Teste Schaefer 510 GT: exemplo de conforto, design e prazer em pilotar

11/08/2021

O estaleiro catarinense Schaefer Yachts, com sede em Florianópolis e unidades em Palhoça e Biguaçu — além de um braço cada vez mais forte nos Estados Unidos —, está prestes a completar 30 anos, o que ocorrerá em 2022. Nesse período, comandado com talento, seriedade e inquestionável competência pelo empresário e projetista Márcio Schaefer, promoveu uma revolução de qualidade na indústria nacional, candidatando-se a um lugar de destaque na construção náutica mundial.

De suas instalações — com departamentos próprios para cuidar de cada parte do projeto, tais como engenharia, modelagem, laminação, marcenaria, montagem, estofaria e elétrica — já saíram mais de 3.500 embarcações, entregues ao redor do mundo, da Phantom 260, de 26 pés, à Schaefer 830, de 83 pés.

Evolução da consagrada Schaefer 510, já com quatro anos de mar e mais de 50 unidades vendidas, a Schaefer 510 GT é uma 51 pés (na verdade, 51,9 pés, ou 15,82 metros) para paladares, digamos, mais apurados. Projetada e construída a partir do feedback que o estaleiro recebeu do mercado norte-americano, personifica a evolução contínua da marca em termos de conforto, design e prazer em pilotar.

Entre outros avanços, a Schaefer 510 GT conta com nada menos que três suítes completas — é a única nessa faixa de tamanho com esse requinte. Além disso, oferece três versáteis opções de motorização (IPS ou eixo); espaço interno e pé-direito acima da média; acabamento de primeira; e espaço surpreendente até na casa de máquinas. Resumindo, a Schaefer 510 GT não é apenas uma versão mais bonita e requintada de sua antecessora. É uma nova lancha!

Com identidade própria, marcada pelas janelas em arcos (ou com desenho sinuoso) na superestrutura do casario, a Schaefer 510 GT é uma lancha para até 16 pessoas passearem juntas, sendo que seis delas podem dormir a bordo. São três suítes completas (ou, opcionalmente, duas e uma cozinha extra no convés inferior), sendo que a máster fica à meia-nau, ocupando a boca máxima do barco, que é de 4,36 metros. Na entrada dessa suíte a altura chega a 2,08 m. A cama mede 2,00 x 1,60 m. Ao lado dela, bem à mão, fica o controle do ar-condicionado, o que, ressalta-se, é a melhor opção.

A bombordo, sob a janela de vidro (retangular, com uma vigia no centro) há um sofá que, além de dar um ar aconchegante ao quarto, ajuda no dia a dia do casal — quando um dos dois ainda está dormindo, o outro não precisa usar a cama como apoio. A boreste, distribuem-se os armários, com muitas gavetas.

A decoração, clean, além de esbanjar estilo tira proveito de alguns truques inteligentes, como a instalação de entradas usb na base das luminárias de leitura. A iluminação, aliás, com o uso de spots, deixa o cômodo convidativo e agradável. No banheiro, destaque para o formato do box, com porta, proporcional ao tamanho do barco, com pé-direito de 1,96 m.

a schaefer yachts está perto de completar
30 anos. nesse período, promoveu uma revolução de qualidade na indústria nacional. e A nova 510 gt é um ótimo exemplo da competência do estaleiro catarinense

A suíte vip, com 1,97 m de altura na entrada e cama de 1,90 m x 1,73 m, fica na proa e, à primeira vista, parece muito maior do que realmente é, por conta do espelho instalado na cabeceira da cama (que surpreende com essa sensação de amplitude, uma ótima sacada do estaleiro). O banheiro tem box fechado circular de acrílico.

Já a suíte dos convidados, a boreste, com 1,98 m de altura na entrada, tem duas camas de solteiro (1,82 x 0,61 m) conversíveis em uma cama de casal. O banheiro dessa suíte também tem um box fechado circular de acrílico, formato mais comum nesse porte de embarcação. No hall de entrada da cabine fica o painel elétrico, claro e bem identificado, como deve ser.

