Armazém Off Road exibe quadriciclo infantil e sucesso de vendas no Rio Boat Show

Loja expôs nove modelos, entre ATV e UTV, da distribuidora CFMoto

Por: Redação -
05/05/2024
Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

Não é segredo que os apaixonados por barcos costumam cultivar um segundo hobby: desfrutar de veículos off road. No Rio Boat Show 2024, uma das lojas que apresenta uma boa gama de opções é a Armazém Off Road, que levou ao evento náutico nove veículos da montadora CFMoto.

Segundo a empresa, os mais procurados são os quadriciclos, expostos em sete modelos diferentes no estande. Há, inclusive, uma opção elétrica para a criançada, contemplada pelo CFORCE 110, que conta com limitador de velocidade e ergonomia para os jovens pilotos.

CForce 110. Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

Tem bastante variedade. Estamos também com o 450 cilindradas, modelo de entrada usado pela Polícia Militar do Rio e pelos bombeiros do estado– ressalta Fabio Pena Vila, sócio da Armazém Off Road

Mas o maior destaque do estande é o CForce 520, o mais vendido da loja. Com rodas de liga leve, câmbio automático igual ao dos carros mais novos e direção elétrica, o modelo agrada por ser completo e oferecido em três cores: vermelho, azul metálico e laranja — esta última a queridinha dos clientes.

Esse ATV chega a 100 km/h. Tem pneu para andar na areia e no asfalto, com banco em concha justamente para apoiar a lombar e não deixar o passageiro escorregar. Tem também um belo bagageiro, além do baú– enumera Fabio

José Eduardo Sanche e Fabio Pena Vila. Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

O CForce 520 ainda atrai pela possibilidade de puxar lanchas de até 32 pés, a depender do terreno em que ela se encontra. Movido a gasolina, roda de 170 a 200 quilômetros, variando conforme o local.

 

Conforme explicado por Fabio, todos os modelos expostos no Rio Boat Show são os mesmos vendidos em outros continentes e vem com seta, buzina, retrovisor e acessório para rebocar jets.

CForce 520. Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

Rio Boat Show 2024

O evento náutico mais charmoso do Brasil já está acontecendo nas águas da Baía de Guanabara, na Marina da Glória, recheado do que de melhor esse lifestyle pode oferecer. No Rio Boat Show 2024, o público confere os principais lançamentos e destaques do mercado, com barcos na água e test-drive de embarcações.

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Foto: Victor Santos/Revista Náutica

O repertório é grande: lanchas, veleiros, iates, jets, motores, equipamentos, acessórios, decoração e serviços náuticos estão reunidos em um só lugar, ao lado de especialistas do setor, preparados para auxiliar todos os visitantes. Além disso, o Rio Boat Show exibe destinos náuticos, artigos de luxo e quadriciclos.

 

Com cerca de 70 embarcações sobre as águas da Baía de Guanabara, a expectativa é que o evento náutico reúna 30 mil visitantes entre os dias 28 de abril e 5 de maio.

Anote aí!

RIO BOAT SHOW 2024
Quando: De 28 de abril a 5 de maio;
Horário: De segunda à sexta-feira, das 15h às 22h | sábado e domingo, das 13h às 22h;
Onde: Marina da Glória (Av. Infante Dom Henrique, S/N, Glória);
Ingressos: site oficial de vendas
Mais informações: rioboatshow.com.br.

 

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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