Após 2 anos, país europeu retoma caça de baleias e pode abater mais de 300 animais em 2026
Baleia-fin, segundo maior animal do mundo, é uma das espécies na mira da Islândia


Dois navios da empresa Hvalur hf já abateram as primeiras baleias da temporada na Islândia, que retomou a caça desses animais após dois anos de pausa. Somente em 2026, o país poderá abater mais de 300 baleias. Desse montante, 150 poderão ser baleias-fin (Balaenoptera physalus), o segundo maior animal do planeta — atrás apenas da baleia-azul (Balaenoptera musculus).
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A decisão surpreendeu entidades ligadas à proteção animal, que mantinham a expectativa de que a atividade estivesse próxima do fim, dada a suspensão temporária da caça em 2023, que levantou preocupações relacionadas ao bem-estar animal.


À época, um relatório da Whale and Dolphin Conservation (WDC) — instituição dedicada exclusivamente à proteção e conservação de baleias, golfinhos e botos — revelou que os métodos utilizados para abater os cetáceos quebravam os padrões de proteção animal do país, uma vez que as baleias passavam por um sofrimento prolongado antes da morte, levando até 20 minutos para morrer após serem atingidas.
Na contramão do mundo
Mesmo com a suspensão de 2023 e uma ainda mais simbólica, em 1986 — esta estabelecida pela Comissão Baleeira Internacional (CBI) —, Islândia, Noruega e Japão continuam realizando a caça comercial de baleias.
Na Islândia, atual centro do debate, as recomendações para a temporada de 2026 permitem a captura de até 150 baleias-fin, espécie que pode ultrapassar 20 metros de comprimento; e 168 baleias-minke (Balaenoptera acutorostrata), que chegam aos 10 metros.
A continuidade da atividade, porém, segue acumulando questionamentos, mesmo “dentro de casa”, conforme revelou a Iceland Review. De acordo com o portal islandês, a ministra da Indústria da Islândia, Hanna Katrín Friðriksson, anunciou a intenção de apresentar uma proposta para proibir a caça às baleias no país.
O valor econômico da caça às baleias também entrou em xeque. Conforme detalhou a OceanCare, atualmente, o Japão é o principal mercado para os produtos de baleia-fin produzidos pela Islândia, embora o país também realize o próprio abatimento da espécie — inclusive com estoques significativos da carne de baleia. Segundo Mark Simmonds, diretor de Ciência da OceanCare, há outro agravante: mais de 50% da população islandesa é contra a atividade.
A caça comercial de baleias é uma prática ultrapassada e injustificável. Matar baleias para fins comerciais no século 21 não é necessário nem aceitável– pontuou
A caça de baleias no Brasil
A prática de caçar baleias no Brasil começou por volta do século 17. Naquela época, o óleo extraído da gordura dos cetáceos era um bem bastante valioso, utilizado na iluminação pública e doméstica (lamparinas), fabricação de sabão e até lubrificação de engrenagens.
A atividade se concentrou principalmente no litoral do Sudeste e Sul, com destaque para os estados da Bahia (nas cidades de Salvador, Itaparica e Recôncavo), Rio de Janeiro (Armação dos Búzios e Arraial do Cabo), Santa Catarina (Laguna, Imbituba e Garopaba) e São Paulo (Ubatuba e São Sebastião).


Nessas regiões se instalavam as famosas armações baleeiras, estruturas costeiras onde as baleias eram processadas após a caça. Na prática, homens ficavam à espreita em pontos altos, observando o mar. Ao visualizarem uma baleia, o restante do grupo era avisado e pequenos botes a remo partiam em busca do animal — geralmente baleias francas ou jubartes (Megaptera novaeangliae).
A baleia era atingida com os arpões de mão, presos a cordas grossas, e acabavam morrendo por sangramento ou exaustão, uma vez que arrastavam os botes por quilômetros lutando pela vida. Em seguida, os cetáceos eram levados para dentro das armações.
A caça entrou em declínio no final do século 19, quando houve uma diminuição drástica das baleias no litoral brasileiro. Outros fatores, como o surgimento do querosene e da eletricidade, também contribuíram.
No Brasil, a prática foi oficialmente proibida em 1986, quando o país aderiu à moratória internacional da Comissão Baleeira Internacional (IWC). Hoje, a baleia é um dos principais ativos do turismo de observação. Em 2022, um monitoramento aéreo feito pelo Instituto Baleia Jubarte confirmou a recuperação da população brasileira de jubartes, estimada em 25 mil animais.
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