Torben Grael é campeão brasileiro de Star na Semana de Monotipos de Ilhabela

Por: Redação -
11/07/2018
Foto: Marco Yamin

A 45ª Semana de Vela de Monotipos de Ilhabela teve domínio dos irmãos Torben e Lars Grael no Campeonato Brasileiro de Star e predominância dos atletas locais no pódio da maioria das classes. A competição reuniu mais de 200 barcos, 300 atletas e terminou nesta segunda-feira (9), na Capital Nacional da Vela.

Torben Grael conquistou o titulo brasileiro de Star. Velejando com o proeiro com Arthur Lopes, o bicampeão olímpico venceu as duas últimas das seis regatas disputadas em Ilhabela para conquistar o título com nove pontos perdidos. Seu irmão, Lars, terminou com o vice-campeonato. Ao lado de Samuel Gonçalves, o Samuca, também cruzou em primeiro em duas corridas, mas com 12 pontos perdidos. Marcelo Bellotti e Pedro Bolder ficaram com o terceiro lugar, com o mesmo número de pontos perdidos.

“O campeonato foi corrido, apenas três dias, mas muito bacana. Tivemos vento bom no primeiro e último dias. Apenas no domingo foi fraco, mas ainda sim conseguimos fazer uma regata. No total foram seis, o que é um bom número. A raia estava boa, bem difícil. Fico feliz com o resultado, principalmente porque estou há um tempo sem treinar especificamente para a classe”, afirmou o campeão Torben Grael.

Com o resultado, Torben ampliou a vantagem sobre o irmão em nacionais. Agora, soma nove títulos brasileiros na Star, sendo oito como timoneiro e um como proeiro, em 1981, ao lado do tio Erik Schmidt. Lars tem sete conquistas, todas como timoneiro, incluindo a vitória no ano passado. “Velejamos juntos, de Snipe e vela oceânica, e algumas vezes um contra o outro. O Lars tem conseguido uma série de bons resultados e é impressionante como ele se adaptou à classe. Desta vez consegui vencer, mas em geral ele tem levado a melhor na Star”, contou.

O bicampeão olímpico elogiou o desempenho dos velejadores de Ilhabela, que levantaram oito títulos na 45ª Semana de Vela de Monotipos, mais 12 troféus entre segundo e terceiro lugares, conseguindo o melhor desempenho geral entre as equipes na competição. “O campeonato foi ótimo. Além disso, a quantidade de pódios que a Escola de Ilhabela conseguiu é expressivo”, atestou Torben Grael. A Escola tem 200 alunos, que treinam diariamente na ilha do Litoral Norte.

Entre os velejadores da Flotilha Borrachudo que conquistaram títulos na Semana de Vela de Monotipos, Hiago Amorim ficou em segundo na Optimist estreantes. “Quero agradecer aos meus professores, que me ajudaram muito a chegar até aqui, e a meu pai, que me incentivou a entrar na escolinha de vela”, declarou o garoto, que compete há um ano e que em maio ganhou a 3ª Etapa do Ranking Paulista da classe.

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Filha do medalhista olímpico Bruno Prada, Giovanna mora em Ilhabela há sete meses e conquistou mais uma vitória para a escola de vela local. Ela manteve a regularidade e com quatro segundo lugares em todas as regatas disputadas, conquistou o título na RS-X (prancha a vela). “O campeonato foi equilibrado e em condições muito variáveis, de zero a 15 nós. Foi bem disputado e conhecer a raia ajudou bastante”, afirmou a atleta, que agora vai se preparar para o Mundial da Letônia e Olimpíada da Juventude da Argentina, em outubro.

O melhor resultado da nova geração na Optimist foi de Henrique Lowy, do Yacht Clube Santo Amaro, que conquistou o título da categoria geral. “Ganhei três das quatro regatas e não esperava ir tão bem. Foi minha primeira conquista e estou feliz”, garantiu o garoto, que competiu em uma flotilha de 60 barcos.

