“Pipa” que reboca navios e promete economia de 10% no combustível passa por testes

Criada pela francesa Airseas, startup da Airbus, tecnologia batizada de Seawing foi comprada por gigante japonesa em 2024

28/09/2025
Foto: Instagram @airseas_tech / Reprodução

Uma espécie de pipa que aproveita a força do vento para rebocar navios ao passo que economiza combustível. Essa é a premissa do Seawing, mecanismo da francesa Airseas — quase uma startup da Airbus — que ganhou as manchetes em meados de 2018. Em 2024, o sistema foi adquirido pela japonesa K Line e, agora, está pronto para sua segunda fase de testes.

E se você está se questionando o por que não teve essa ideia antes, saiba que o Seawing vai muito além do que parece, a começar pelo tamanho da “pipa”.

 

A superfície vélica tem nada menos que 1.000 m² e é controlada por meio de um painel de controle no posto de comando. Por meio de um botão, o planador é lançado, desenrolado e operado de maneira automatizada.

O Seawing segue a lógica das embarcações a vela, mas usa uma “asa” ao estilo parapente. Foto: Instagram @airseas_tech / Reprodução

Para isso, o mecanismo conta com um mastro, carrinhos, guinchos e uma área de armazenamento. Funciona assim: o sistema de carrinho libera a asa do seu local de armazenamento antes de ser inflada no topo do mastro para a decolagem.

 

A asa, por sua vez, é conectada a uma “cápsula” de controle de voo, este, conectado à embarcação por um cabo — de modo a transmitir tração enquanto transfere dados continuamente enriquecidos para aprimorar o desempenho do Seawing.

Foto: Instagram @airseas_tech / Reprodução

Durante o voo, a asa é direcionada automaticamente, visando maximizar a potência do sistema e garantir a segurança. Ao fim do uso, o Seawing é também dobrado e guardado de forma automatizada, sem necessidade de intervenção da tripulação.

Como andam os testes do Seawing

Era ainda 2017 quando a Airbus passou a investir na Airseas. No ano seguinte, ambas assinaram um contrato para um Seawing de 500 m² para equipar o Ville de Bordeaux, um navio da Louis Dreyfus Armateurs que transportava peças do A320 (uma família de aeronaves) para os Estados Unidos.

Foto: Instagram @airseas_tech / Reprodução

Em 2019, a empresa francesa assinou outro contrato, desta vez, com uma gigante japonesa da navegação, a Kawasaki Kisen Kaisha (K Line). A ideia era que a Airseas equipasse um de seus navios com o futuro Seawing padrão.

 

Pós-pandemia, em 2021, a Airseas finalizou a construção do primeiro Seawing para o navio Bordeaux, ao passo que, em 2022, começou seus primeiros testes em larga escala, até ser oficialmente adquirida pela K Line por meio da francesa Oceanicwing, em 2024.


Já como parte da empresa japonesa, a primeira fase dos testes foi concluída neste ano, durante o verão do Hemisfério Norte. A Oceanicwing, que realizou a ação, operou em terra com uma pipa menor, de 300 m². Até o momento, a K Line confirma que o Seawing poderá levar, no mínimo, a uma redução de 10% no consumo de combustível.

Foto: Instagram @airseas_tech / Reprodução

A empresa estima que os testes sejam concluídos em dois anos, sendo que a segunda fase, prevista para 2025, contará com uma pipa maior e, eventualmente, se expandirá para demonstrações em alto-mar em um grande graneleiro.

 

Se tudo correr bem, o Seawing deverá estar pronto para implantação comercial em 2027 em conjunto com combustíveis alternativos, como GNL, visando reduzir ainda mais o consumo de combustível e os níveis de emissão associados ao transporte marítimo.

 

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