Há ainda um pequeno camarote para um único marinheiro, em que a última seção dobrável da cama (que tem 1,83 m de comprimento) sobrepõe o vaso sanitário elétrico. Essa cama é estreita na extremidade, em razão de seu formato irregular. A altura, junto à pia e às duas portas de inspeção para as partes elétrica e hidráulica, que também ficam ali, é de 1,75 m. A entrada está na praça de popa, assim como o acesso à casa de máquinas.

O salão, com cozinha integrada e todo cercado de janelas em arco com até 80 cm de altura, oferece visão privilegiada do mar e muita luz. A cozinha, na verdade, é uma bela bancada, com dois tampos articulados que, quando levantados, revelam um fogão elétrico e uma pia com cuba de inox e torneira de água quente e fria. Já as portas dessa bancada ocultam uma geladeira e um freezer. E ainda há um forno ao lado e três grandes gavetas. A gaveta sob a pia é outra tirada sagaz do estaleiro, coisa que não se vê sequer em qualquer barco, mesmo nos importados.

A bombordo do salão, há um sofá em L e uma mesa de madeira que além de ser dobrável pode ser rebaixada por acionamento elétrico, com a possibilidade de converter o sofá em uma chase, perfeita para assistir a tv, instalada a boreste. Os estofamentos, altos e largos, são uma garantia adicional de conforto.

O sistema de alto-falantes do home theater se concentra em uma barra de som sem fios. Na antepara de bombordo foram instalados os controles do gerador, do ar-condicionado e da iluminação (que é direta, em led), além de tomadas com saídas usb.

No posto de comando interno, a boreste, o banco do piloto é individual, mas muito largo, transmitindo uma sensação de conforto na navegação. O piloto conta com um bom apoio para os pés e com um volante bem posicionado, assim como todos os comandos. O painel tem uma inclinação excelente, que facilita a leitura dos instrumentos e evita reflexo.

A unidade testada por NÁUTICA estava com um eletrônico Axiom 12, da Raymarine, que é muito bom, mas é possível acrescentar uma segunda unidade, também com monitor de 12 polegadas — o barco merece esse upgrade. A tela dos motores, da Volvo Penta, traz todas as informações integradas, o sistema Glass Cockpit. A posição do controle dos flapes, na mão direita, também é muito boa, mas falta um mostrador indicando a posição dos flapes.

com identidade própria, a schaefer 510 gt foi construída e projetada a partir do feedback que o estaleiro recebeu do mercado norte-americano, para onde a lancha é exportada

Entre os itens de conforto, o piloto usufrui de ambiente climatizado, de porta-copos, de uma saída 12 volts, de uma tomada usb para conectar o celular e de um compartimento (porta-trecos) para acomodá-lo. O para-brisa, de folha única, é enorme e confere ainda mais um ar de modernidade à embarcação. Por sua vez, as janelas nos dois bordos do posto de comando sobem e descem por acionamento elétrico ventilando o ambiente e ajudando na comunicação com quem está do lado de fora. Porém, não permite que o piloto faça as manobras de atracação de fora do posto de comando, desde a passagem lateral, pois o joystick está instalado do lado esquerdo do timão.

Já no posto de comando externo, a bombordo do flybridge, o piloto dispõe de uma poltrona bem larga e confortável, ladeada por três porta-copos de acrílico e por um maior, de inox. Ao lado, há um porta-objetos muito parecido com o do comando interno, perfeito para acomodar o celular. O volante é escamoteável, os comandos estão bem à mão do piloto e o painel, com boa inclinação, não reflete a luz do sol. Tudo isso resulta em uma navegação extremamente agradável.

A área do flybridge é surpreendentemente grande para uma 51 pés (na verdade, 51,9 pés). Ao lado do posto de comando, há um solário para duas pessoas que — protegido por um corta-vento — fica em uma posição reclinável, bem confortável. A boreste, desde a meia-nau até a popa, há um sofá em L com 3,50 metros de extensão.

A mesa, de teca, com pega-mão ao lado, é dobrável. Atrás do banco duplo do piloto, há uma área de apoio com espaço para a instalação de uma pia e de uma churrasqueira, além de uma caixa de som e uma geleira com placa refrigerada. Dias de sol pedem gelo? Sem problema: o projetista instalou um icemaker enorme na área traseira do fly. A capota, do tipo bímini, quando montada fica a 2,08 m de altura, oferecendo lugar à sombra para 10 pessoas.

