Teste Real 37 Cabriolet: não tem nada igual
Com visual esportivo, navegação acima da média e cockpit ótimo para quem valoriza a vida ao ar livre, a nova Real 37 Cabriolet desperta desejo à primeira vista


Apresentada pela primeira vez durante o São Paulo Boat Show 2025, a Real 37 Cabriolet despertou expectativa pelo estilo esportivo e pelo casco em tom de verde inspirado na versão conversível do automóvel BMW M8. “Embora completo, ainda é um protótipo. É um barco para o ano que vem”, explicou na ocasião Paulo Thadeu, comandante da Real Powerboats. “O projeto tomou novos rumos a partir da sugestão de nossos clientes”, acrescentou o executivo, o que só serviu para aumentar a expectativa em torno da versão definitiva da lancha.
Real 45 Luxury surpreende nas vendas e já tem encomendas até setembro de 2027
Real Powerboats lança 38 Cabriolet e 45 Fly no São Paulo Boat Show 2026
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
Pois bem, a versão final enfim chegou ao recente Rio Boat Show 2026, com fila de interessados para realizar um test-drive. NÁUTICA aproveitou a movimentação em torno da novidade para realizar um teste completo do modelo nas águas de Niterói e descobrir se toda a expectativa criada em torno da embarcação se justificava na prática. E a Real 37 Cabriolet mostrou qualidades que justificam toda a atenção recebida desde o lançamento do protótipo, como mostramos a seguir.


Como toda lancha da Real Powerboats — estaleiro do Rio de Janeiro que soma mais de 12 mil lanchas construídas —, a nova 37 Cabriolet privilegia sobretudo a vida no cockpit e o desempenho do casco. E é justamente aí que estão suas principais virtudes. O espaço externo é amplo para a categoria, com boa circulação a bordo e soluções voltadas claramente para passeios diurnos e navegação rápida em clima quente — proposta reforçada pela enorme cobertura sobre o cockpit que, quando rebatida, deixa a área social totalmente aberta, como em um carro conversível, fazendo jus ao sobrenome Cabriolet.


Com 11,36 metros de comprimento e 3,25 metros de boca, a embarcação impressiona pelo aproveitamento de espaço. A largura do casco faz o cockpit parecer o de uma lancha ainda maior. A plataforma de popa confirma essa sensação: com quase 2 metros de comprimento e ocupando praticamente toda a boca do barco, é um dos ambientes mais agradáveis do projeto. Diferentemente da tendência atual de criar lounges rebaixados na proa — solução que costuma sacrificar a altura interna da cabine na proa —, a Real preferiu preservar o pé-direito interno e transferir o principal espaço de convivência para a popa. Ainda assim, o solário de proa, com encostos reclináveis, acomoda até três pessoas e conta com a proteção de guarda-mancebos altos, o que aumenta a sensação de segurança durante a navegação. O acesso à proa é facilitado por uma passagem lateral, a bombordo. Contudo, algumas soluções ergonômicas poderiam ser mais bem resolvidas, como o sistema de abertura do paiol de âncora, que exige puxar manualmente a corrente para erguer a tampa — solução pouco prática no uso cotidiano.


O melhor lugar do barco
Por sua vez, o cockpit de popa foi muito valorizado no projeto. Na popa, em vez da configuração tradicional com móvel gourmet, a Real optou por instalar ali um amplo sofá com encosto rebatível, que pode até funcionar como um solário. A solução permitiu criar um ambiente mais generoso e integrado, com uma mesa móvel instalada na própria plataforma de popa e outra na praça principal do cockpit. O resultado é uma plataforma de popa ampla, com sofá, mesa de apoio, espaço gourmet lateral com pia, churrasqueira portátil, geleira e até uma “prainha” submersível, que permite aos ocupantes permanecer parcialmente dentro d’água. Há ainda diversos paióis sob o piso.


No cockpit, segue a mesma proposta de valorização da convivência ao ar livre. O sofá em “L”, combinado a dois pufes móveis, permite acomodar praticamente todos os ocupantes da embarcação sentados com conforto — a lancha foi homologada para levar até 15 pessoas mais o piloto. Um detalhe interessante é justamente o encosto rebatível do sofá, que transforma o ambiente e amplia as possibilidades de integração social a bordo. Seus bancos são mais confortáveis que a maioria das lanchas desse segmento, com estofados mais ergonômicos. A Real adotou um desenho com apoio mais pronunciado na região lombar, proporcionando sensação semelhante à dos bancos de automóveis premium — algo perceptível principalmente durante navegações mais longas. A grande capota retrátil também merece menção: fácil de montar, cobre praticamente toda a área social e ainda permite diferentes configurações de abertura para ventilação.


Espaço interno bem aproveitado
Por dentro, a Real 37 Cabriolet não foge do layout das lanchas para cruzeiros de fim semana, em termos de arranjo. Nos acabamentos, a Real 37 Cabriolet entrega um conjunto elogiável, com iluminação indireta em LED, detalhes em madeira e um ambiente visualmente agradável. São dois camarotes (que opcionalmente podem ser fechados), com pernoite para três pessoas, sendo duas no sofá em V na proa, que se converte em cama de casal, e outro em duas camas (uma de solteiro, a boreste, outra de “viúva, a bombordo) na meia-nau. Por não adotar um lounge rebaixado na proa, o projetista conseguiu preservar um pé-direito bastante generoso para o segmento: 1,90 metro na entrada da cabine e aproximadamente 1,88 metro na região central. Já o camarote de meia-nau impõe limitações típicas desse tipo de projeto esportivo, por conta da altura livre: 60 cm, ainda assim suficiente para dormir com relativo conforto.


