Polvo ganha “9º braço” após disputa; estudo mostra como novo membro toma consciência
Pesquisa analisou o processo de adaptação do animal a partir da captura de 24 vídeos e quase 6 mil fotos


Os polvos têm uma conhecida capacidade de regeneração de seus tentáculos, que “nascem” novamente após serem feridos. Contudo, por vezes esses membros se partem em dois, dando ao animal um “9° braço”. Nesses casos, ainda era um mistério para os cientistas como o novo tentáculo ganha consciência e como o animal se adapta a ele — mas um novo estudo parece ter desvendado esse enigma.
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Um polvo-comum (Octopus vulgaris) jovem, que vive na ilha de Ibiza, na Espanha, sofreu ferimentos em seus tentáculos após uma provável disputa contra um predador. Como o esperado, os “braços” se regeneraram. Um deles, contudo, acabou se partindo ao meio nesse processo, dando ao animal dois novos tentáculos menores.
Para estudar como esses novos órgãos tomam consciência e como o polvo se adapta a eles, pesquisadores observaram o animal em detalhes, a partir da captura de 24 vídeos e quase 6 mil fotos. Os resultados foram compartilhados na revista Animals.


A princípio, os estudiosos observaram que o polvo não fazia o uso dos novos tentáculos, especialmente em situações de risco, provavelmente como uma resposta pós-traumática à lembrança da dor. Ao invés disso, o animal optava por enrolar os membros sob o corpo, ou realizar outros comportamentos não agressivos.
Aqui, vale ressaltar que os tentáculos dos polvos podem tomar decisões de forma independente do cérebro, atuando como sistemas nervosos descentralizados. É como se cada tentáculo possuísse seu próprio conjunto de neurônios e sensores, permitindo reações naturais a estímulos ambientais, sem um comando direto do cérebro.
Com o passar do tempo, os especialistas puderam notar que os braços divididos foram assumindo tarefas mais perigosas ao passo que ficavam mais fortes, como sondar e envolver objetos, ou até mesmo atacar presas.
Esse processo revela que as ações independentes dos tentáculos se estendem também aos braços bipartidos, que vão tomando forma conforme o animal vai se recuperando das lesões sofridas, atribuindo ao “novo braço”, também, novas funções.
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