Conheça uma inusitada travessia de 154 milhas por rios e canais na Flórida

Por: Redação -
25/08/2020

Siga nosso TWITTER e veja a série Dicas Náuticas diariamente.

Não é novidade que a Flórida, nos Estados Unidos, abriga uma das maiores concentrações de barcos do mundo. De todos os tipos e tamanhos. E, quando todos pensam não haver mais surpresas para os donos de barcos americanos, eis que surge uma atração diferente: a travessia de uma costa à outra, por meio de rios e canais ao sul da Flórida.

Partindo de Fort Myers (veja mapa abaixo), na costa do Golfo do México, a viagem costuma durar, dependendo da empolgação e do tipo de barco, menos de um dia, e percorre muitos pontos turísticos até chegar do outro lado da costa, na cidade de Palm City, quase às margens do Atlântico.

Uma dúvida comum para quem escuta falar dessa travessia é sobre a profundidade do rio ao longo de todo o percurso. E, quanto a isso, quem já concluiu a viagem garante: há uma profundidade de, pelo menos, três metros em toda a sua extensão, principalmente por se tratar de um rio com trechos criados artificialmente pelo próprio homem.

Fort Myers: início da viagem

Poucos preparativos de segurança são necessários além da garantia de combustível suficiente para toda a viagem. A distância total da viagem é de 154 milhas náuticas (cerca de 250 km).

Na partida, no Golfo do México, o rio parece mar, com mais de um quilômetro de largura. Conforme a viagem segue curso acima, rapidamente a aparência assume uma estética mais parecida com um rio de verdade.

Logo de início, notam-se pontos muito interessantes. A Caloosahatchee Creeks Preserve, por exemplo, é uma reserva ambiental em que os visitantes podem fazer um passeio de caiaque e trilhas a pé sobre uma passarela de observação. Vale a parada. Logo em seguida, surge o The Boathouse Tiki Bar & Grill, um bar e restaurante com temática náutica. A parada também é irresistível.

The Boathouse Tiki Bar & Grill: bar e restaurante com temática náutica

Durante quase todo o percurso do rio há sempre casas com píeres particulares, ideais para eventuais emergências, o que garante segurança extra para marinheiros de primeira viagem.

No caminho, atrações não faltam. É o caso do Manatee Park, um parque em que é possível conhecer de perto peixes-boi, fazer aulas de canoagem, observar um jardim de borboletas e participar de vários outros programas educacionais. As famílias adoram. Os melhores meses do ano para observar os peixes-boi são dezembro, janeiro e fevereiro, quando a temperatura está abaixo de 20 graus. Os peixes-boi geralmente não estão presentes durante os meses quentes do verão norte-americano.

Ao longo do caminho, encontram-se alguns pontos igualmente belos, como o W.P. Franklin Campground, um lugar ideal para pausas tranquilas e, quem sabe, pescarias. Há, também, lugares como o Grace River Island Resort, um resort privado que costuma receber muito bem os viajantes náuticos.

Ao todo, são cinco eclusas dividindo o rio ao longo do trajeto. Não há taxa alguma de travessia para os donos de barcos de lazer. São eclusas grandes, projetadas para acomodarem embarcações comerciais. Recomenda-se que haja um aviso prévio aos operadores responsáveis pela liberação do cruzamento antes de qualquer proximidade com a eclusa, mas, ainda assim, é necessário chamá-los pelo radio vhf, no canal 13, no momento em que chegar.

Uma das muitas eclusas do Rio Caloosahatchee

O Rio Caloosahatchee oferece muitas paisagens verdes ao logo do caminho, como o LaBelle Nature Park, um parque para admirar os mais variados tipos de plantas e árvores, seguir trilhas e observar paisagens admiráveis por toda a sua extensão.

A navegação pelo Rio Caloosahatchee terminará em um canal, que contorna o Lago Okeechobee. O caminho segue ao sul, onde surgirá a Marina Roland Martin, considerada parada obrigatória antes de cruzar o Lago Okeechobee. Uma tradição para os cruzadores do lago.

Entrando em Okeechobee pelo sudoeste, há um longo canal, bem demarcado, que segue para o leste, e depois nordeste, até apontar no lago. No meio desse canal, inclusive, encontra-se o Slim’s Fish Camp: um acampamento voltado para a pesca, seja para estadia ou viagens passageiras.

O Lago Okeechobee, apesar de grande, é muito raso em toda sua extensão. A profundidade deve ser um dos cuidados prioritários da tripulação. A continuação da travessia é por meio de Port Mayaca, uma das últimas eclusa da travessia antes de entrar no Canal de St Lucie.

A eclusa de Port Mayaca

Após cruzar o Lago Okeechobee e a eclusa de Port Mayaca, a próxima parada costuma ser a cidade de Indiantown. Há alguns restaurantes na marina para pausas rápidas, e, por ser uma cidade histórica, a recomendação é conhecê-la.

Leia também

» Como funciona o sistema de eclusas no Rio Tietê, em São Paulo

» Dois britânicos e um cão: a ousada travessia em uma balsa salva-vidas

» De Piçarras a Angra: dicas valiosas para fazer a travessia

Viajando pelo Canal de St Lucie, no último trecho da viagem, encontram-se vários estabelecimentos náuticos, como a Sunset Bay Marina, que oferece serviços como chuveiros, amarrações, lavanderia, lojas náuticas e restaurante. Outros dois points são bastante frequentados por donos de barcos que realizam essa travessia: os restaurantes Stuart Boathouse e Tidehouse, ambos ostentam uma variedade de frutos de mar em seu cardápios.

Paisagem do restaurante Stuart Boathouse

Ao aproximar-se da cidade Stuart, será perceptível a mudança da paisagem ao redor. O número de marinas cresce, assim como as construções nas margens do canal. A dica, nesse momento, é estar com as pesquisas em dia, para aproveitar a diversidade de hotéis, marinas e restaurantes.

Como se vê, a travessia náutica interior de uma costa a outra da Flórida é uma viagem considerada simples e segura, que quase todos os velejadores são capazes de realizar, e que deixa a sensação de uma grande realização para quem a consegue concluir.

Por Naíza Ximenes, sob supervisão do jornalista Otto Aquino

Gostou desse artigo? Clique aqui para receber o nosso serviço de envio de notícias por WhatsApp e leia mais conteúdos.

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Tubarão é registrado a 500 metros de profundidade na Antártica e surpreende cientistas

    Registro de janeiro de 2025 mostra tubarão-dorminhoco desajeitado que pode chegar a medir 3 metros de comprimento

    158 anos depois, navio naufragado em lago dos EUA é encontrado

    Cargueiro Clough tinha 38 metros de comprimento e afundou em 1868 no Lago Erie após uma forte tempestade

    Relíquias: museu nos EUA reúne mais de 270 motores clássicos

    O Tallahassee Automobile Museum abriga um acervo náutico “old school” com barcos históricos, itens de pesca e motores raros que remontam ao início do século 20

    Novo no Canadá, táxi aquático autônomo deve iniciar testes na água em 2026

    Desenvolvida pela canadense Future Marine Inc., embarcação busca integrar o transporte público de forma sustentável e tecnológica

    No Havaí, plástico retirado do oceano está sendo transformado em asfalto

    Alternativa para o combate à poluição plástica integra itens como potes de iogurte e redes de pesca ao material utilizado para pavimentar estradas