Como funciona o rigoroso teste em piscina das lanchas Sessa Marine

09/04/2020

Entramos na linha de produção da Sessa Marine e revelamos como funciona o rigoroso teste de piscina, última etapa antes da entrega técnica para o cliente

NÁUTICA visitou a fábrica da Intech Boating, em Palhoça, Santa Catarina, para acompanhar o processo de montagem das lanchas Sessa Marine. Como era de se esperar, cada etapa da produção passa por um rigoroso controle de qualidade, para que tudo fique perfeito — dentro e fora do barco.

A última fase, já com todas as instalações elétricas testadas, reserva uma surpresa para quem não está habituado à rotina de um estaleiro: o barco é içado por um elevador e colocado em uma piscina de testes. Detalhe: no caso das instalações da Sessa Marine, essa piscina é enchida com água captada da chuva, e serve também como um reservatório estratégico, a ser usado pela equipe de segurança em caso de incêndio.

O teste de piscina, aliás, é uma fase importante do processo, em que os motores, os hélices e as instalações são rigorosamente checados e testados.

Antes que os motores sejam ativados e acionados, mas já com a lancha na piscina, são realizados diversos procedimentos: da atualização dos softwares à configuração dos flapes e do power trim, passando pelo alinhamento da rabeta IPS, pela verificação dos líquidos dos motores e pela instalação do gerador, dos chicotes elétricos, das mangueiras e das abraçadeiras, entre outros itens.

 

Também são conferidas as instalações e o funcionamento de:

  • Bombas de porão, quadro de alarme de bombas e posição das válvulas anti retorno

  • Abertura e fechamento de registros gerais + aterramento

  • Conferência do estado dos filtros de água do ar e gerador + aterramento

  • Conferência do funcionamento do sistema do banheiro + aterramento

  • Verificação do painel de disjuntores da linha 12 v e 220 v

Feito isso, tem início o teste de águas confinadas. Em primeiro lugar, os técnicos da Intech Boating verificam se existem infiltrações tanto abaixo quanto acima da linha d’água e checam se não há entupimento ou vazamento nos ralos.

Em seguida, vem o teste dos motores. Antes de acioná-los, os técnicos verificam:

  • Os tanques de combustível estão abastecidos com diesel S10?

  • Tudo certo com a linha geral de combustível?

  • Foi feito o sangramento da linha geral de combustível?

Já com os motores ligados, são duas horas de testes, período em que os técnicos, depois de sangrar o sistema de direção com óleo ATF, conferem:

  • se não existem vazamentos;

  • se não existem infiltrações;

  • o funcionamento dos relógios dos postos de comando interno e do flybridge;

  • o funcionamento do boiler mecânico (registros);

  • o funcionamento dos acessórios;

  • a configuração das unidades eletrônicas da mesma linha dos motores;

  • a calibração de piloto automático (quando em entregas na região sul).

Durante os testes dos motores, se houver algum problema relacionado ao funcionamento de componentes, os responsáveis se encarregam de resolvê-lo. Da mesma forma, se houver alguma falha de montagem, a produção é acionada e o defeito é corrigido antes do término do teste.

Barco liberado? Ainda não. O desbloqueio depende da aprovação de uma série de outros itens. Apenas o teste do gerador exige outras duas horas, com avaliação da linha 220 v.

Nessa fase, verifica-se o funcionamento do carregador de baterias, do inversor, do painel de disjuntores, dos aparelhos de ar-condicionado, da churrasqueira, dos fogões, micro-ondas, tv, dvd, carregador de celular, aquecedor de água, etc.

Também são avaliados os componentes 12 V (vhf, sonda, gps, radar, plataforma hidráulica, flapes, guincho, luzes, etc.) E ainda tem o ckeck list final de qualidade, com a troca de componentes defeituosos, ajustes e a verificação visual do estado do gelcoat e da pintura de componentes.

O método impressiona, dá segurança, e permite seguir ao próximo passo: o teste de navegação e, enfim, a entrega técnica para o cliente.

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