Ainda na área externa, a plataforma de popa tem 1,71 metro de comprimento por 4,10 m de largura (quase a boca máxima do barco) e se divide em duas partes, sendo de 1,45 m a parte submersível, que conta com duas escadas, uma manual, de quatro degraus, e outro do tipo robô, que se monta automaticamente quando a plataforma desce — porém, nesta, falta um corrimão para quem usa a plataforma, quando submersa.

Destaque também para o espaço gourmet, formado por uma pia com água fria, uma churrasqueira elétrica e uma pequena área de apoio para uma tábua de corte de carne. Dois braços com pistões hidráulicos mantém a tampa aberta com firmeza. Ao lado, há dois pequenos nichos drenantes, que podem ser usados como geleiras.

Sob o móvel gourmet, há dois grandes paióis, além de entrada de água e do acesso da tomada de cais. Os bocais para abastecimento de diesel também ficam na popa, embora o posicionamento ideal seria o início do convés lateral, onde já existem as bacias de contenção com seus respectivos ralos. Por sua vez, os cunhos são do tipo retrátil, que evitam que alguém tropece e se machuque. E ainda há um toldo do tipo Stobag, manual ou, opcionalmente, elétrico.

a 510 GT tem espaço interno e pé-direito acima da média, além de acabamento de primeira e móveis diferenciados, marca registrada do estaleiro Schaefer yachts

O acesso ao cockpit é feito exclusivamente por boreste, o que permite a instalação de um grande sofá em L na praça de popa, à frente de uma ótima mesa dobrável que, quando aberta, pode ser usada nas refeições e, se fechada, nos aperitivos. A altura aqui é de 2,08 m e a largura, de 2,80 m. Para aumentar o espaço de circulação, o estaleiro adicionou, a boreste, uma abertura lateral de 80 cm, que agrega espaço à praça de popa e ajuda na circulação naquele local do barco, sendo, ainda, perfeito para curtir o passeio bem pertinho do mar. Com isso, a largura chega a 3,60 m. Já a bombordo há um paiol com chaves de bateria, corta-corrente, corta-combustível, etc.

Ainda na praça de popa, ao lado da porta de três folhas que dá acesso ao salão, há uma tv fixada no teto que ajudou aproveitar ainda mais o espaço, em especial a noite. A escada de acesso ao flybridge fica a bombordo, enquanto a boreste, na coluna da superestrutura, fica escamoteado o terceiro comando do barco, com joystick, exclusivo para as manobras de atracação.

Acima do joystick localiza-se o comando do guincho de âncora, a buzina, o botão de acionamento (ou corte) dos motores e o sistema de extinção automático de incêndio. Aqui vale um parêntese: a instalação de um completo e sofisticado sistema de segurança é decorrente da Certificação para o mercado norte-americano, no qual a Schaefer Yachts atua.

A passagem lateral de acesso à proa, com 25 cm, é larga e bem protegida por pega-mãos e pelo guarda-mancebo. A proa tem um grande solário (2,23 m de largura x 1,92 m de comprimento), reclinável, com encostos de cabeça, ladeado por pega-mãos e porta-copos de acrílico. O para-brisa inteiriço tem dois limpadores (com braços duplos) e esguicho. Na área operacional, os botões de acionamento do guincho da âncora (com trava) ficam juntos, o que é bom, pois facilita a operação.

Os cunhos estão muito bem fixados e dimensionados, mas não são retráteis (o que é comum, aliás) como os da popa. Falta também um aparador para os cabos de amarra, importante para não machucar o gel. Na caixa de âncora (com espaço para guardar todas as defensas de proa) há um ferro reserva e um chuveirinho de água salgada para a limpeza da corrente.

A casa de máquinas, com entrada pela praça de popa, é bem grande para os padrões brasileiros, com ótimo acesso às cabeças dos IPS, o que facilita os cuidados com os motores. A manutenção é fácil em todos os sentidos, incluindo os geradores e o banco de baterias. Chama atenção a qualidade tanto da parte elétrica, com aterramento, como pela hidráulica, fruto dos investimentos do estaleiro para receber certificação para operar no mercado norte-americano.

