Copa do Mundo de Vela


A Equipe Brasileira de Vela encerrou a disputa da temporada 2014-2015 da Copa do Mundo da Federação Internacional de Vela (ISAF) com mais duas medalhas. No último domingo (dia 1º), Ricardo Winicki, o Bimba, e Patricia Freitas subiram no pódio na final da Copa do Mundo, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Na competição que reúne os 20 primeiros colocados no ranking mundial de cada classe, o brasileiro ficou com a prata na RS:X masculina, enquanto sua compatriota faturou o bronze na versão feminina da categoria.
A prata foi a primeira medalha do velejador na temporada 2014-2015 da Copa do Mundo. Atual líder do ranking mundial da RS:X masculina, Bimba terminou a regata da medalha em sétimo. Na classificação geral. ficou com 39 pontos perdidos. O ouro foi para o espanhol Ivan Pastor Lafuente, que venceu a regata decisiva e terminou com 30 pontos perdidos. O bronze ficou com o britânico Tom Squires, com 44 pontos perdidos.
“O campeonato foi difícil, com um nível alto depois de um Mundial em que me esforcei bastante. Eu não tive um começo muito bom, terminando o primeiro dia em sétimo. Mas vim crescendo na competição, finalizei o segundo dia em terceiro e depois o terceiro dia em primeiro. Estava todo mundo próximo na classificação, a regata da medalha foi com vento fraco, consegui administrar, mas o espanhol largou bem e acabou vencendo”, analisou Bimba.
Na RS:X feminina, Patricia repetiu o bronze que havia conquistado na etapa francesa de Hyères da Copa do Mundo. Atual 11ª colocada no ranking mundial, a brasileira chegou em terceiro na regata da medalha, terminando a competição com 29 pontos perdidos. A prata ficou com a italiana Flavia Tartaglin, segunda colocada na regata decisiva, com 21 pontos perdidos. O ouro terminou nas mãos de Bryony Shaw. Vice-campeã mundial na semana passada e atual líder do ranking mundial, a britânica terminou com 12 pontos perdidos.
Na classe Laser, Robert Scheidt encerrou a competição em quarto lugar. O bicampeão olímpico terminou a regata da medalha em nono. Na classificação geral, ficou com 36 pontos perdidos empatado com o australiano Matthew Wearn. Mas como o adversário obteve um resultado melhor na regata decisiva – foi sexto -, o brasileiro perdeu no critério de desempate. O ouro foi para outro australiano, Tom Burton, com 21 pontos perdidos. A prata ficou com o cipriota Pavlos Kontides, com 33 pontos perdidos.
Com o resultado em Abu Dhabi, a Equipe Brasileira de Vela encerrou a temporada 2014-2015 da Copa do Mundo com oito medalhas, sendo duas de ouro, duas de prata e quatro de bronze. Fernanda Oliveira e Ana Luiza Barbachan ganharam na 470 feminina em Hyères, enquanto Martine Grael e Kahena Kunze, na 49erFX, subiram no topo do pódio em Weymouth, na Inglaterra. As pratas vieram com Martine e Kahena, em Hyères, e com Bimba em Abu Dhabi. E os bronzes foram conquistados por Martine e Kahena, em Miami, nos Estados Unidos, Robert Scheid,t em Hyères, e Patricia Freitas na etapa francesa e em Abu Dhabi.
Foto: Divulgação
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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