Além do Nacional de Star, a programação paralela da 45ª Semana de Vela de Monotipos contou com o Campeonato Sudeste Brasileiro das Classes Hobie Cat e Snipe e os velejadores da Escola de Vela de Ilhabela também andaram na frente. Na Hobie Cat 16, vitória de pai e filha, com Beto e Marina de Jesus, que também levantaram o título na máster. Na Snipe, os campeões foram Junior de Jesus e Anderson Brandão. Jonas Chorociejus e Gisele Chorociejus ganharam na Snipe sênior, Isabela Malpighi e Renata Bellotti na Feminino e o casal Juliana Duque/Rafael Martins levou o título na categoria mista.

A 45ª Semana de Monotipos abriu o mês da vela em Ilhabela, que culmina com a Semana Internacional de Vela Oceânica, com início dia 20. Desde o dia 6 até o dia 29, o Centro Histórico da cidade recebe o Race Village, espaço repleto de atrações como shows musicais, cinema, apresentações de dança, exposições e palestras, entre outras atividades.

Nesta terça-feira (10), a partir das 15h, a Arena Copa instalada no Centro histórico exibe a semifinal entre Inglaterra e Croácia. Na quinta-feira (12) e sexta-feira (13), a atração é a Mostra de Dança da Fundaci, sempre às 20h. No sábado (14), a Arena Copa transmite a disputa pelo terceiro lugar na Rússia e, na sequência, às 20h, começa o Desfile dos barcos do Ilhabela Boutique Boat Show, seguido do show da Orquestra Rock, a partir das 20h30. Para o domingo (15), a final da Copa do Mundo tem início às 12h e às 20h tem show da Banda Captadores.

A partir de quinta-feira (12), Ilhabela receberá mais uma edição do Boutique Boat Show, que promete agitar as águas do Saco da Capela — o mais tradicional reduto de barcos da ilha. O evento segue até domingo (15) e reunirá grandes lançamentos e destaques do mercado náutico na Capital Nacional da Vela. A entrada é gratuita e, além da oportunidade de conhecer grandes embarcações do mercado brasileiro, outras atrações estarão à disposição do público, como um telão flutuante de 18m² que exibirá a final da Copa do Mundo.

Resultados da 45ª Semana de Vela de Monotipos de Ilhabela

Campeonato Brasileiro de Star:
1) Torben Grael/Arthur Lopes
2) Lars Grael/Samuel Gonçalves
3) Marcelo Bellotti/Pedro Bolder

Campeonato Sudeste Brasileiro de Hobie Cat:
HC-16 – 1) Beto de Jesus/Marina de Jesus
HC-16 Máster – 1) Beto de Jesus/Marina de Jesus
HC-16 Estreante – 1) Igor Guimarães/Daniele Capiotti

Campeonato Sudeste Brasileiro de Snipe:
Geral – 1) Junior de Jesus/Anderson Brandão
Feminino – 1) Isabela Malpighi/Renata Bellotti
Misto – 1) Juliana Duque/Rafael Martins
Máster – 1) Jonas Chorociejus/Gisele Chorociejus

Laser Standard – 1) Felipe Etchenique
Laser Radial – 1) Nicolas Y Bernal
Laser 4.7 – 1) Renato Krunfli

Dingue – 1) Bruno Santos/Gustavo Santana

Nacra 16 – 1) André Arnus/Maurício Grego

RS-X – 1) Giovanna Prada

Prancha a Vela – 
1) Udu Schenker

Kite Foil – 1) José Marino

Open Bic – 
1) Pedro Fajreldines

420 – 1) Leonardo Didier/Tiago Rodrigues

29er – 
1) Ignacio Alzeta/Rafael de Moricz

Optmist:
Geral – 1) Henrique Lowy
Juvenil feminino – 1) Julia Carreirão
Juvenil masculino – 1) Mario Otávio Carvalho
Infantil feminino –1) Joana Gonçalves
Infantil masculino – 1) Henrique Lowy
Mirim feminino – 1) Melissa Paradeda
Mirim masculino – 1) Enrico Berna
Estreantes – 1) Hiago Amorim

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    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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