A lancha testada estava equipada com Volvo Penta IPS 650, na versão D6 5.5 litros, o menos potente da linha (parelha de 480 hp cada). A outra opção é o D8-IPS 700 (dois motores de 550 hp de 7.7 litros). Há ainda uma terceira opção, com dois motores Cummins QSC 8.3 litros, com eixo, de 600 hp cada. Um opcional oferecido pelo estaleiro que vale a pena instalar é o estabilizador Seakeeper, que reduz o desconforto produzido pelo balanço do mar, tornando a experiência de navegar com a Schaefer 510 GT ainda melhor.

Amplas janelas inundam os ambientes com luz natural, levando a vista do mar para dentro do barco

Navegamos na novíssima Schaefer 510 GT nas águas da Baía Norte de Florianópolis, com ancoragem em uma das praias da Ilha do Francês. A lancha estava equipada com o sistema IPS 650, D6 5.5 litros, com dois motores Volvo Penta de cerca de 480 hp cada — entendemos que a opção IPS 650 com a versão de bloco de 7,7 litros, ao invés da usada, de 5,5 litros, deixaria o barco mais “folgado” de torque o que melhoraria o desempenho sem prejudicar a taxa de consumo de combustível — , embora aceite também motorização com eixo fixo pé-de-galinha (dois Cummins QSC 8.3L, de 600 hp cada) ou IPS 700 (dois Volvo Penta D8 7.7 litros, de 550 hp).

Com quase 17 nós, o casco já está em planeio, sem qualquer dificuldade. Hora de colocar um pouco de flape (em torno de 20%), o que melhora o comportamento do barco navegando contra as vagas, uma vez que, quanto mais baixa, melhor o aproveitamento da linha d’água e do perfil do “V” da proa para cortar ondas. A 3300 rpm, ela alcança 21,4 nós. A 3 500 rpm, a velocidade salta para 24,2 nós (seu cruzeiro rápido).

Fazendo curvas, nessa velocidade, a Schaefer 510 GT permaneceu obediente, confortável e segura, com uma adernada bem suave. O raio de giro foi um pouco mais aberto, característica da propulsão IPS. Mas a lancha foi sempre muito ágil, com respostas suaves e muito agradáveis. Obedeceu aos comandos do timão e respondeu fácil às manobras, mesmo aquelas mais bruscas para sentirmos o momento do casco em relação à rolagem lateral.

O consumo, nessa rotação, ficou na casa de 146 litros/hora, que é muito bom para esse porte e todos os equipamentos embarcados, afinal, são três suítes e muito volume. A velocidade máxima, a 3 950 rpm (rotação um pouco superior ao que estabelecido pela Volvo Penta), com a redução dos flapes a 15%, foi de 28,4 nós, com consumo de 191 litros/hora.

Sem o uso de flapes temos os números da tabela de desempenho abaixo. Nessa velocidade, ela continuou mostrando estabilidade nas curvas fechadas, com a perda de apenas 2,5 nós, apesar das marolas cruzadas. Mérito, sem dúvida, de um bom casco e, também do sistema IPS, que a faz navegar como se fosse uma lancha menor, embora tenha quase 52 pés.

Pontos altos

» Três ótimas suítes
» Navegação suave e obediente
» Pés-direitos bem altos

Pontos baixos

» Falta indicador de flapes no painel
» Cama de marinheiro estreita
» Joystick do comando inferior mal posicionado

Características técnicas

Comprimento máximo: 15,82 m
Boca máxima: 4,36 m
Calado: 1,26 m (IPS)
Deslocamento leve: 18 300 kg
Ângulo V na popa: 17º
Tanque de água doce: 470 litros
Tanque de combustível: 1 300 litros
Capacidade (dia): 16 pessoas
Capacidade (noite): 6+1 pessoas

Quanto custa?

A partir de R$ 6,350 milhões, com dois motores Volvo Penta IPS 650, de 509 hp cada. Preço pesquisado em junho/2021. Para saber mais sobre o modelo testado, acesse o site oficial da Schafer Yachts. 

Reportagem: Guilherme Kodja
Edição de texto:
 Gilberto Ungaretti
Edição de vídeo: Luiz Becherini
Fotos: Rogério Pallatta e Victor Oliveira
Realização: Takeboom Produções

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