Remada viking vira fenômeno da Copa e destaca herança marítima da Noruega
Celebração que remete às navegações nórdicas do século 9 tomou conta das arquibancadas, ruas e até estações dos EUA


A Copa do Mundo costuma contar lindas histórias dentro e fora do campo. Além das zebras e jogos disputadíssimos, as arquibancadas e as ruas dos Estados Unidos têm sido palco para uma festa histórica da torcida da Noruega, que transformou a tradicional “remada viking” em um dos maiores fenômenos culturais desta edição.
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Por mais encantadora que seja, a coreografia é simples: sentados lado a lado, os torcedores jogam os braços e cotovelos para trás como se estivessem remando e gritam “Hu!” a cada repetição — tudo em sincronia. Na segunda-feira (22), após a vitória da Noruega contra Senegal por 3 a 2, a manifestação de apoio ocorreu junto aos jogadores, e o resultado foi essa festa abaixo que encantou o mundo.
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Porém, com o passar do tempo, o gesto se tornou tão popular que extrapolou as quatro linhas e começou a ser replicado por toda parte dos EUA, como em um terminal ferroviário de Boston, com dezenas de noruegueses sentados na sequência de uma escada rolante em movimento — dando a impressão de que um barco viking navegava pela estação.
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Nem mesmo a política norueguesa escapou da coreografia, com o presidente do Parlamento da Noruega, Masud Gharahkhani, interrompendo momentaneamente os trabalhos legislativos para prestar apoio à seleção nacional. A cena dos deputados praticando a remada viking rodou o mundo.
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A empolgação dos torcedores não vem à toa. Isso porque a Copa do Mundo de 2026 marca o retorno da Noruega ao grande torneio de seleções após 28 anos de ausência. Com duas vitórias em dois jogos (contra Iraque e Senegal), os “vikings” já garantiram vaga para o mata-mata da competição e prometem fazer ainda mais barulho pelo mundo.




Afinal, qual é a origem da remada viking?
Como o próprio nome sugere, a comemoração é inspirada nos antigos navegadores nórdicos, que utilizavam a embarcação no modelo dracar (ou drakkar), o mais famoso navio de guerra construído pelos vikings, ainda no século 9. A ideia é que ela fosse excelente para enfrentar mares tempestuosos do Norte e explorar novas terras.


Esse tipo de barco a vela e remo predominou as águas do norte da Europa por mais de 1.500 anos, segundo a Enciclopédia Brittanica. Seu comprimento variava de 14 a 23 metros (45 a 75 pés), a largura dificilmente passava dos três metros e era construído com tábuas sobrepostas, além de ser equipado com uma única vela quadrada.
Além de seu design (que costumava carregar uma carranca em forma de cabeça de serpente), o que chama atenção são os remos — na verdade, a quantidade deles. Os modelos chegavam a ter entre 32 a 36 pares de remo de impulso, isso sem contar o remo-leme lateral da popa. São exatamente esses itens que os torcedores da Noruega têm simulado empurrar durante a Copa do Mundo.


Para navegar, os tripulantes ocupavam todos uma posição junto aos remos (exceto o piloto), ficavam sentados sobre um arranjo feito com as próprias bagagens (como suas armas e vestes de guerras) e puxavam os lemes de forma coordenada. O piloto, por sua vez, ficava na popa, cuja atribuição era direcionar o leme.
À época, essa embarcação tinha capacidade para navegar em águas profundas e rasas (graças ao pouco calado), e podia transportar guerreiros, passageiros e mercadorias, com limite de até 40 tripulantes. No quesito velocidade, podia chegar a até 12 nós (22 km/h).
Embora esse modelo de barco não tenha sido exclusivo dos vikings noruegueses — era utilizado também nos países escandinavos Suécia e Dinamarca), o dracar tornou-se um dos principais símbolos da Noruega por sua forte ligação com a herança viking escandinava.
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Até hoje, o país abriga alguns dos mais importantes achados arqueológicos desse tipo de navio e mantém viva a tradição marítima associada aos navegadores da Era Viking.
Quem eram os vikings?
Os vikings eram povos marítimos originários da Escandinávia — onde ficam hoje a Noruega, Dinamarca e Suécia — que estiveram ativos do século 8 até o início do século 11.


Embora sejam frequentemente associados a saques e guerras, eles também se envolviam na pesca, agricultura, comércio e artesanato. Porém, também é verdade que os vikings eram exploradores e colonizadores, que estabeleciam redes comerciais desde o Atlântico Norte até o Império Bizantino.
No mundo náutico, o formato de seus longos navios sempre chamou atenção. Contudo, além do apelo estético, este modelo permitia viajar e saquear a grandes distâncias, chegando às Ilhas Britânicas, Islândia, Groenlândia e até mesmo à América do Norte.


Durante a maior parte do período histórico das suas expedições, eles seguiram a religião nórdica antiga. Com o passar do tempo, entretanto, adotaram o cristianismo e formaram os primeiros reinos medievais que dariam origem aos atuais estados escandinavos.
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