Corais do litoral de SP têm capacidade surpreendente de retenção de carbono, aponta pesquisa

Corais-cérebro analisados retêm anualmente cerca de 20 toneladas de carbono

Por: Nicole Leslie -
05/06/2025
Estudo descobre capacidade surpreendente de retenção de carbono em coral encontrado no litoral de SP. Foto: Prof. Dr. Guilherme Pereira-Filho / Reprodução

A ciência brasileira tem mais um motivo para comemorar. Um novo estudo revelou que um tipo de coral encontrado no litoral de São Paulo têm uma capacidade impressionante de reter carbono — e não por pouco tempo. Essa retenção pode se estender por séculos e talvez até milênios.

A descoberta foi feita por pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha da Universidade Federal de São Paulo (LABECMar/Unifesp), que analisaram recifes de corais-cérebro (Mussismilia hispida) na região de Alcatrazes, no litoral norte paulista.

Estruturas internas do coral-cérebro são feitas principalmente de carbonato de cálcio, apontou o estudo. Foto: Prof. Dr. Guilherme Pereira-Filho / Reprodução

O resultado, nas palavras da própria equipe, foi “surpreendente“. Os corais estudados produzem, por ano, cerca de 170 toneladas de carbonato de cálcio (CaCO₃). Isso equivale à fixação de aproximadamente 20 toneladas de carbono anualmente — um número bastante significativo.

Amostras de corais foram submetidos à tomografia computadorizada para que estrutura interna fosse revelada. Foto: Prof. Dr. Guilherme Pereira-Filho / Reprodução

Para se ter ideia, essa quantidade de carbono corresponde às emissões geradas pela queima de 324 mil litros de gasolina. Mas o destaque não para por aí.


Diferente do carbono orgânico capturado pela fotossíntese — que pode voltar à atmosfera em pouco tempo — , o carbonato de cálcio formado pelos corais é uma estrutura mineral estável. Isso significa que o carbono ali presente pode ficar preso por centenas ou até milhares de anos. Um verdadeiro cofre climático natural.

Pesquisa analisou recife de corais da região de Alcatrazes, no litoral norte paulista. Foto: Prof. Dr. Guilherme Pereira-Filho / Reprodução

Com isso, os pesquisadores reforçam o papel vital dos ecossistemas marinhos como aliados no combate às mudanças climáticas. Medir e entender processos naturais como esse abre caminho para soluções inovadoras em sustentabilidade.

 

Simples, natural e eficaz. Os corais-cérebro podem ajudar no desenvolvimento de modelos de negócios com baixa emissão de carbono e agora nos relembraram que o oceano tem muito a ensinar quando se trata de cuidar do planeta.

 

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