32º Circuito Oceânico começa com ótimas condições em Jurerê
Começou nesta quarta-feira (27) o 32º Circuito da Ilha de Santa Catarina e as expectativas foram superadas com a mudança de tempo em Florianópolis. Após muitos dias de chuva e tempo fechado, o sol deu as caras na capital catarinense e o vento nordeste soprou com força, variando entre 8-15 nós, para a alegria dos velejadores. Com a condição clássica e um dia típico de verão em Jurerê, as regatas de percurso longo tiveram altíssimo nível técnico e ótimas disputas na abertura da maior competição de vela oceânica de Santa Catarina.
Inscreva-se no canal de NÁUTICA no YouTube e ATIVE as notificações
Em um dia dedicado as regatas de percurso longo, os ventos permitiram uma regata bastante técnica. “Hoje tivemos uma regata bastante competitiva. Uma regata com ventos de até quinze nós e que oscilaram bastante, o que exigiu muita estratégia das tripulações”, afirma o Comandante Filipe Koefender, da embarcação Terra Firme, vencedora na RGS Cruzeiro Geral. “O trabalho feito pela organização está incrível e poder compartilhar a raia com os melhores barcos do Brasil é muito legal”, completou. A embarcação do Veleiros da Ilha foi a vencedora nesta primeira etapa de percurso longo terminando à frente do Quival e Mako IV.
Como bem reforçou Filipe, o 32º Circuito Oceânico da Ilha de Santa Catarina reúne alguns dos melhores velejadores de oceano do país, caso da classe C30 que teve início com uma disputa bastante acirrada. Atual campeão do Circuito, o Caballo Loco, de São Paulo, venceu a regata longa com vantagem sobre os catarinenses Katana/Portobello (2º), Zeus Team (3º) e Corta Vento (4º).
A Classe C30 conta com tripulantes com experiência internacional e passagem por Jogos Olímpicos e Volvo Ocean Race, caso dos atletas Bruno Fontes e André “Bochecha” Fonseca, ambos do Veleiros da Ilha. Bastante entrosada, a tripulação do Caballo Loco também conta com velejadores com experientes, caso de Juninho de Jesus. “Foi um dia muito bom para nós. Largamos muito bem, com vento limpo e tivemos ótimas escolhas. No começo da regata conseguimos nos posicionar bem e depois fizemos ótimas escolhas para vencer a regata”, comemorou.
Leia mais:
>> Novo túnel subaquático que liga Ilhas Faroé conta com estrutura colorida atrativa. Veja
>> Estúdio italiano apresenta novo conceito de catamarã anfíbio movido a energia solar
>> Novas marinas e incentivo ao turismo náutico: conversamos com Fausto Franco, secretário de Turismo da Bahia
Outra classe que conta com fortes equipes é a IRC e nesta quarta-feira o destaque foi para o Xamã. A tripulação paulista venceu a disputa apertada com o Crioula, de Porto Alegre, e com os barcos da Marinha do Brasil, Villegagnon e Cherne. Na classe ORC, a vitória na regata longa foi para o Catuana Kim, do Iate Clube de Santa Catarina, em disputa com Dourado e Santa Fé.
Com raia cheia em Jurerê, muitas foram as disputas por vitória nesta quarta-feira. Na RGS Geral, o veleiro Bruxo foi o vencedor do dia, terminando à frente do Dona Bola, do Rio de Janeiro, Split e Euphoria. A tripulação catarinense fez ótima regata e acabou a regata de percurso na primeira posição. Na Bico de Proa quem comemorou foi o Harmonya, enquanto na classe Star, convidada para o Circuito, a vitória ficou com o Supimpa.
Nessa quinta-feira, 28 de janeiro, estão previstas duas regatas de barla-sota para todas as classes, exceto RGS Cruzeiro, Bico de Proa e Star, que farão uma regata de percurso médio. As largadas acontecem às 12h.
Vencedores das regatas longas em cada classe:
IRC: Xamã (SP)
ORC: Catuana Kim (SC)
C30: Caballo Loco (SP)
RGS: Bruxo (SC)
RGS Cruzeiro: Terra Firme (SC)
Bico de Proa: Harmonya (SC)
Star: Supimpa (RJ)
Gostou desse artigo? Clique aqui para assinar o nosso serviço de envio de notícias por WhatsApp e receba mais conteúdos.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Com planejamento e cooperação regional, rios do Mato Grosso do Sul abrem caminho para novos destinos náuticos e oportunidades de desenvolvimento sustentável
Maior evento náutico da Bahia movimenta a Baía de Todos-os-Santos dos dias 5 a 8 de novembro; Saiba o que esperar do salão
Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
[caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"]

Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
Projeto lançado em Cannes promete casco esportivo, 1.500 hp de potência e fabricação limitada a 26 unidades




