Paixão pela náutica inspirou casa barco de 2 mil m² em Ilhabela, no Litoral Norte de SP
Projeto do arquiteto Bruno Duran simula uma embarcação de quatro níveis com deck de costado, proa, popa e circulação interna e externa


O que acontece quando arquitetura, natureza e referências do universo náutico se encontram? Nas mãos do arquiteto Bruno Duran, do Studio Duran Arquitetura, esses elementos se transformaram em uma impressionante casa barco integrada à paisagem de Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo. Os detalhes desse processo foram apresentados pelo Canal Simple, de Carlos Pedrosa, no YouTube.
De emissora clandestina a restaurante refinado: conheça a história da Ilha REM
Casa em forma de barco projetada por Frank Lloyd Wright está à venda por R$ 11,4 milhões
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
O projeto surgiu como a expressão da paixão de um cliente pelo mundo náutico, mais precisamente, pelos anos em que passou pescando na região da ilha. À época, a casa que hoje desvia olhares na paisagem era apenas uma casinha simples de madeira, com uma única janela branca usada como referência para as pescarias.
Nas mãos do arquiteto, a janela branca soou como uma tela livre. Dela, surgiram 2 mil m² construídos e distribuídos em quatro níveis em um terreno de grande declive no litoral paulista. À distância, a casa se assemelha a uma grande embarcação, com direito a vista livre para o mar e as montanhas.
Eu tinha o intuito de criar uma casa que trouxesse a mesma sensação que o cliente sentia quando estava no seu barco– destaca o arquiteto Bruno Duran


Um olhar que rendeu vistas deslumbrantes
O projeto simula uma embarcação com deck de costado, proa, popa e circulação interna e externa, tal qual um barco naufragado em meio à natureza. A intenção do estúdio foi priorizar o sonho do cliente e a permeabilidade visual para o horizonte, permitindo ver petroleiros e cruzeiros passando.


Para isso, no início da obra, Bruno revelou que precisou montar um andaime de bambu velho no terreno para se posicionar na altura ideal, visando traçar o gabarito de construção. Com isso, o pé-direito foi milimetricamente calculado para equalizar a paisagem do continente e das montanhas sem cortá-las, trazendo as nuvens e o céu para dentro da convivência da casa.


Esse trabalho é valorizado com portas de vidro, que permitem uma integração total com a área externa. Por lá há uma piscina de borda infinita com paredes também de vidro na ponta, que chega a se curvar em volta da casa barco.


Em uma espécie de “arquitetura viva”, os materiais utilizados na construção mudam com o tempo e com as estações do ano. O casco da casa assume um tom esverdeado claro no verão e mais escuro no inverno úmido. O uso abundante de aço corten reforça a transformação constante da construção como uma pele viva.


Ela está sempre se modificando, como se fosse uma pele que tivesse ali, mudando, se transformando conforme a natureza– explica o arquiteto
Elementos que contam histórias
Na circulação interna, um espelho d’água ladeia o ambiente, trazendo para dentro a conexão com o mar. O mundo náutico também é notado em cordas navais e elementos da história de Ilhabela, feitos por artesãos locais.


No andar das suítes, o piso e as paredes exploram diferentes texturas, incluindo uma parede feita com refugo de marmoraria recortado em formato de escama de peixe — que reflete o mar a depender do ângulo.


A escada de meia-nau (que conecta o deck ao cockpit nas embarcações) conduz ao nível inferior. Para este trecho, foi escolhido o mármore Boreal Green, um mármore silicílico formado pelo encontro do magma vulcânico com a água salgada, cujos rajados simulam as espumas de um mar revolto visto de cima.


O jardim recebeu uma árvore de Frangipani, usada nos colares havaianos. Seguindo a tradição dos pescadores locais, a queda de suas flores com as pétalas voltadas para baixo indica tempos de mar revolto e um mau presságio para a pesca. Já o desenho da jacuzzi e das curvas da casa foi inspirado nas linhas e ondas formadas na areia da praia conforme o movimento do oceano.




O andar inferior tem um estilo clean, com quadros contendo fotografias da época da construção. O espaço conta com quatro suítes independentes e uma academia completa, que mantém a vista para o mar através de espelhos.


A Suíte Master, por sua vez, possui uma antissala aconchegante e um design que remete diretamente ao convés de um navio ou iate, com elementos vazados e vista para o mar por múltiplos ângulos.


A casa barco fica na região do Portinho, em Ilhabela, e está disponível para locação a partir de R$ 20 mil na diária para 14 hóspedes.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Projeto do arquiteto Bruno Duran simula uma embarcação de quatro níveis com deck de costado, proa, popa e circulação interna e externa
Estaleiro apresentará as Real 38 Cabriolet e 45 Luxury no maior salão náutico da América Latina
Evento mostra que o mercado náutico vai além da compra do barco e inclui conservação, acabamento, proteção e modernização
Equipe correu pela 1ª vez com Paul Goodison no leme e Kahena Kunze como Strategist na etapa em Genebra
Multicampeão brasileiro e sul-americano de jet, Marcelo Gimenez propõe redução de impostos, criação de infraestrutura pública e parcerias para desenvolver o turismo das águas


