Primeiro barco do mundo movido a hidrogênio acaba de completar a travessia do Atlântico


A indústria náutica pesquisa o desenvolvimento de embarcações cujo funcionamento não dependa de combustíveis poluentes. Uma das apostas é o hidrogênio, que reduz a zero a emissão de gás carbônico. O mais complicado para viabilizar tais projetos é o tanque para armazenar o combustível, que precisa ser feito com um material que suporte 100 vezes mais pressão que um tanque comum, já que o hidrogênio é um gás altamente inflamável.
A francesa Air Liquide saiu na frente. Em 2017, a empresa — líder mundial em gases, tecnologias e serviços para indústria e saúde —lançou ao mar o catamarã autossustentável Energy Observer, que partiu do porto de Saint-Malo, na França, para uma missão de seis anos, abastecido unicamente com energias renováveis.
Na primeira fase, o catamarã ziguezagueou pelo Mar Mediterrâneo e o norte da Europa, uma jornada de 20 mil milhas, visitando 48 portos. Em seguida, iniciou a travessia do Atlântico rumo a Caribe.


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Cera de 5 600 milhas depois, o Energy Observer acaba de chegar no Fort-de-France, na Martinica. Já são quase três anos no mar, com navegação ecologicamente correta, ou seja, com zero emissão de carbono ou partículas finas. Além do hidrogênio, o Energy Observer usa energia solar e eólica e motores elétricos. Um verdadeiro laboratório flutuante.
O projeto foi idealizado pelo capitão Victorien Erussard e pelo explorador Jérome Delafosse, que pretende levar sua tripulação para 50 países, perfazendo 101 escalas. Para assegurar a autossuficiência da embarcação, o hidrogênio produzido por eletrólise da água do mar é comprimido e armazenado, para depois ser transformado em eletricidade por meio de células de combustível. Sim, o hidrogênio limpo é gerado a partir da água do oceano, enquanto o navio navegava.
Eles estavam programados para atravessar o Canal do Panamá, seguir para o Havaí e cruzar o Oceano Pacífico até o Japão, em julho, onde participariam das cerimônias de abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Com o anúncio do adiamento das olimpíadas, os planos estão sendo alterados. A meta, porém, permanece a mesma: “Provar aos cidadãos, tomadores de decisão e empresas que a transição ecológica está em andamento”, explica o capitão Victorien Erussard. Até aqui, nem sinal de fumaça.
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