Economia do mar impulsiona Santa Catarina com 240 mil empregos e 23 mil empresas
Estado concentra mais de 20% da força de trabalho do setor no Brasil; confira mais números trazidos em palestra do NÁUTICA Talks


Que Santa Catarina é um polo náutico forte todo mundo sabe. Mas, às vezes, pode ser interessante olhar para os números, que ilustram bem o que os olhos veem. Foi isso que Lucas Amancio, secretário-adjunto de Estado do Planejamento, fez questão de mostrar no NÁUTICA Talks, realizado dentro do JAQ H1 (barco-escola movido a hidrogênio), durante o Marina Itajaí Boat Show.
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Os dados exibidos à plateia não tinham como ser mais animadores: Santa Catarina concentra mais de 20% dos empregos da economia do mar no Brasil, consolidando-se como um dos principais polos nacionais das atividades ligados ao oceano.


Conforme apresentado durante a palestra, o setor reúne cerca de 240 mil trabalhadores formais, mais de 23 mil empresas e movimenta uma massa superior a R$ 1,15 bilhão. “Isso mostra toda a potencialidade que o estado possui”, afirma Amancio.
Quando falamos de economia do mar, o secretário esclarece: estamos falando, resumidamente, de todas as atividades econômicas relacionadas ao espaço oceânico, incluindo estaleiros, portos, pesca, transporte marítimo, logística e a indústria de apoio.


Pensando nisso, o impacto vai além do número de empresas — 23 mil, vale lembrar, quantidade essa que já é alta. De acordo com os dados apresentados, o segmento foi responsável por 12,9% do saldo de empregos gerados em Santa Catarina, o que demonstra sua importância para a economia estadual.
Somente em fevereiro de 2026, a economia do mar registrou 1.929 novos postos de trabalho. Dentro disso, os maiores setores geradores de emprego formal, segundo Amancio, são:
- Armazenagem em carga e descarga: 1744;
- Manutenção e reparação de máquinas e equipamentos: 1216;
- Fabricação de outros produtos alimentícios: 927.
Além disso, a apresentação também mostrou que as regiões litorâneas concentram a maior parcela dos empregos do setor, com destaque para a Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (AMFRI) e a Grande Florianópolis. Ele explica:
Cada parte do estado tem uma expoente na economia de algum setor: no Oeste, agrícola; no Norte, metal mecânica; no litoral, a parte pesqueira; e no Sul, parte cerâmica e carvoeira– compartilhou o secretário
Segundo o levantamento, 45% dos empregos da economia do mar estão na indústria, evidenciando a força da cadeia produtiva instalada no estado.
Santa Catarina em destaque
Além da geração de empregos, Santa Catarina ocupa posições de destaque em diferentes segmentos ligados ao ambiente marítimo. O estado lidera o país na preservação e processamento de pescado, aparece em segundo lugar na fabricação de motores, bombas e compressores e ocupa a terceira posição nas atividades de armazenagem, carga e descarga.


Para Amancio, esses indicadores reforçam a necessidade de produzir dados específicos sobre a economia do mar para orientar políticas públicas e novos investimentos. “Quando estratificamos os dados, sabemos onde investir, onde colocar força e onde expandir.”


O Governo de Santa Catarina também apresentou os principais investimentos previstos para fortalecer a infraestrutura ligada ao mar.
Entre eles estão R$ 100 milhões destinados ao Programa Pescados SC, além de R$ 424 milhões em projetos voltados ao sistema portuário, incluindo aproximadamente R$ 3,9 milhões para a dragagem do canal do Porto de Itajaí e outros R$ 2,5 milhões em Laguna.
Outro destaque é a previsão de um investimento de cerca de R$ 3 bilhões da Coamo para implantação de um novo porto até 2027. Com isso, Santa Catarina deverá passar a contar com oito portos de grande porte.
Santa Catarina será o estado com o maior número de portos de grande porte do Brasil, mostrando mais uma vez a força da nossa economia– destacou Amancio


Na apresentação, Amancio ressaltou que o levantamento da economia do mar servirá como base para o planejamento estadual, permitindo direcionar investimentos para setores com maior potencial de crescimento e geração de empregos.
O Governo não tem todas as respostas, mas ele busca ir ao encontro de quem utiliza os dados, de quem empreende, para que esses dados sejam muito bem utilizados e sejam realmente validados– contou na palestra
Para ele, o objetivo é fortalecer uma atividade que já ocupa posição estratégica na economia catarinense e tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos com a expansão da infraestrutura portuária, da indústria marítima e da cadeia produtiva ligada ao oceano.
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