A bordo da Ross 190, navegamos um roteiro delicioso por Angra dos Reis até o restaurante Coqueiro Verde, na Ilha Grande
Lancha de 19 pés mostrou que dá para alcançar destinos memoráveis mesmo em um barco pequeno, sem renunciar ao conforto


Não é preciso uma embarcação de grande porte para viver um dia inesquecível no mar. Em Angra dos Reis, um dos cenários mais generosos da costa brasileira, uma lancha de 19 pés mostrou que navegar com segurança, conforto e prazer — e alcançar destinos memoráveis — está ao alcance de quem está dando os primeiros passos na náutica. Foi a bordo de uma Ross 190, do estaleiro Ross Mariner, que partimos da Marina Verolme rumo a um roteiro clássico, daqueles que nunca perdem o encanto, pelas águas calmas e protegidas da Baía da Ilha Grande. No horizonte, um destino à altura da paisagem: o restaurante Coqueiro Verde, no paradisíaco Saco do Céu, um dos ancoradouros mais conhecidos e abrigados da região.
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Após o abastecimento e os procedimentos de segurança a bordo, a Ross 190 deixou suavemente a marina e ganhou o mar, apontando a proa para o conjunto de ilhas Cataguás, a cerca de duas milhas dali.
Em menos de sete minutos de navegação, já estávamos fundeados em águas claras, mornas e convidativas — um verdadeiro espelho d’água que mais lembra uma piscina natural. Não por acaso, o local figura entre os preferidos de quem navega por Angra, reunindo beleza cênica, fácil acesso e condições ideais para um primeiro mergulho no ritmo tranquilo da região.


Dali em diante, o passeio seguiria confirmando a proposta inicial: provar que, com o barco certo e um bom roteiro, experiências grandiosas não dependem de tamanho, mas da liberdade de estar no mar. Em Angra, basta apontar a proa na direção certa para que um simples dia de navegação se transforme em algo memorável.




As ilhas de Cataguás, pertinho do continente, reúnem tudo o que se espera de um bom ponto de parada: fácil ancoragem, visual exuberante e uma pequena praia que convida a desembarcar e caminhar. Um cartão-postal acessível mesmo para quem navega com embarcações de pequeno porte. Próxima parada do roteiro: Lagoa Azul, na Ilha Grande. Outro clássico da região, a cerca de 5 milhas de Cataguás, a Lagoa Azul é destino de nove em cada dez barcos que navegam na Baía da Ilha Grande. Mesmo bastante frequentada por embarcações de turismo, continua sendo um lugar especial — sobretudo para quem chega cedo e consegue fundear com tranquilidade. Água quase transparente, peixes à vista e aquele mergulho que renova o corpo e a alma. É o tipo de parada que ajuda a entender por que Angra é, há décadas, a capital náutica do país.


Com o relógio avançando e a fome começando a dar sinais, a Ross 190 pega o rumo do destino principal do dia: o Saco do Céu, também na Ilha Grande, uma enseada de águas calmas perfeita para passear com o barco (e melhor ainda para pernoitar a bordo, o que não é o caso). Foram cerca de 7 milhas até lá desde a Lagoa Azul, navegadas em aproximadamente 15 minutos.


O nome não é exagero. Cercado pela Mata Atlântica e extremamente protegido dos ventos, o Saco do Céu forma um espelho-d’água quase perfeito — especialmente ao entardecer, quando o céu se reflete na superfície calma. Não por acaso, é um dos pontos mais procurados para pernoite em Angra dos Reis. Na proa da Ross 190 logo surge o restaurante e pousada Coqueiro Verde, referência absoluta entre navegadores.


Coqueiro Verde: restaurante com algo a mais
Fundado no início dos anos 1990 pelo casal Márcia e Damásio Carvalho, o Coqueiro Verde é muito mais do que um simples lugar para almoçar. O espaço reúne estrutura completa de suporte náutico, com poitas para atracação, barco de apoio, abastecimento de água doce, café da manhã para quem pernoita na enseada e até uma charmosa pousada. À mesa, a fama se confirma em forma de sabor, com frutos do mar sempre frescos e receitas que preservam toda a riqueza da tradição caiçara, como a moqueca e as porções que já fazem parte da memória afetiva de quem navega pela região. Tudo isso é servido em um ambiente informal, acolhedor e pet friendly, onde mascotes circulam entre as mesas.


Com mais de 20 poitas disponíveis, o Coqueiro Verde também leva sua gastronomia a bordo por meio das embarcações de apoio, permitindo que o cliente desfrute das refeições com conforto no próprio barco.


Um barco com medida certa para um dia grande
Na volta, já no fim da tarde, o mar um pouco mais mexido reforçou a principal mensagem do passeio: a Ross 190 navega com segurança e confiança, mostrando equilíbrio, estabilidade e comportamento exemplar na água. Uma lancha perfeita para quem está começando, mas que também entrega o prazer genuíno de explorar destinos consagrados com liberdade. Ao final do roteiro, fica a certeza de uma experiência em que o barco é o meio — e o destino, apenas o pretexto para viver o melhor da navegação, independentemente do tamanho da embarcação. A Ross 190 prova isso com naturalidade, comportando-se com maturidade ao longo de todo o percurso. Em Angra, com o barco certo e um bom roteiro, uma 19 pés é mais do que suficiente para chegar ao paraíso.


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