Fotógrafa brasileira lança livro sobre suas experiências em alto-mar

Por: Redação -
21/02/2019

“Ainda molhada da água do mar, e da minha própria urina, sentindo sede, fome e muito calor, repito para mim mesma: ‘Aguenta firme. Vai dar tudo certo.’”. Esse é só um trecho do relato de vida da ativista Barbara Veiga em seu livro Sete Anos em Sete Mares.

O livro, da Editora Seoman, será lançado no dia 19 de março, a partir das 19h, na Livraria da Vila, na Vila Madalena, em São Paulo; e no dia 25 de março, a partir das 19h, na Livraria Argumento, no Leblon, no Rio de Janeiro.

A brasileira, que já fez parte do Greenpeace e da Sea Shepherd, sempre foi apaixonada pela natureza e pela biodiversidade – sobretudo a marinha – que nosso planeta possui. E foi esse amor que a motivou a dedicar sua vida a salvar a natureza.

“Preocupada com o futuro das florestas, oceanos e espécies ameaçadas, senti que era o momento de encarar essa transformação radical em minha vida. Não temos um Planeta “B”, então acho que foi a decisão mais sensata a ser feita“, afirma Barbara Veiga.

Barbara divide com o leitor situações como o encontro com piratas reais no Golfo de Áden (região do mar que separa Somália e Iêmen), sabotagem a navios de pesca ilegais, destruição de fazendas de atum, a luta contra o desmatamento da Amazônia e tantas outras missões de quem escolheu combater a exploração das riquezas naturais ao redor do planeta.

Foi presa no Brasil duas vezes e uma no exterior numa solitária, o embate com a polícia e autoridades locais foram quase sempre inevitáveis. Através de seu livro, Barbara quer mostrar porque escolheu dedicar sua vida a investigar e documentar tantos crimes ambientais.

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“Sete Anos em Sete Mares fala sobre aprendizados, dificuldades, dúvidas, luta e muito amor. Desejo mostrar a urgência que o tema pede. O importante é cada um, à sua maneira, agir em prol de todas as formas de vida existentes na Terra“, relata Barbara.

Sete Anos em Sete Mares é escrito como se fosse um diário de bordo. A autora descreve sua rotina em alto-mar, os desafios que ativistas enfrentam quando desafiam o sistema e traz à luz os impactos ambientais que são gerados quando o meio ambiente é posto em segundo plano.

Com uma linguagem intimista, Barbara mostra a realidade de quem escolheu defender o planeta, disposta a abrir mão de conforto ou mesmo de arriscar a própria vida caso preciso for.

Barbara Veiga é fotógrafa documentarista com experiência de atuação em mais de 80 países. Uniu o jornalismo à fotografia e posteriormente ao audiovisual em parceria com organizações mundiais como Greenpreace, Sea Shepherd, Amazon Watch e Avaaz.

Fez, pela Rede Globo, uma série de videorreportagens para o Fantástico, além de ter seus registros publicados em veículos como o site da BBC, matérias pelo The Guardian, The Los Angeles Times, The Australian e Vanity Fair.

Através da fotografia foi premiada pela National Geographic pelo trabalho “Pelo Homem, Pela Natureza”, exposto em Paris, no Jardin des Plantes (2011), além de Cannes, neste mesmo ano, durante o Festival de Cinema.

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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