Peculiaridades do vinho do Porto: confira detalhes sobre sua história e harmonização


Muito apreciado ao redor do mundo, o vinho do Porto conquistou um lugar especial no coração e na mesa dos brasileiros. Mas, apesar de muito conhecido, será que todo mundo sabe a diferença entre seus estilos? Qual a melhor forma de consumi-lo? A Evino separou alguns detalhes importantes para quem quer entender mais sobre o vinho.
De forma muito resumida, pode-se dizer que o vinho do Porto é um vinho fortificado, ou seja, que teve a adição de aguardente vínica na sua composição. Também é chamado de vinho licoroso, por conta do alto teor de açúcar residual. As uvas utilizadas na produção do vinho do Porto são plantadas no Vale do Douro, no norte de Portugal.
Inscreva-se no canal de NÁUTICA no YouTube e ATIVE as notificações
Uma vez que o vinho em fermentação tenha atingido um teor alcoólico entre 5% e 9%, restando ainda um alto nível de açúcar residual da própria uva, o produtor interrompe o processo com a adição de cerca de 20% da quantidade de vinho de aguardente vínica. A fortificação, então, mata as leveduras que fazem a fermentação, criando um vinho doce e de elevado teor alcoólico, entre 19% e 22%. O próximo passo é deixar o vinho envelhecer em barris de carvalho ou em tanques de inox.

Os vinhos do Porto podem ser produzidos como tinto, branco ou até mesmo rosé. Os tintos são os mais conhecidos no mercado; feitos com uvas tintas, são sempre doces, intensos e vibrantes, que enchem o paladar. Os brancos, por sua vez, são feitos com uvas exclusivamente brancas; devem passar por um período, mesmo que curto, em madeira e podem ser feitos como seco, meio seco ou doce. O rosé é uma categoria marcada por mais frescura e sabores frutados que os outros estilos.
A produção de brancos e rosés é muito pequena, sendo que a grande maioria da produção de vinho do Porto é de vinhos tintos. Esses são divididos em duas famílias: Porto Ruby e Porto Tawny.
O vinho do Porto Ruby é um vinho com intensa coloração rubi – e por isso esse nome. Esse é um estilo de vinho mais jovem, que tem em média 3 anos de idade – decorrente da mistura de diferentes safras, portanto, sem ano no rótulo. É intenso e conserva sua estrutura tânica, perceptível em boca. É subdividido em Porto Ruby Reserva (blend entre os melhores vinhos do Porto Ruby), Late Bottled Vintage (vinhos de um só ano, uma safra, que foram envelhecidos entre 4 e 6 anos), Porto Vintage (produzido apenas em safras excepcionais, 3 a cada 10 anos, e consumível ainda jovem) e Porto Crusted (blend entre diferentes Vintages envelhecidos em grandes barris de carvalho por um período de 3 a 4 anos. Não são filtrados e só saem para venda 3 anos depois de serem engarrafados).
Já o vinho do Porto Tawny, tinto, tem em média 3 anos e também é uma mistura de safras. A diferença reside no fato de que o Tawny passa por um período curto de envelhecimento em madeira, com oxidação controlada, tornando sua cor castanha. Os aromas são de frutas secas, figo, nozes, café e cedro. É subdivido entre Porto Towny Reserva, feito com os melhores vinhos de cada ano e com período mínimo de envelhecimento exigido por lei de 6 anos em barris de carvalho, e Porto Towny com indicação de idade. Esses podem ser rotulados como 10, 20, 30 ou 40 anos, de acordo com o período de envelhecimento oxidativo. Para finalizar, o último é o vinho do Porto Colheita, um Tawny feito de uma única safra.

Leia também
» Capitania dos Portos do Paraná previne a poluição no ambiente marinho no litoral do Paraná
» Sul-africano está próximo de bater recorde mundial de travessia a remo em Cabo Frio
» Voluntários se unirão na limpeza da Praia da Atalaia nesta sexta-feira
Este é um estilo de vinho muito mais alcoólico do que os vinhos comuns, portanto deve ser servido em quantidades menores. O ideal para o vinho do Porto é algo entre 50ml a 70ml, até mesmo porque a taça recomendada para o serviço é bem menor.
No que diz respeito ao momento ideal de consumo, existem algumas possibilidades: o vinho do Porto pode ser tomado antes das refeições, como um aperitivo; pode acompanhar um prato, apesar de não ser muito usual; pode ser servido para acompanhar queijos e sobremesas; pode ser o acompanhamento de charutos; e, por fim, pode ser apreciado sozinho.

A temperatura ideal para servir o vinho do Porto vai depender do estilo. O Branco e o Rosé, por serem mais leves e frescos, devem ser servidos entre 8 e 10ºC. No caso tanto do Ruby, como do Tawny, recomenda-se servi-los entre 13 e 15ºC. Já os estilos com maior tempo de barrica ou envelhecimento, como o LBV, Vintage, Tawny com indicação de idade, Colheita e Crusted, devem ser servidos entre 16 e 18ºC, porque são mais complexos e precisam de uma temperatura mais elevada para mostrar todas as suas nuances aromáticas.
O Porto Branco seco é ideal para acompanhar peixes defumados, frutos do mar e até mesmo sushis e sashimis. Por sua estrutura, também pode funcionar com queijos como o Gruyère, azeitonas e embutidos. No caso do Porto Branco doce, pode apostar em sobremesas mais leves, como pêssegos em calda com creme, bolo de frutas e sobremesas à base de chocolate branco. O Porto Rosé é indicado para ser consumido com frutas frescas e pode ser uma ótima opção para fazer drinks.
Passando para os tintos, existem duas harmonizações clássicas: com queijos azuis, como Gorgonzola e Roquefort e com chocolates. Em geral, as harmonizações de vinho e chocolate costumam não ficar muito boas, pois o chocolate é um alimento com alto teor de açúcar e gordura; portanto, para que a junção dê certo, é necessário que o vinho seja igualmente ou mais doce que o chocolate. Os vários estilos de Porto tinto cumprem bem esse papel.
Do lado dos Tawny, você vai se apaixonar ao harmonizá-los com torta de noz-pecã, biscotti de amêndoa ou com um cheesecake coberto de caramelo. Para as versões mais envelhecidas, experimente torta de maçã com canela, torta de creme de coco e o elegante crème brûlée.

Por ter um nível de álcool elevado, o vinho do Porto aguenta um tempo maior depois de aberto. Os brancos e rosés são menos resistentes, devendo ser mantidos entre 2 ou 3 dias na geladeira depois de abertos. O Ruby, Ruby Reserva e o LBV podem ser mantidos por até uma semana depois de abertos; o Vintage não deve passar de 2 dias. O Tawny e o Tawny Reserva podem ser mantidos tranquilamente por até 3 semanas e os Tawnys com indicação de idade podem ser mantidos por até 4 meses.
Gostou desse artigo? Clique aqui para receber o nosso serviço de envio de notícias por WhatsApp e leia mais conteúdos.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Maior evento náutico da Bahia movimenta a Baía de Todos-os-Santos dos dias 5 a 8 de novembro; Saiba o que esperar do salão
Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
[caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"]

Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
Projeto lançado em Cannes promete casco esportivo, 1.500 hp de potência e fabricação limitada a 26 unidades
Colaboração estratégica reúne engenharia, design, condições comerciais exclusivas e experiências para clientes das duas marcas, e inclui uma edição especial da NX 44 Fly nas cores do Suassuna Design by Pininfarina