O principal ponto que merece evolução na cabine é a ventilação natural, hoje limitada basicamente à gaiuta da proa. As janelas laterais garantem boa luminosidade, mas a ausência de vigias — inclusive no banheiro — reduz a circulação de ar, especialmente em dias mais quentes. Em compensação, o banheiro oferece bom espaço para banho, vaso sanitário elétrico, armários profundos e acabamento caprichado.


Como navega a Real 37 C
O conceito de pilotagem é, sem dúvida, um dos aspectos mais interessantes da 37 Cabriolet. O posto de comando foi propositalmente elevado para proporcionar uma experiência mais envolvente, semelhante à de dirigir um carro conversível ou até uma lancha flybridge — solução pouco comum em embarcações desse porte. O resultado aparece logo nos primeiros minutos ao volante: pilotá-la é genuinamente prazeroso. A posição de comando transmite sensação de controle, esportividade e conexão direta com a navegação, daquelas que fazem o comandante querer esticar o passeio sem pressa para voltar.


O para-brisa mais baixo atua como defletor, amenizando o vento sem eliminar a agradável sensação de navegação ao ar livre no rosto do piloto — exatamente como se espera de uma proposta Cabriolet. A ergonomia também agrada, com ótima visibilidade em praticamente todos os ângulos, comandos intuitivos, eletrônicos bem posicionados e bancos confortáveis que permitem pilotagem tanto sentado quanto em posição mais elevada, em estilo mais esportivo. Apenas a bússola poderia estar melhor posicionada, centralizada como recomenda a boa prática náutica.


Levamos a Real 37 Cabriolet para as águas da Baía de Guanabara, saindo da Marina da Glória rumo a Niterói, em um dia de mar calmo e pouca ondulação. Equipada com dois motores a gasolina de 250 hp cada — potência relativamente modesta para uma lancha de 37 pés —, a embarcação mostrou um conjunto casco-motorização muito bem acertado. Mesmo sem recorrer a flapes ou trim durante os testes, transmitiu robustez, equilíbrio e confiança, inclusive em manobras mais agressivas e mudanças rápidas de direção.


A Real 37 Cabriolet mostrou agilidade nas acelerações e uma navegação surpreendentemente esportiva. Navegando contra o vento, a 3 500 rpm, alcançou 25,2 nós, com consumo de 73 litros por hora e autonomia de 124 milhas — um bom ponto de cruzeiro para passeios mais longos. A 4 000 giros, a velocidade saltou para 29,3 nós, desempenho bastante convincente para uma embarcação de seu porte — sobretudo considerando a potência dos motores. Em aceleração máxima, a 4 860 rpm, cravou 38,7 nós, mantendo comportamento seguro mesmo em curvas fechadas — e isso, repita-se, com apenas dois motores de 250 hp. O casco eficiente desenvolvido pelo estaleiro entrega uma pilotagem divertida, com respostas rápidas e sensação ao volante que lembra embarcações de proposta mais esportiva.
Assista ao teste completo!
Real 37 C
- Velocidade máxima: 38,7 nós (a 4.860 rpm);
- Cruzeiro econômico: 25,2 nós (a 3.500 rpm);
- Aceleração: 8,6 segundos (até 20 nós);
- Autonomia: 124 milhas (a 3.500 rpm);
- Potência: 2 x de 250 hp cada;
- Preço: A partir de R$ 1,290 milhão, com dois motores centro-rabeta de 250 hp cada.
Pontos altos
- A posição de pilotagem;
- O bom aproveitamento do cockpit;
- Não exige motorização muito potente;
Pontos baixos
- Não há vigia para ventilação natural no banheiro;
- Altura do camarote de meia-nau;
- Sistema de abertura do paiol de âncora.


Como ela é
- Comprimento: 11,36 metros (37,3 pés);
- Boca: 3,25 metros;
- Capacidade (dia/noite): 16/5 pessoas;
- Pé-direito na cabine: 1,90 m;
- Combustível/água: 400/160 litros;
- Motorização: dois motores de 220 hp a 350 hp, diesel ou a gasolina;
- Ângulo de V na popa: 19,5°;
- Peso com motores: 6.445 kg.
Detalhes da navegação
Mesmo com dois motores V6 de apenas 250 hp cada — potência contida para uma lancha de 37 pés —, a Real 37 Cabriolet entregou desempenho de respeito: chegou a 38,7 nós de velocidade máxima e acelerou de marcha lenta aos 20 nós em apenas 8,6 segundos.


Veja mais detalhes da Real 37 C!


























Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Tags
Relacionadas
Com visual esportivo, navegação acima da média e cockpit ótimo para quem valoriza a vida ao ar livre, a nova Real 37 Cabriolet desperta desejo à primeira vista
Empresa sueca, especialista em soluções para energia, levará equipamentos que facilitam a vida do navegador
Estaleiro também apresentará conceito de seu novo iate, Schaefer 26M, que será lançado em 2027
Relatório sobre condições ambientais, infraestrutura e exploração econômica deve ser entregue à União
Hanover 327 tem design contemporâneo e promete espaços integrados com soluções encontradas em embarcações maiores



