Espaçosas, lanchas de 19 e 20 pés da Ventura têm espaço e comodidades de “gente grande”
V195 Comfort e V205 Crossover são as novas embarcações de entrada da marca, que exibe nove barcos no São Paulo Boat Show 2024


Na falta de uma, a Ventura está atracada no São Paulo Boat Show 2024 com duas novidades: a V195 Comfort e a 205 Crossover. Presente em mais uma edição do maior evento náutico da América Latina, as embarcações podem não ser gigantes em tamanho, mas trazem funções de “gente grande”. Como uma espécie de “esquenta”, a marca ainda ofereceu uma ação promocional no primeiro dia do salão: a Super Quinta Ventura.
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Descrito como “a volta de um ícone” , a V195 Comfort abre a entrada do estande da Ventura no evento náutico e exala espaço e funcionalidade na lancha. A começar pela popa, que — contrariando expectativas — ostenta um grande motor de popa de 115 hp — incomum para embarcações deste porte.


Há capacidade para até oito pessoas neste barco, que podem se dividir em diferentes áreas de aconchegos. A boreste da V195 Comfort está a posto de comando com banco ajustável, para maior conforto e comodidade. Enquanto isso, a bombordo há uma pia gourmet.


Em ambos os bordos o barco é contornado por sofás e o banco do copiloto é reclinável. A proa também conta com um sofá em formato de ‘U’. Além disso, a popa tem embarque e desembarque livre pelas extremidades.


Para Fred Paim, embaixador da Ventura no Brasil, o casco com bastante borda livre e calado mais alto ajuda o barco a ser mais “valente”, fazendo ele aguentar mais ondas e ventos.


A depender da configuração, a V195 Comfort parte da faixa de R$ 150 mil.
V205 Crossover
Outra novidade no salão náutico paulista é a Ventura 205 Crossover. “Irmã mais velha” da V195, esta novíssima versão ficou maior — especialmente na plataforma de popa. O barco também ganhou uma nova targa — um teto removível — que pode ser utilizada para práticas de wakesurf, por exemplo.




Este modelo crossover oferece um divã reclinável que, quando se desce o encosto do copiloto, mescla o sofá com o cockpit. O toalete fechado também faz parte do pacote de novidades que a V205 leva para o salão do São Paulo Expo — e assim será até 24 de setembro.




Segundo Fred Paim, a navegação do barco é “primorosa”, principalmente para ondas e águas abrigadas. De acordo com o embaixador da marca no Brasil, o barco flui bem com a motorização de 115 até 150 hp — essa última mais indicada para quem quer fazer atividades como ski.
Tanto para quem está começando quanto para quem tem bastante experiência, um barco deste tamanho é legal– Fred Paim




Entre vários opcionais e configurações que o cliente pode adicionar, a V250 Crossover está na faixa de R$200 mil.


Para todos os públicos
A Ventura traz outros destaques ao São Paulo Expo. Entre eles, os pontoons P-25, testado por NÁUTICA — e P-32, que estão presentes no salão, enquanto a V550 HT, lançamento no Rio de Janeiro, também dá as caras no maior evento náutico.


São Paulo Boat Show 2024
Consagrado como o maior evento náutico da América Latina, o salão acontece desde 1998, organizado pela Boat Show Eventos. Em 2024, mais de 170 barcos estão reunidos no São Paulo Boat Show, disponíveis para o público conhecer e comprar. Nesta 27ª edição, os visitantes ainda podem participar do sorteio de uma lancha Focker 188 Joy, equipada com motor Yamaha.


Tradicionalmente, o evento revela os principais lançamentos náuticos do ano, com estaleiros nacionais e internacionais apresentando barcos e jets de todos os modelos, preços e tamanhos. O público ainda confere motores, equipamentos, acessórios, brinquedos aquáticos, decoração e produtos de luxo.
Anote aí!
Quando: De 19 a 24 de setembro de 2024
Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, 1,5 km – Vila Água Funda, São Paulo – SP, 04329-900)
Horário: Quinta-feira das 15h às 22h e nos demais dias das 13h às 22h
Mais informações: site do evento
Ingressos: site oficial de vendas
Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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