Os 10 melhores destinos para barcos nos Estados Unidos. Conheça
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Escolher 10 dos melhores destinos de barco em um país tão grande e com uma concentração náutica tão relevante não é fácil. A NÁUTICA, no entanto, conseguiu listar os locais mais visitados pelos velejadores, marinheiros, pescadores e fãs de esportes aquáticos ao longo do ano todo, e que contam com boas recomendações. Confira:
Começando pelo norte do país, podemos citar as Ilhas San Juan. O arquipélago, que fica a noroeste do Pacífico, conta com uma vida selvagem expressiva, em que é possível observar uma variedade de animais no seu cotidiano. Uma das 175 ilhas que o constituem pertence a ninguém mais ninguém menos que Bill Gates, um dos poderosos que procura pela discrição que só esse local pode fornecer. Apesar de ter moradores reconhecidos mundialmente, a grande atração é o número de baleias que residem no local. Nas ilhas Roche e Friday e no Estreito de Haro, os golfinhos fornecem um espetáculo diário com a sua diversão. Uma visita à Mansão do Rosário e sua antiga sala de música na Ilha das Orcas é igualmente imperdível.
O próximo local é a Baía de São Francisco. Quase totalmente cercada por água, com mares razoavelmente calmos e acompanhados de ventos fortes, este é um destino popular entre a população náutica. Apesar de a maioria das atrações turísticas estarem em terra, é nas águas geladas da baía que muitos visitantes se deslumbram com a paisagem. Velejar ao pôr do sol, passear de barco sob a Golden Gate e navegar ao redor da Ilha de Alcatraz são apenas algumas das opções, além da vida noturna ativa e uma cozinha que define tendências. Durante o verão, os barcos de pesca e esporte exploram o Delta do Sacramento, que se estende até o interior a partir da baía e oferece águas cristalinas no início da manhã para um esqui aquático perfeito.
Em terceiro lugar, mas não menos importante, encontramos o Lake Havasu: um lago ideal para quem procura por wakeboard, por exemplo. Também é um ótimo point de festas, passeios comuns de barco ou jets, e velejadas. Apesar do rafting também ser frequente, durante o período de pandemia a atividade só é permitida se feita com membros da família ou pessoas de dentro do círculo de quarentena, devido à Covid-19. É um reservatório que se encontra entre a Califórnia e o Arizona e seu objetivo principal é armazenar água, que depois é bombeada para dois aquedutos.
Em seguida, vem mais um lago: o Lake Champlain. Apesar de estar no lado oposto do país, observam-se mais de 150 quilômetros de extensão, situados na fronteira entre Nova Iorque e Vermont. Nele, os velejadores podem explorar 80 ilhas e desfrutar de esportes aquáticos, cruzeiros e locais históricos em seus 450 km². É o sexto maior lago do país, e é famoso por passeios de barco e pescas no gelo, além das cidades e parques próximos.
O primeiro parque da lista é o Parque Nacional Isle Royale, situado na segunda maior ilha dos Grandes Lagos, no estado do Michigan. A ilha a que pertence chama-se Lago Superior, e não é habitada permanentemente, dispondo apenas de estruturas de apoio para visitantes. O parque é, na verdade, um arquipélago com 400 ilhas e fica aberto de maio a outubro todos os anos. É necessário obter uma licença para atracar ou ancorar durante a noite e, apesar de ser uma água bem gelada, a aventura de explorar os inúmeros naufrágios são um atrativo para os mergulhadores.
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Ocupando a sexta posição, a Ilha Mackinac, também nos Grandes Lagos, fica no Lago Huron, e é um atrativo para o verão. Os carros estão proibidos na ilha desde 1898 e, em volta, só circulam barcos, bicicletas e charretes, ou outros veículos puxados a animais para transporte de carga. Possui um resort de luxo chamado Grand Hotel, e é muito procurada pelo silêncio e ar puro que oferece, e pelo fudge, nos mais variados sabores. É como a experiência de voltar no tempo. As alternativas são as partidas de golfe, trilhas ao lado do mar ou os penhascos de calcário no Parque Estadual. Seja para um passeio de caiaque ou um almoço no iate clube, a ilha está imersa na cultura marítima. No local, também existe uma corrida tradicional, que parte do Chicago Yatch Club e sobe o Lago Michigan, e desafia até os marinheiros mais experientes ao longo das 300 milhas percorridas.
O próximo local é o paraíso dos velejadores: Newport, em Rhode Island. A área tem milhares de enseadas, praias deslumbrantes, e um passeio admirável ao longo do cais da agitada orla. É uma ótima oportunidade para estudar a autêntica arquitetura colonial e da Idade do Ouro, as mansões lendárias e, de quebra, aproveitar muitos restaurantes, vinícolas e cervejarias famosas. Todo mês de setembro, Newport hospeda um show de barcos para velejadores que vão aproveitar o espetáculo e conhecer as novidades do mundo náutico.
Chegando mais ao sul do país, está o maior estuário da América, a Baía de Chesapeake, com quase 320 quilômetros de comprimento e de 5 a 30 quilômetros de largura. Com mais de 11 mil milhas, o número de rios que desembocam nessa baía ultrapassa os 150. Está cercada pelos estados americanos de Maryland e Virgínia, que dividem as mais de 8 100 milhas quadradas de superfície aquosa. Os cruzeiros históricos e urbanos são populares, já que permitem aos velejadores visitar Baltimore, St. Michaels e Annapolis sem nunca deixar essas águas rasas e protegidas. O pôr do sol neste local é estonteante.
Chegando ao fim da lista, em nono lugar citamos o Sul da Flórida por completo. A Costa Leste da Flórida é o centro dos barcos de pesca e, se existe um destino americano que dispensa apresentações, esse destino é Miami. A cidade conta com diversos atrativos artísticos, culturais, esportivos e gastronômicos que atraem o turista. Fort Lauderdale, outra cidade da região, não possui o apelido de “Veneza Americana” à toa – a menos de 50 quilômetros de Miami, a cidade chama a atenção por seus canais margeados por mansões e belas praias.
Por último, mas não menos importante, vem o Noroeste da Flórida. É perceptível que a Flórida por si só é um destino para passeios de barco durante o ano todo. O lado noroeste da costa, portanto, precisa ser igualmente citado. Com um vasto playground aquático, Tampa Bay atrai praticantes de remo, caiaque, pescadores e marinheiros. A recomendação é explorar não só a vasta baía, mas os clubes náuticos na área, que não são poucos. As opções são muitas: jantar na doca, acampar na praia, fazer wakesurf e se divertir nos cruzeiros alimentam essa lista de alternativas no local. Para quem prefere uma programação ainda mais calma, a dica é visitar o museu Dali, no centro de São Petersburgo.
Por Naíza Ximenes, sob supervisão da jornalista Maristella Pereira
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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