Canadá aprova primeiro barco movido a bateria para transporte de passageiros

Por: Redação -
27/08/2020

Siga nosso TWITTER e veja a série Dicas Náuticas diariamente.

A Ambassatours Gray Line, em parceria com a Glas Ocean Electric, são responsáveis por uma aprovação de segurança inédita do Conselho de Revisão Técnica Marinha do Canadá: um barco comercial de passageiros movido a bateria. A embarcação pode levar até 25 convidados para pescar em alto mar e foi estilizada pelo artista indígena de renome mundial Alan Syliboy, das Primeiras Nações Mi’kmaq. O barco ganhou o nome de Alutasi, que significa “um barco que guia para a melhor pesca”, também nas tradições Mi’kmaq.

O Alutasi – um Cape Islander de pesca -, bem conhecido no leste do Canadá, ganhou um sistema elétrico híbrido paralelo que incorpora o motor a diesel, além de uma reforma na propulsão, e um mural representando vários animais marinhos em seu casco. O barco passou por uma reforma de 17 meses até atender aos parâmetros de energia marinha renovável desejados pela Glas Ocean Electric. Esta, por sua vez, contou com a assistência financeira e doações de uma variedade de fontes públicas e privadas, incluindo a Nova Scotia Power e o Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá.

A intenção era instalar um sistema totalmente elétrico, mas o híbrido foi o escolhido, tanto por segurança, quanto por praticidade. Como a embarcação precisa navegar em dois tipos de águas diferentes a cada viagem – Porto de Halifax e as águas do Oceano Atlântico -, o diesel será usado para trânsito rápido no porto, e o motor elétrico no restante do trajeto.

As baterias de lítio são alternativas sustentáveis aos motores tradicionais, devido à sua versatilidade. São altamente energéticas quando se trata de recarga, já que o lítio é um elemento muito reativo, sendo esta uma das razões pelas quais pode produzir uma densidade de energia tão alta. O resultado é uma carga que é armazenada por mais tempo e se dissipa muito mais lentamente. Ainda existem as vantagens de não reagirem com água, serem relativamente pequenas e não haver a necessidade de requisitos especiais ou tempo de inatividade. Garante alta produção, mesmo em condições menos padronizadas, como temperaturas extremamente baixas (abaixo de zero).

Leia também

» Schaefer Yachts exporta primeira lancha de 77 pés para Porto Rico. Confira

» Operador de marina obtém certificação de Turismo Seguro na Espanha

» Conheça uma inusitada travessia de 154 milhas por rios e canais na Flórida

A Dra. Sue Molloy, CEO da Glas Ocean Electric há 4 anos, conta que um dos principais objetivos é mostrar às pessoas o potencial de barcos elétricos. A equipe, sob a sua liderança, é conhecida internacionalmente por seu trabalho no setor de energia renovável marinha. A Ambassatour Gray Lines, proprietária da embarcação, possui uma frota significativa, e Molloy explica estar confiante de que esta inovação náutica será o pontapé inicial para a influência em outros barcos turísticos. “Basta fazer um passeio pela manhã, carregar e fazer outro passeio à tarde”. Para isso, várias negociações com um dos financiadores – a Nova Scotia Power – estão em andamento. A proposta estudada é a de instalação de carregadores Nível 2 e Nível 3 nas docas da cidade, para carregar todos os barcos elétricos.

A CEO também é responsável por pesquisas sobre energia das marés na Universidade Dalhousie de Halifax, onde atua como Professora Adjunta. Ela conta que todo o processo de certificação de segurança para um barco de passageiros comercial foi muito complicado, porque o transporte canadense tem regulamentos muito rígidos em relação à segurança quando os passageiros estão envolvidos. “Poderíamos simplesmente ter optado por um barco de pesca e ter menos regras para lidar, mas como este é um barco de passageiros, há muito mais rigor”. Nessa mesma universidade, encontra-se uma equipe de pesquisa liderada por Jeff Dahn, voltada somente a baterias de lítio.

Os testes de garantia de sustentabilidade do Alutasi foram feitos com o intuito de mensurar as emissões de gases de efeito estufa e a emissão de ruído em três diferentes hélices – um novo, um em uso e um danificado, e em diferentes cargas. Os estudos apontam que o novo sistema reduzirá as emissões de gases de efeito estufa em 40%, e o ruído subaquático irradiado entre 40% e 60%.

O objetivo da Glas Ocean agora é produzir um barco de pesca totalmente convertido para a versão elétrica. As possibilidades correm pela Costa Rica e pelo Caribe, procurando sempre por barcos semelhantes ao Alutasi, que opera perto da costa. O tempo de retorno em termos sustentáveis é estimado em cinco a oito anos, mas, de acordo com Molly, caso haja operações que sejam usadas com frequência durante o ano todo, o retorno pode ser em dois anos.

Por Naíza Ximenes, sob supervisão da jornalista Maristella Pereira

Gostou desse artigo? Clique aqui para receber o nosso serviço de envio de notícias por WhatsApp e leia mais conteúdos.

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    158 anos depois, navio naufragado em lago dos EUA é encontrado

    Cargueiro Clough tinha 38 metros de comprimento e afundou em 1868 no Lago Erie após uma forte tempestade

    Relíquias: museu nos EUA reúne mais de 270 motores clássicos

    O Tallahassee Automobile Museum abriga um acervo náutico “old school” com barcos históricos, itens de pesca e motores raros que remontam ao início do século 20

    Novo no Canadá, táxi aquático autônomo deve iniciar testes na água em 2026

    Desenvolvida pela canadense Future Marine Inc., embarcação busca integrar o transporte público de forma sustentável e tecnológica

    No Havaí, plástico retirado do oceano está sendo transformado em asfalto

    Alternativa para o combate à poluição plástica integra itens como potes de iogurte e redes de pesca ao material utilizado para pavimentar estradas

    Colete salva-vidas usado por sobrevivente do Titanic é leiloado por R$ 4 milhões

    Item traz autógrafos feitos por Laura Mabel Francatelli e outros sete sobreviventes do mesmo bote