Mapfre vence mais uma etapa em teste para Volvo Ocean Race


Os espanhóis do MAPFRE foram os primeiros a cruzar a linha de chegada da terceira etapa da chamada Leg Zero – série de regatas-teste da Volvo Ocean Race. Na madrugada desta sexta-feira (11), o time liderado pelo campeão olímpico Xabi Fernández aportou em Saint-Malo em primeiro, com boa vantagem para Team Brunel e Dongfeng Race Team, segundo e terceiro colocados, respectivamente.
“Foi um resultado muito bom para nós. Uma etapa boa do começo ao fim!”, disse Xabi Fernández, da MAPFRE. “Nós fizemos a melhor escolha buscando o caminho pelo mar aberto, achamos brisa e fugimos das correntes. As outras equipes se atrapalharam das correntes. Estou satisfeito com o nosso resultado”.
A diferença do MAPFRE para o Team Brunel foi de 41 minutos ou 7 milhas náuticas. A escolha de ir para offshore (mar aberto) fez com que os espanhóis fizessem menos manobras para escapar das correntes e a velocidade do barco foi maior, apesar de ter velejado mais milhas.
O barco da Espanha soma duas vitórias e um segundo lugar na Leg Zero e lidera a classificação geral. ”Os resultados são importantes para nós, estamos treinando por um tempo, então é bom ver o trabalho dar resultado”, completou Xabi Fernández.
O segundo colocado, o Team Brunel, teve a estreia do velejador do momento a bordo. O neozelandês Peter Burling – campeão da Rio 2016 e da America’s Cup – velejou no leme do veleiro da Holanda.
”Foi ótimo correr a bordo do Brunel. Eu tenho muito a aprender ainda, mas a Leg Zero é uma boa maneira pra isso. É uma pena ter perdido para os caras do MAPFRE”, falou Peter Burling.
Resultados:
1. MAPFRE
2. Team Brunel
3. Dongfeng Race Team
4. Vestas 11th Hour Racing
5. Team AkzoNobel
6. Turn the Tide on Plastic
7. Sun Hung Kai/Scallywag
A próxima etapa da Leg Zero será a última e terá o percurso de Saint-Malo para Lisboa, em Portugal. A largada será no domingo (13) e a flotilha deve chegar até a outra quarta-feira (16). Antes de deixar o porto francês, os fãs locais poderão ver de perto uma regata Pro-Am com convidados para apresentar a flotilha da Volvo Ocean Race.
“É realmente interessante adicionar Saint-Malo ao percurso, pois exige bastante técnica para chegar aqui, com muita maré e riscos de navegação no caminho. É um teste aos navegadores”, disse Dee Caffari, do Turn the Tide on Plastic.
A MAPFRE agora tem uma vantagem de três pontos no topo da classificação da Leg Zero. Lembrando que as regatas-teste não valem pontos para a Volvo Ocean Race, que começa em 22 de outubro.
Classificação geral:
1. MAPFRE 23 pontos
2. Team Brunel 20
3. Dongfeng Race Team 19
4. team AkzoNobel 15
5. Vestas 11th Hour Racing 12
6. Turn the Tide on Plastic 9
7. Sun Hung Kai / Scallywag 7
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
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Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
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