“Por uma Cidade Navegável” convida a população de São Paulo a navegar pelo Rio Pinheiros


Uma iniciativa que tem como objetivo conscientizar a população e a opinião pública sobre os benefícios de recuperar os rios urbanos, esta é a ação Por uma Cidade Navegável. Criada em 2011 pelo São Paulo Boat Show, maior salão náutico indoor da América Latina, como uma campanha de conscientização pela despoluição dos rios da cidade, que inspira a sociedade a contribuir evitando jogar lixo nas ruas e diretamente nas águas.
Esta é a 4ª edição da ação Por uma Cidade Navegável. Na 1ª e 2ª edição, em setembro de 2011 e setembro de 2012 respectivamente, o projeto foi realizado com a proposta de uma disputa entre uma lancha que navegou pelo Rio Tietê e um carro pela Marginal em horário de pico de trânsito na cidade. Como era esperado, a lancha não completou o percurso devido à quantidade de lixo que travou os motores nos primeiros minutos. Na 3ª edição, realizada em setembro de 2014, a Por uma Cidade Navegável levou ao Rio Tietê um ônibus anfíbio com diversos ex-atletas que haviam participado de competições de remo e natação que ocorriam na década de 40 no Rio Tietê, quando a população podia desfrutar do mesmo com práticas desportivas.
A 4ª edição, que acontecerá no dia 12 de setembro, em dois horários 7h30 e 12h00, a ação convida a população para uma vivência de navegação pelo Rio Pinheiros. Serão dois tours realizados com conforto e segurança por 6 km do Rio Pinheiros (entre o Projeto Pomar e a Usina de Traição) por um barco fornecido pelo São Paulo Boat Show, similar aos passeios turísticos que ocorrem em locais como Paris, Londres e outras que despoluíram seus rios e canais.
Para participar, a população deve se inscrever por meio do Facebook enviando uma mensagem Inbox na página com o nome completo, e-mail, telefones fixos e celular, profissão e respondendo a frase – Por que você quer navegar no Rio Pinheiros? Serão escolhidas as 20 primeiras mensagens que chegarem das 10h00 do dia 06/09/2019 às 10h00 do dia 09/09/2019. O nome dos escolhidos será divulgado nas redes sociais do evento: Facebook, Instagram e LinkedIN.
“Sem a ajuda da população, qualquer projeto de recuperação dos rios estará sempre ameaçado. Locais como Londres, Coréia, França e Buenos Aires, que tiveram êxito ou estão em processo de despoluição de seus principais rios integram a população aos mesmos”, diz Ernani Paciornik, publisher da revista Náutica e organizador do São Paulo Boat Show.
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O São Paulo Boat Show 2019 acontecerá de 19 a 24 de setembro no São Paulo Expo, reunindo os mais recentes lançamentos e destaques do setor em um só lugar. Como já é tradição, o Espaço dos Desejos traz os lançamentos dos produtos mais cobiçados do mercado de luxo, de relógio a helicóptero.
No pavilhão Destinos Náuticos, os visitantes poderão conhecer lugares paradisíacos e participar de um bate papo com velejadores sobre suas viagens incríveis. Por mais um ano, o PADI Dive Festival acontecerá simultaneamente ao São Paulo Boat Show, apresentando produtos, serviços, palestras e atrações voltadas para o mergulho. O São Paulo Boat Show traz, ainda, a mostra Tesouros Náuticos, com mais de 20 barcos clássicos, entre lanchas e veleiros, para o público conhecer e se encantar.
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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