Confira as quatro dúvidas mais comuns sobre o sistema de som a bordo
Uma boa música torna ainda mais agradável qualquer passeio de barco. Para isso, mais fundamental do que o aparelho de som em si são os alto-falantes que reproduzirão os sons gerados por ele. E isso tem a ver não só com a qualidade dos alto-falantes, mas, também, com a sua correta instalação a bordo. A diferença costuma ser a mesma de assistir a um filme usando apenas o som da tv ou através de um sistema de áudio, como ilustram estas respostas às dúvidas mais comuns sobre este tema.
Há diferenças entre os alto-falantes para carros e para barcos?
Sim, e muita. E o principal diferenciador é o ambiente onde eles atuam. A forte presença da umidade e da água, que chega aos alto-falantes através do ar, dos respingos ou mesmo durante a limpeza do barco (sem falar na salinidade, quando usados no mar), exige materiais diferentes nos alto-falantes de uso náutico. Alto-falantes para barcos devem ter estrutura de plástico, em vez de aço, cones de alumínio anodizado ou de polímeros especiais, e não de fibras, e toda sua fiação deve ser isolada e protegida.
É melhor usar caixas acústicas prontas ou embutir os alto-falantes?
Como as caixas acústicas são projetadas sob medida para os alto-falantes que possuem, costumam ter melhor qualidade sonora. Mas ocupam espaço e interferem na estética do barco. Isso não acontece quando se embutem os alto-falantes, mas essa solução pode afetar a performance sonora, especialmente nos sons mais graves, porque o local da instalação pode limitar a movimentação da parte traseira dos cones dos alto-falantes ou produzir ecos e reverberações indesejáveis.
Como escolher a melhor potência dos alto-falantes?
O mais importante é saber a potência máxima do seu sistema de som. Mas observe que a potência sonora pode ser especificada de várias maneiras, como “de pico” (PMPO) ou “efetiva” (RMS) — e são grandes as diferenças de valores. Exemplo: um aparelho que indica ter potência sonora de 200 W PMPO atinge essa marca apenas por frações de segundo e terá uma potência efetiva de apenas 10 W no padrão RMS. O que conta é garantir que os alto-falantes ou caixas acústicas suportem, ao menos, 20% a mais que a potência máxima do seu sistema de som.
Qual a bitola correta para a fiação dos alto-falantes?
A bitola varia de acordo com a potência e a distância entre o sistema de som e os alto-falantes. Para os barcos, cabos de duas vias, com bitola de 1,5 mm2 e estanhados, são boas escolhas. Para distâncias inferiores a cinco metros, pode-se usar cabos mais finos, de 1 mm2. Um ponto relevante são os conectores, que devem ser banhados a ouro, para resistir bem à corrosão e evitar mau contato.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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