Navegador solitário: homem de 83 anos navega pelos rios do país com uma simples canoa

08/07/2020
A bordo de uma humilde canoa, o navegador solitário Aladir Murta demonstra grande amor pela navegação, no auge da terceira idade

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Mineiro de Coronel Murta (cidade do Vale do Jequitinhonha fundada por seu avô), o aposentado Aladir Murta, de 83 anos, iniciou, há exatos 20 anos, uma aventura a bordo de uma canoa a remo. Desde então, já são mais de 60 mil quilômetros navegados, enveredando por mais de 30 rios brasileiros.

A missão teve início no dia 14 de setembro de 2000, na cidade de Barra do Garças, Mato Grosso, banhada pelos rios Araguaia e do Garças. Além do remo e da canoa de madeira de quatro metros, que depois seria trocada por uma de fibra de vidro, ele carregava apenas o essencial para a sua subsistência: arroz, feijão e farinha (armazenados em garrafas pet), algumas mudas de roupa, barraca, colchão inflável, rede, duas panelas, um fogareiro, um facão, linhas de pesca e anzóis. O patrimônio conquistado até então ficava para trás, aos cuidados dos sete filhos.

Exatos 20 anos depois, seguindo um roteiro tão rico quanto fascinante, é possível dizer que o “velho do rio” — como ele passou a ser chamado, carinhosamente — navegou por verdadeiros oceanos de água doce do país, como os rios Negro, Amazonas, Tapajós, Madeira, Xingu, Araguaia, Tocantins, das Mortes, São Francisco, Jequitinhonha, etc. A marca de 60 mil km em navegação o credencia ao Guinness book, o famoso livro dos recordes. Porém, o mais importante para ele é levar às populações ribeirinhas uma mensagem de amor à natureza e de preservação ambiental.

“Todo o planeta terra está contaminado com o vírus da destruição e eu sou um ambientalista e defensor da natureza, defendo os recursos naturais em qualquer lugar que eu estou”, explica o “velho do rio”, como carinhosamente é chamado.

Foto: Aladir Murta navegando

Aladir Murta cruzou fronteiras com Peru, Colômbia e Paraguai, superou quedas d’água de 10 metros de altura e navegou os grandes rios São Francisco e das Velhas, três vezes cada um. Atingindo uma certa altura em sua expedição, o mineiro chegou a instalar no velho barco um pequeno motor de popa, mas logo deixou o propulsor de lado, por não se adaptar a esse tipo de tecnologia.

“Não uso mapas nem nada, vou perguntando para os ribeirinhos. Brinco com a fúria da natureza, mas sempre respeitando os limites do rio”, diz Aladir, que custeia a viagem com seu salário de aposentado.

Porém, nem tudo são águas calmas. Aladir já passou por vários apuros: naufragou, enfrentou tempestades, comeu peixe cru por uma semana, foi assaltado, quebrou os dois braços em uma descida de rio, pegou malária na Amazônia e, sem outra opção, teve que beber água do poluído Rio das Velhas. Certa vez, desmaiou de insolação em pleno Rio Madeira, sendo resgatado, por pura sorte, por uma patrulha da Marinha que passava pelo local.

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Por causa dessa aventura, ele se tornou ambientalista, e a cada cidade que passa dá palestras sobre o meio ambiente. Além disso, o jornalista Antoninho Rossini contou a sua história no livro Além dos Rios, lançado em 2009 pela Editora Tag&Line.

Depois de 20 anos, Aladir confessa que os braços estão começando a dar sinais de cansaço. Mas, garante que nunca vai interromper sua jornada aquática, por ter encontrado na navegação a sua verdadeira vocação. E pede: “Se um dia, por acaso, me encontrarem morto junto das águas, peço que não me tirem de lá, mas me enterrem na beira de um rio”.

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