Yamaha apresenta motor de popa elétrico inovador para mercado norte-americano


A Unidade de Negócios estadunidense da Yamaha Marine apresentou, oficialmente, o sistema de popa elétrico Harmo ao público na última semana. O motor de popa com a direção inovadora estarão disponíveis no mercado em 18 meses.
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A empresa diz que seu sistema de propulsão elétrica de popa, apresentado como um conceito no METSTRADE Show 2016 — exposição de equipamentos, materiais e sistemas marítimos — concluiu, recentemente, os testes no Japão. O motor terá sua primeira exibição pública no Salão Náutico Internacional de Gênova.
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“Harmo é o sistema perfeito para hidrovias com restrição de potência ou combustão interna”, disse Ben Speciale, presidente da unidade de negócios da Yamaha Marine nos Estados Unidos. “Em última análise, cabe aos nossos clientes construtores de barcos decidir como integrá-lo em suas embarcações, e estamos ansiosos para ver o resultado”.

Utilizando um motor elétrico de acionamento de aro que gira um grande impulsor de quatro pás, o Harmo é montado na parte externa das peças da caverna da popa do barco, em um alojamento de perfil baixo, que se assemelha mais a uma unidade de tração de popa do que a um motor de popa tradicional.
A direção elétrica digital integrada (DES) e o joystick Helm Master EX da Yamaha fornecem um ângulo de direção total de 140 graus para o que a empresa descreve como manuseio e controle excepcionais.
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O sistema pode girar um barco de um único motor dentro de seu próprio comprimento, e permite uma verdadeira operação lateral em configuração de dois motores. Um ângulo de inclinação de 74 graus ajuda a manter o impulsor longe da água quando não estiver em uso.
Alimentado por um motor de 3,7 kW de baixo arrasto e alto rendimento, aliado a uma bateria de 48V, o Harmo gera uma potência quase equivalente à de um motor de popa a gasolina, de 9,9 hp.

O tempo de execução é determinado pelo número, tamanho e tipo da bateria: disponível em configurações de motor único ou duplo, a unidade de motor Harmo pesa 55 kg, e o sistema pode manobrar com eficácia barcos de até 32 pés (10 metros) na maioria das condições.
Embora usado extensivamente em propulsores, a Yamaha diz que o Harmo é o primeiro motor de popa a adotar a tecnologia de acionamento do aro. Inicialmente, pelo menos, os motores serão vendidos apenas para construtores de barcos como equipamento OEM, ao invés de revendedores ou estaleiros de reequipamento.
Por Naíza Ximenes, sob supervisão a jornalista Maristella Pereira.
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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