ONU aprova a maior Área de Controle de Emissões Marítimas já adotada no mundo
A Organização Marítima Internacional, agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU), aprovou, após dois anos de negociações diplomáticas, a maior Área de Controle de Emissões Marítimas que este mundo já viu. A iniciativa impõe limites rígidos contra poluentes como enxofre e nitrogênio na área que abrange o Atlântico Nordeste a partir de 2027. Na prática, a medida contribui para a saúde de comunidades costeiras, o que pode gerar economia de 29 bilhões de euros até 2050.
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A nova área de controle inclui as zonas econômicas de Espanha, Portugal, França, Reino Unido, Irlanda, Islândia, Ilhas Faroé e Groenlândia — um corredor marítimo que concentra intenso tráfego de embarcações comerciais. A região foi definida com base em pesquisas científicas que elencaram os riscos que a queima de poluentes atmosféricos gera e os benefícios que limitá-la pode resultar até 2050.
Os estudos foram desenvolvidos pelo International Council on Clean Transportation, com participação da pesquisadora brasileira Patricia Ferrini Rodrigues. Como conclusão, eles indicam que a medida — agora aprovada pela ONU — pode prevenir milhares de mortes prematuras e gerar economias bilionárias ao reduzir doenças respiratórias em populações costeiras.


Em números, os pesquisadores estimam que entre 2.900 e 4.300 mortes prematuras podem ser evitadas de 2030 a 2050 considerando a Área de Controle de Emissões Marítimas desenhada. A regra entra em vigor em setembro de 2027 e passa a ser válida em 2028. O objetivo é simplesmente diminuir a emissão dos temidos poluentes atmosféricos, especialmente quando o emissor estiver mais próximo da costa.
O navio pode utilizar um combustível mais emissor em águas internacionais, mas ao entrar no território de 200 milhas náuticas, será obrigado a utilizar um combustível mais limpo e emitir menos até chegar perto da costa-explica a pesquisadora brasileira
De acordo com a pesquisa, a expectativa é que a nova Área de Controle de Emissões Marítimas reduza em até 82% as emissões de óxidos de enxofre; em 64% as emissões de material particulado fino; e em até 71% as emissões de óxidos de nitrogênio nas próximas décadas. Essa poluição tem riscos para além do entorno das embarcações, pois as partículas finas podem causar transtorno na saúde humana e na água, além da própria atmosfera.
Doenças como asma, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica estão associadas, muitas vezes, a essas substâncias poluentes, conforme o estudo. Além disso, a pesquisa também elenca que riscos cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral, aumentam em pacientes com maior contato com esse tipo de poluição.
Além dos riscos à saúde humana, a nova e maior Área de Controle de Emissões Marítimas adotada pela ONU também terá impacto em ecossistemas marinhos e em áreas ambientalmente sensíveis. A análise, inclusive, identificou potenciais benefícios para mais de 1.500 áreas marinhas protegidas, 17 habitats críticos e 148 sítios classificados como Patrimônio Mundial pela UNESCO.
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