Navio de cruzeiro fica preso na Irlanda por 4 meses e passageiros anunciam casamento
O cruzeiro Villa Vie Odyssey, de três anos ao redor do mundo, ficou parado na Irlanda do Norte por quatro meses para reparos. Para muitos, o cenário foi uma verdadeira catástrofe, mas para Gian Perroni, 62, e Angela Harsany, 53, passageiros da aventura, foi o início de algo que promete durar por muito mais que 36 meses no mar.
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As paisagens de Estocolmo e o charme de Paris foram trocados temporariamente pelos castelos normandos e os vales glaciais da Irlanda do Norte — mais precisamente, na cidade de Belfast, capital do país — , enquanto o Villa Vie Odyssey, navio que levaria seus passageiros para explorarem o mundo, passava por problemas mecânicos em seus lemes e nas caixas de câmbio.


Ironicamente ou não, Belfast é a cidade onde foi construído o RMS Titanic, navio que naufragou logo em sua viagem inaugural, em 1912. A associação dessa história com Angela e Gian, contudo, passou longe da tragédia, e seguiu mar adentro rumo ao romance de Rose e Jack — desta vez, com bastante espaço na porta.
Isso porque, enquanto o cruzeiro Villa Vie Odyssey estava distante de explorar seus prometidos mais de 400 destinos, os passageiros do navio foram transferidos para hotéis locais, onde aproveitaram Belfast e seus arredores. Entre eles, estavam Angela, de Colorado, nos Estados Unidos, e Gian, um canadense morador da Costa Rica.


O casal se conheceu logo no primeiro dia da “permanência forçada”, e como contou Angela ao The Guardian, começaram a “caminhar juntos para o navio todos os dias”, um percurso que, segundo ela mesma, durava cerca de uma hora.
Entre idas e vindas do navio, ambos logo perceberam que tinham muito em comum, e que, uma hora juntos podia já não ser mais tempo suficiente para a conexão dos dois.
Descobrimos que definitivamente tínhamos muito mais em comum e queríamos ser mais do que amigos– contou Angela ao The Guardian
Um anel de turmalina rosa e duas tatuagens combinando depois, o casal já planejava o casamento a bordo na próxima primavera, período em que é esperado que o navio navegue entre o Canal do Panamá e a antiga casa de Perroni, na Costa Rica.
A ideia é Angela e sua irmã, Lisa — que se juntou à viagem depois do encontro do casal — , dividam a mesma cabine. Isso porque o plano, antes de um casamento estar à vista, era realizar uma “viagem de garotas”.


“Uma parte que eu realmente amo sobre Gian é que isso não o incomoda nem um pouco. Ele realmente respeita que esta é uma viagem de garotas, e é para isso que eu vim aqui — e é bem difícil encontrar um homem aberto o suficiente para isso quando ele se casa”, destacou ela ao The Guardian.
Enquanto alguns passageiros ficaram desapontados pela perda de parte da viagem no Villa Vie Odyssey, Angela e Gian celebram o início de uma nova vida.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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