Parque arqueológico da Itália guarda resquícios de cidade romana submersa

O Parque Arqueológico Subaquático de Baia fica na cênica Baía de Nápoles, na Itália

Por: Redação -
23/12/2022

A  Itália, lar do antigo Império Romano, guarda resquícios preciosos desse período da história, mas nenhum como o Parque Arqueológico Subaquático de Baia, a 25 km de Nápoles, uma área marinha protegida no sul do país.

Cidade turística por séculos, Baia atendia aos caprichos recreativos dos ricos e poderosos da elite romana, de 100 a.C. a 476 d.C.

 

Localizada sobre aberturas vulcânicas naturais, a cidade era famosa por suas fontes termais medicinais e clima ameno que atraíram algumas das figuras mais poderosas da antiguidade, como Nero, Cícero, Júlio César e Marco Antônio.

Vários deles construíram luxuosas casas de veraneio com direito a termas e piscinas com mosaicos de azulejos, como o imperador Adriano, que morreu ali em 138 d.C.

 

“Temos vestígios de enormes salas luxuosas que devem ter recebido festas contínuas”, disse o arqueólogo Enrico Gallochio. “Você pode imaginar que, durante as férias de verão, este era um lugar de autoindulgência, onde a nobreza romana podia enlouquecer.”

 

Mais de 2 mil anos atrás, Baia era um balneário festivo, onde os romanos podiam satisfazer seus desejos mais selvagens. Um de seus moradores teria criado um santuário dedicado às ninfas, uma gruta privativa cercada de estátuas de mármore, voltado aos prazeres mundanos.

Localizada nas encostas do Campi Flegrei, a “terra em chamas” grega que abriga o grande vulcão que passou pelo fenômeno do bradissismo — lento movimento da crosta terrestre que faz com que o solo se mova para cima ou para baixo.

 

Graças a esse fenômeno, grande parte de Baia foi perdida para o mar ao longo dos séculos, submergindo todas as edificações ali construídas, lugares de grande importância na época romana, quando Pozzuoli era a cidade comercial mais famosa; Baia, destino de veraneio, e Miseno, a sede da frota militar.

 

O que hoje é o Parque Arqueológico Subaquático de Baia foi visto pela primeira vez na década de 1940, quando um piloto da força aérea italiana que sobrevoava o local tirou fotos aéreas da cidade em ruínas, onde estradas, paredes e colunas de mármore ainda podiam ser identificadas.

As escavações só começaram nos 1960, quando autoridades italianas enviaram um submarino para analisar os fragmentos da cidade que permaneciam debaixo d’água.

 

E o que eles descobriram foi fascinante. Desde a época romana, a pressão subterrânea fez com que as terras que rodeavam Baia emergissem e afundassem constantemente, empurrando as ruínas antigas para cima, em direção à superfície do mar, antes de engoli-las lentamente mais uma vez.

 

Somente em 2002, o sítio arqueológico subaquático foi formalmente classificado como área de proteção e aberto ao público. Desde então, a tecnologia 3D e outros avanços da arqueologia submarina permitiram olhar a fundo para esse capítulo da antiguidade.

Mergulhadores, historiadores e fotógrafos conseguiram registrar diferentes estruturas submersas, incluindo o famoso Templo de Vênus — uma sauna, na verdade —, descobertas que sugerem as diversões na Roma antiga.

 

Devido à ondulação da crosta terrestre, as ruínas se encontram, na verdade, em águas relativamente rasas, com uma profundidade média de 6 metros, permitindo que os visitantes vejam algumas das estruturas submersas a bordo de um barco “panorâmico” com fundo de vidro, mergulho com snorkel ou submarino em torno da cidade imersa no mar Tirreno.

 

Área marinha protegida desde 2002, na cidade subaquática de 1.768 m² é possível mergulhar entre os antigos pilares do Porto Giulio, entre as esplêndidas muralhas da Villa dei Pisoni, entre os restos do palácio imperial do imperador Cláudio, onde há uma estrada pavimentada de quase 200 m, explorar a Villa do Protiro com seu grande piso de mosaico geométrico preto e branco,  testemunhar a atividade vulcânica, uma espécie de jacuzzi natural com bolhas de gás escapando continuamente na Secca delle fumose, visitar o tanque de peixes, ver os mosaicos ainda intactos, todos cercados por nuvens de peixes.

Além de muitas estátuas como as de Cláudia Otávia (filha do imperador Cláudio) e Ulisses, que sinalizam a entrada das grutas submarinas, com seus braços estendidos cobertos de crustáceos.

 

Há também muito para ver na superfície. Muitas das esculturas submersas são, na realidade, réplicas. Os originais podem ser encontrados no topo da colina, no Castelo de Baia, onde a Superintendência Arqueológica da Campânia administra um museu com as relíquias recuperadas do mar.

 

Muitas ruínas estão localizadas nas proximidades do Parque Arqueológico das Termas de Baia, parte da cidade antiga que ainda se mantém acima do nível do mar.

É possível observar nessa área restos de terraços feitos com mosaicos e construções semelhantes a cúpulas, que constituem o Templo de Mercúrio, com uma piscina; o Templo de Vênus, em forma octogonal, com oito grandes janelas em arco e varanda com vista para a piscina; e o Templo de Diana, que foi usado para banhos termais.

 

Perto do parque, encontra-se a moderna Baia, à sombra de sua antiga grandiosidade. Atualmente, a costa, que era salpicada de mansões e casas de banho, possui uma pequena marina, um hotel e um punhado de restaurantes de frutos do mar, todos localizados em uma estrada estreita que segue para o nordeste, em direção a Nápoles.

 

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