuidado para haver uma interação saudável do sistema com a vida marinha, a fim de não causar danos ao ecossistema.

Atualmente, para realizar a limpeza no oceano, o projeto conta com um  sistema com dois navios para executar a ação. Segundo um levantamento feito pela parceria, será possível limpar a mancha de lixo até 2040, caso 10 sistemas sejam ativados para esta finalidade.

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Maersk tem oferecido suporte à organização holandesa com serviços de manuseio logístico

A Maersk tem oferecido suporte à organização holandesa com serviços de manuseio logístico de ponta a ponta, que vão desde embarque mundial de diferentes locais até frete aéreo, contêineres e transporte especial, desembaraço aduaneiro, armazenagem e gerenciamento de armazenamento.

“O apoio nos últimos três anos foi inestimável para levar adiante nossa missão”, afirma Lonneke Holierhoek, Diretor de Ciência e Operações da The Ocean CleanUp.

Durante os processos, perceberam que a lixeira é heterogênea, ou seja, existem locais com uma maior concentração de lixo. Portanto, serão utilizados modelos diferentes em determinadas áreas, para que o tempo seja otimizado e cada sistema realize a coleta da maneira mais eficaz possível.

Como parte da parceria, a empresa também ajudará a organização holandesa na implantação de tecnologia de sensor científico a bordo da própria frota da Maersk, para mapear o plástico flutuando nos oceanos e ajudar a organização a ter um melhor entendimento da gravidade da situação.

O objetivo é auxiliar no mapeamento do oceano “Qual a melhor maneira de mapear os oceanos do que aproveitar uma das maiores frotas do mundo?”, afirma o chefe de Logística de Projetos Especiais da Maersk, Robin Townley.

Além da parceria com a The Ocean CleanUp, a empresa tem fornecido suporte marítimo offshore para livrar os oceanos do plástico, por meio da Maersk Supply Services.

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O que é feito com o lixo

Atualmente, o mundo enfrenta a crise do “plástico de uso único”. Como solução, surgiu a ideia de fazer utensílios a partir deste material, que serão utilizados por longos períodos.

Dessa forma, o plástico reciclado não voltará ao oceano. Inicialmente, a The Ocean CleanUp está fazendo óculos com plásticos coletados, mas outros produtos também estão sendo planejados.

A maior preocupação em relação aos plásticos é eles retornarem aos oceanos. A partir disso, estudos serão realizados para que novos produtos sejam fabricados e comercializados, gerando maior receita para o projeto e garantindo que o valor agregado será o suficiente para que o produto não retorne aos oceanos.

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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