Após viajar pelo Brasil, casal de velejadores compartilha pontos de ancoragem seguros
A experiência nasceu das viagens ao longo da costa brasileira. Conheça a história!


De um lado, um velejador prático com mais de 45 anos de experiência na vela. Do outro, uma jornalista que, com o tempo, também tem ganhado milhas e prática no mar. Hans e Karina, casados há 32 anos, vêm traçando juntos uma história guiada por marés e ventos, que hoje tem como legado uma base colaborativa e gratuita sobre ancoragens no Brasil — e dois filhos.
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O projeto começou a tomar forma em 2009, quando o casal assinou o contrato do primeiro catamarã da família: um BV 43, do estaleiro maranhense Bate Vento. O plano era levar o barco de São Luís (MA) até Recife (PE) em uma viagem longa e sem pressa, para conhecer o máximo possível de pontos pelo caminho.


Foi nesse momento que surgiu a busca por informações sobre ancoradouros e barras ao longo da costa nordeste. Fora do eixo tradicional do turismo náutico, a região carecia de dados organizados e confiáveis. Para contornar essa lacuna, Hans e Karina decidiram viajar antes mesmo de o barco ficar pronto, justamente para conhecer melhor os lugares por onde pretendiam navegar depois.
A ideia era simples e prática: sair de Recife, onde moravam, em um carro 4×4, visitar praias e vilarejos indicados por amigos e, em cada local, contratar barcos de pesca para conhecer ancoradouros, canais de acesso e a receptividade das comunidades.
E assim foi feito. Durante a viagem a três — Karina, Hans e Marina, a primogênita — todas as informações e waypoints começaram a ser cuidadosamente anotadas.
Em paralelo, assim como o mar, a construção do primeiro catamarã também seguiu um roteiro incerto e acabou levando mais tempo do que o previsto. Em 2012, nasceu o segundo filho do casal, Felipe, e a travessia de São Luís até Recife acabou não acontecendo da forma inicialmente planejada — mas o barco ficou pronto.


No entanto, o patrimônio desenvolvido naquela fase sobre ancoradouros, barras e waypoints da costa nordeste não poderia ficar restrito apenas ao núcleo familiar. Hans e Karina organizaram todo o material em arquivos digitais, com fotos e anotações.
Sempre fomos defensores de que o Brasil tem muito a ser explorado e muitos lugares acessíveis por barco-conta Karina, em entrevista à Revista Náutica
Essa convicção ganhou contornos internacionais em 2022, quando o catamarã da família se transformou em uma espécie de embaixada flutuante brasileira na Cidade do Cabo, na África do Sul. A família estava na cidade para participar da Cape2Rio, tradicional regata oceânica que liga o continente africano ao Rio de Janeiro.


Na ocasião, Karina lembra que muitos navegadores procuraram o casal em busca de informações sobre o Brasil e, principalmente, sobre onde ancorar com segurança durante visitas ao país. Mesmo com os dados organizados apenas em um arquivo digital em português, o material já serviu de apoio para diversos estrangeiros.
Soube depois que muitos deles usaram nossas dicas e acabaram navegando pelo Brasil. Foi ótimo perceber o interesse pelo Nordeste-contou Karina
Dessa necessidade nasceu a ideia de transformar anos de anotações em um site. Mesmo sem experiência prévia em desenvolvimento, Karina e Hans tocaram o projeto sozinhos, com o apoio de plataformas de inteligência artificial.
Uma forma de colaborar
Hoje no ar, o projeto cataloga características de barras e ancoradouros pelo país. O levantamento, inicialmente realizado pelo casal ao longo de anos de navegação, conta também com informações enviadas por colaboradores. Dessa forma, o projeto que começou focado na costa nordeste já abrange dados de todas as regiões do país.


A proposta é clara: ajudar navegadores de embarcações de esporte e recreio, sem uso comercial. Mesmo com custos de manutenção, hospedagem, softwares e horas dedicadas às atualizações do site, o casal não cogita monetizar o conteúdo.
O acesso é, e sempre será, totalmente gratuito-reforça Hans
O pedido do casal se resume à colaboração de outros navegadores: enviar informações atualizadas e divulgar a plataforma é a melhor ajuda para que projeto chegue a cada vez mais entusiastas do universo náutico.


O projeto já recebeu contribuições de cidades como Macaé (RJ), Belém (PA) e Santo André (BA). Todo o conteúdo passa por conferência antes de ser publicado. E ainda indica os atracadouros com geolocalização a partir de coordenadas geográficas, nome e contato dos responsáveis.
Apesar de todo o avanço, o projeto segue em construção. “Queremos acrescentar mapas antigos, mais fotos e uma lista de referências com guias, livros e links para vídeos no YouTube. É um trabalho contínuo”, finaliza Karina.
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