Polvo ganha “9º braço” após disputa; estudo mostra como novo membro toma consciência

Pesquisa analisou o processo de adaptação do animal a partir da captura de 24 vídeos e quase 6 mil fotos

17/06/2025
Foto: MDPI / Animals / Reprodução

Os polvos têm uma conhecida capacidade de regeneração de seus tentáculos, que “nascem” novamente após serem feridos. Contudo, por vezes esses membros se partem em dois, dando ao animal um “9° braço”. Nesses casos, ainda era um mistério para os cientistas como o novo tentáculo ganha consciência e como o animal se adapta a ele — mas um novo estudo parece ter desvendado esse enigma.

Um polvo-comum (Octopus vulgaris) jovem, que vive na ilha de Ibiza, na Espanha, sofreu ferimentos em seus tentáculos após uma provável disputa contra um predador. Como o esperado, os “braços” se regeneraram. Um deles, contudo, acabou se partindo ao meio nesse processo, dando ao animal dois novos tentáculos menores.

 

Para estudar como esses novos órgãos tomam consciência e como o polvo se adapta a eles, pesquisadores observaram o animal em detalhes, a partir da captura de 24 vídeos e quase 6 mil fotos. Os resultados foram compartilhados na revista Animals.

Imagem do estudo mostra a terminologia dos tentáculos, com os novos membros destacados em laranja. Foto: Reprodução

A princípio, os estudiosos observaram que o polvo não fazia o uso dos novos tentáculos, especialmente em situações de risco, provavelmente como uma resposta pós-traumática à lembrança da dor. Ao invés disso, o animal optava por enrolar os membros sob o corpo, ou realizar outros comportamentos não agressivos.

 

Aqui, vale ressaltar que os tentáculos dos polvos podem tomar decisões de forma independente do cérebro, atuando como sistemas nervosos descentralizados. É como se cada tentáculo possuísse seu próprio conjunto de neurônios e sensores, permitindo reações naturais a estímulos ambientais, sem um comando direto do cérebro.


Com o passar do tempo, os especialistas puderam notar que os braços divididos foram assumindo tarefas mais perigosas ao passo que ficavam mais fortes, como sondar e envolver objetos, ou até mesmo atacar presas.

 

Esse processo revela que as ações independentes dos tentáculos se estendem também aos braços bipartidos, que vão tomando forma conforme o animal vai se recuperando das lesões sofridas, atribuindo ao “novo braço”, também, novas funções.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Maior espécie de raia no mundo é vista no litoral de SP e catalogada por especialistas

    Com quase 6 metros de envergadura, fêmea surpreendeu equipe do Projeto Mantas do Brasil em Itanhaém, na Baixada Santista

    Governo de São Paulo abre consulta pública para plano inédito de combate ao lixo no mar

    Iniciativa pretende enfrentar a poluição marinha e criar soluções ambientais duradouras. Sugestões podem ser enviadas até o dia 15 de maio

    Kiaroa Residence & Marina: a peróla de Maraú

    Com marina privativa para até 60 barcos, infraestrutura moderna, heliponto e um dos lugares mais exclusivos da Península de Maraú, no sul da Bahia, o Kiaroa Residence & Marina é o novo refúgio de alto padrão das águas

    Volvo Penta equipará a primeira balsa elétrica de passageiros da Austrália

    Embarcação vem sendo construída pela Aus Ships em Brisbane e a previsão é que comece a operar comercialmente no início de 2027

    Após 25 anos, pesquisadores se emocionam ao revisitar recife artificial que revitalizou fundo do mar no PR

    Projeto iniciado em 2001 buscou repovoar a vida marinha em Pontal do Sul. Resultado superou expectativas, com retorno de peixe criticamente ameaçado de extinção