Triton 44 Flyer e mais: estaleiro aposta em lanchas com beach-club para o São Paulo Boat Show

24/08/2026

Que a linha Flyer e seus beach clubs caíram no gosto do público não é novidade. Sabendo disso, a paranaense Triton Yachts levará todos os quatro modelos da marca que possuem este recurso ao São Paulo Boat Show 2026, que acontece de 24 a 29 de setembro, no São Paulo Expo.

O maior evento náutico da América Latina contará com cinco barcos no estande do estaleiro. São eles: Triton 300 Sport T-Top, testado pela NÁUTICA; e os modelos Triton Flyer 32, Triton Flyer 34 HT, Triton Flyer 38 HT e Triton Flyer 44 (também testado), todos da linha Flyer e com beach club.

Triton Flyer 32 é um dos barcos da Triton no São Paulo Boat Show 2026. Foto: Triton Yachts / Divulgação

Segundo a marca, as lanchas com este recurso já representam a maioria das vendas do estaleiro. Projetada para aumentar a conexão do navegante com a água, a plataforma lateral automática, presente na maioria dos barcos da linha, mede 2 m de comprimento por 1 m.

 

O coração do projeto está na engenharia: ao acionar o sistema elétrico-hidráulico, as laterais da praça de popa se desdobram e aumentam a largura útil do barco e o espaço para circulação. Assim, é criado um ambiente que inclui solário, mesa, espreguiçadeiras e apoio para esportes aquáticos.

Conheça os barcos da Triton no São Paulo Boat Show

Triton Flyer 44

Já testada pela NÁUTICA, a Triton Flyer 44 reúne características normalmente encontradas em embarcações maiores. Um dos destaques é a área de popa, que conta com um amplo solário ampliado pelas duas plataformas laterais (beach club). Com elas abertas, a boca do barco passa de 4 para 7 metros, enquanto o comprimento total é de 13,80 metros.

 

 

Com proposta walk around, o modelo permite circular pelos dois bordos para acessar tanto a popa quanto a proa. Na parte da frente, um espaçoso solário com sofá e mesa oferece mais uma alternativa de uso do espaço, além dos banhos de sol, perfeitos para relaxamento.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Ao anoitecer, até cinco dos 18 passageiros que a embarcação acomoda podem pernoitar em três cabines — o barco ainda possui dois banheiros. Os ambientes têm dois metros de pé-direito e contam com dois banheiros de 1,95 metro de altura, ambos equipados com box.

Triton Flyer 44. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Maior lancha da Triton no São Paulo Boat Show, o modelo aceita motorização de centro ou de popa. Na configuração de centro, pode receber dois motores a gasolina de 380 hp ou dois a diesel de 400 ou 440 hp. Já na versão de popa, a embarcação pode ser equipada com uma trinca de 300 a 400 hp.

Triton Flyer 38 HT

Outro modelo que integra o portfólio da marca e já navega tanto em águas brasileiras quanto no exterior é a Triton Flyer 38 HT. Com 11,60 metros de comprimento e 3,30 metros de largura, a embarcação traz uma cabine fechada equipada com cama de casal e banheiro completo.

Triton Flyer 38. Foto: Triton Yachts / Divulgação

A área externa foi concebida para aproveitar melhor os momentos a bordo. O convés reúne hard-top, espaço gourmet e ambientes integrados, além de plataformas laterais rebatíveis que aumentam a área disponível junto à água e facilitam o acesso ao mar.

Homologada para transportar até 14 pessoas durante o dia e cinco no pernoite, a lancha pode receber dois motores a gasolina entre 300 e 380 hp ou uma dupla a diesel de 270 a 320 hp.

Triton Flyer 34 HT

Tida como uma versão menor da 38 pés, a Flyer 34 HT tem como ponto alto o deck lateral (a boreste) que, quando aberto, aumenta consideravelmente a área “útil” e social do barco, formando com a plataforma de popa o chamado beach club.

Triton Flyer 34. Foto: Triton Yachts / Divulgação

Para ampliar ainda mais a já generosa área de popa da Triton 34 Flyer, o móvel gourmet foi descolado para bombordo, abrindo espaço para um sofá voltado para a popa (conversível em solário). Assim, permite interação dos ocupantes do cockpit com quem está na água.

 

A lancha acomoda até 14 pessoas — com direito a quatro para pernoite. Na motorização, comporta até uma dupla de 220 hp ou de 300 hp (gasolina) ou dois motores de 250 a 350 hp (diesel).

Triton Flyer 32

Lançada na edição passada do São Paulo Boat Show, a Flyer 32 possui uma abertura lateral a boreste que mede 2 m de comprimento por 1 m e, somada à plataforma de popa desimpedida — por conta da motorização de centro-rabeta — , essa configuração resulta em recursos para um day use confortável, com espaços generosos para convivência.

Triton Flyer 32. Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Na cabine, o modelo oferece bom aproveitamento interno, com pé-direito de cerca de 1,90 metro, banheiro com box separado e acomodações para até quatro pessoas, incluindo cama de casal à meia-nau. Como um todo, a lotação diurna chega a 12 pessoas, com pernoite para quatro.

 

A lancha pode ser equipada nas seguintes configurações:

  • 1x 350 HP a 1x 380 HP (Gasolina);
  • 2x 250 HP a 2x 350 HP (Gasolina);
  • 2x 220 HP a 2x 300 HP (Diesel);
  • 2x 250 HP a 2x 350 HP (Popa).

Triton 300 Sport

Testado pela NÁUTICA, a Triton 300 Sport possui um desempenho esportivo, graças ao potente motor de centro-rabeta de 300 hp, seu principal destaque. Ela atende quem se amarra em lanchas de pegada esportiva, mas sem abrir mão de confortos dignos de um barco de cruzeiro.

 

 

O cockpit tem capacidade para levar até 10 pessoas — a lancha comporta 12 ao todo — e uma cabine com pernoite para quatro. Ele ainda possui um casco com proa lançada, perfil de borda livre baixa, V acentuado de 18 graus na popa e desempenho compatível à de uma lancha quase esportiva.

Desconto para leitores NÁUTICA

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São Paulo Boat Show 2026

O maior salão náutico da América Latina leva seus visitantes para uma verdadeira imersão no universo das águas. Mais de 170 embarcações, dos botes às lanchas, passando por jets e pontoons, tomam conta do pavilhão do São Paulo Expo e podem ser vistas de perto.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

O público ainda encontra uma ampla variedade de equipamentos, motores, acessórios e serviços náuticos das principais marcas do mercado. Veículos off-road, projetos inovadores e atrações para toda família, como o NÁUTICA Talks, complementam o evento, que traz ainda o Espaço dos Desejos, área de luxo que expõe carros esportivos, helicópteros, relógios de alto padrão e até obras de arte.

 

Anote aí!

SÃO PAULO BOAT SHOW 2026

Quando: de 24 a 29 de setembro de 2026
Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – Vila Água Funda, São Paulo – SP)
Horário: das 13h às 22h; no primeiro dia, abertura às 15h; no último dia, encerramento às 21h
Mais informações: no site do evento
Ingressos: site oficial de vendas

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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