Corais do litoral de SP têm capacidade surpreendente de retenção de carbono, aponta pesquisa
Corais-cérebro analisados retêm anualmente cerca de 20 toneladas de carbono


A ciência brasileira tem mais um motivo para comemorar. Um novo estudo revelou que um tipo de coral encontrado no litoral de São Paulo têm uma capacidade impressionante de reter carbono — e não por pouco tempo. Essa retenção pode se estender por séculos e talvez até milênios.
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A descoberta foi feita por pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha da Universidade Federal de São Paulo (LABECMar/Unifesp), que analisaram recifes de corais-cérebro (Mussismilia hispida) na região de Alcatrazes, no litoral norte paulista.


O resultado, nas palavras da própria equipe, foi “surpreendente“. Os corais estudados produzem, por ano, cerca de 170 toneladas de carbonato de cálcio (CaCO₃). Isso equivale à fixação de aproximadamente 20 toneladas de carbono anualmente — um número bastante significativo.


Para se ter ideia, essa quantidade de carbono corresponde às emissões geradas pela queima de 324 mil litros de gasolina. Mas o destaque não para por aí.
Diferente do carbono orgânico capturado pela fotossíntese — que pode voltar à atmosfera em pouco tempo — , o carbonato de cálcio formado pelos corais é uma estrutura mineral estável. Isso significa que o carbono ali presente pode ficar preso por centenas ou até milhares de anos. Um verdadeiro cofre climático natural.


Com isso, os pesquisadores reforçam o papel vital dos ecossistemas marinhos como aliados no combate às mudanças climáticas. Medir e entender processos naturais como esse abre caminho para soluções inovadoras em sustentabilidade.
Simples, natural e eficaz. Os corais-cérebro podem ajudar no desenvolvimento de modelos de negócios com baixa emissão de carbono e agora nos relembraram que o oceano tem muito a ensinar quando se trata de cuidar do planeta.
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