Motores, painéis e interiores ecológicos: os detalhes que deixam o barco mais sustentável
Diversos elementos de uma embarcação colaboram para a descarbonização, até mesmo gerando emissões negativas; entenda como


Para quem deseja um barco que seja sustentável e não prejudicial ao meio ambiente, não é apenas o motor que deve ser levado em consideração. Por dentro, detalhes que vão do chão ao teto, do tapete as tintas, influenciam em uma navegação mais limpa e dão grandes passos à descarbonização, principalmente em iates.
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A International Council of Marine Industry Associations (Conselho Internacional das Associações da Indústria Marítima, ou ICOMA), uma organização internacional que representa a indústria náutica de recreio e reúne associações nacionais do setor de diversos países, realizou uma pesquisa que descreve um conjunto de tecnologias mais bem posicionadas para continuar impulsionando o setor rumo à descarbonização.


Segundo o estudo, tecnologias como motores elétricos, sistemas híbridos e alternativas de propulsão fazem parte do caminho de descarbonização da náutica de recreio. A entidade, em pesquisa, avalia essas soluções considerando diferentes perfis de embarcação e uso.
Além da propulsão, a eficiência energética também passa pelos sistemas a bordo. Iluminação, climatização, refrigeração e equipamentos eletrônicos podem ser integrados a soluções de gerenciamento de energia, baterias e geração solar, ampliando a eficiência da embarcação.


No entanto, os motores, sozinhos, não conseguirão tornar o barco sustentável. Conforme analisado pela revista Asia Pacific Boating, muitos construtores de iates estão se concentrando no uso de materiais sustentáveis, reciclados ou de origem responsável na construção.
Entre os materiais empregados estão madeiras provenientes de florestas manejadas de forma sustentável, tintas atóxicas, tecidos reciclados, couros de menor impacto ambiental e outros têxteis ecológicos.
Além disso, opções naturais, como bambu e cortiça, vêm ganhando espaço em substituição a materiais tradicionalmente associados ao luxo, como as madeiras tropicais. Plásticos reciclados foram usados como espuma estrutural para as superestruturas compostos de iates, como na categoria de catamarãs Eco da Sunreef, que incorporam fibras naturais como linho e basalto.






Embora materiais como o famoso mármore natural, o granito e o quartzo sejam amplamente admirados por sua estética e durabilidade, outras opções mais sustentáveis já estão sendo implementadas e consomem menos energia, como é o caso das pedras artificiais de vidro reciclado e compósitos de resina.
Um material antigo que voltou à cena é o cânhamo. Além da boa durabilidade, ele oferece uma estética texturizada, sendo uma ótima alternativa para capas de assento, tapetes ou detalhes decorativos. Tanto o cânhamo quanto o algodão não carregam produtos químicos agressivos, o que reduz as toxinas no meio ambiente.
Tornando o invisível, visível
Mais do que não emitir, é possível eliminar o carbono da equação — ou seja, lançar quantidades negativas e compensar emissões em vez de adicioná-las. Isso já pode ser visto, por exemplo, em soluções para piso, que trocam a tradicional teca por cortiça reciclada, o próprio bambu ou PVC reciclado.


Um exemplo é a DUE Brasil, representante da Bolon no país, responsável pelo revestimento do piso do JAQ H1, embarcação movida a hidrogênio verde apresentada durante a COP30, em Belém (PA). Ao todo, foram utilizados 250 m² de um material sustentável para compor os interiores da embarcação.


Segundo a empresa, presente no mercado desde 1949, o revestimento utilizado representa um impacto climático de -50 kg de CO² e (dióxido de carbono equivalente). Na prática, os 250 m² instalados no JAQ H1 correspondem à remoção de 50 kg de CO² da atmosfera.
Para dimensionar esse resultado, a marca o compara às emissões evitadas por um carro em uma viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro ou à quantidade de carbono absorvida por duas árvores adultas ao longo de um ano.
De acordo com a Bolon, o compromisso da descarbonização se aplica a 100% do portfólio, não a coleções isoladas ou apenas as aplicadas no JAQ H1. Conforme explicado pela marca, os produtos são desenvolvidos com base em Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) completa, maior conteúdo de calcário e material de impacto climático praticamente nulo.


Todo o processo de produção utiliza 100% de energia renovável e garante que os produtos tenham, em média, um impacto de -0,2 kg CO2e/m², garante a marca.
Além disso, o produto se destaca por ser versátil, visto que pode ser utilizado em vários espaços de uma embarcação, como cabine de comando, quartos e até mesmo na parede — isso sem contar as incontáveis paginações possíveis.


Tudo isso, claro, alinhado à estética, com mais de 100 modelos em linha de diferentes propostas e estilos impactantes. São designs com cores e texturas variadas, com direito a parcerias com designers famosos, como Patrícia Urquiola e Rosita Missoni.
Na prática, a sustentabilidade agrega impacto ao barco sem abrir mão da beleza. Duráveis, fáceis de manter e projetados para alta performance, os pisos Bolon reforçam a missão da Explorer H1 de unir inovação, energia limpa e sustentabilidade em uma das iniciativas mais transformadoras do setor naval brasileiro.


Além do JAQ H1, a Bolon conquistou presença global, com presença em lojas de alto padrão, hotéis de luxo e escritórios de marcas renomadas como Giorgio Armani, Apple, Google, Microsoft, Four Seasons, Nike e Samsung.
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