Superesportiva da Mercedes e Cigarette alia alto desempenho, requinte e tecnologia

Por: Redação -
18/06/2019

Em um “casamento” de alta performance, a americana Cigarette Racing e a alemã Mercedes-AMG trocaram alianças 12 anos atrás, com a promessa de gerar frutos a cada ano, a ser apresentados ao público durante o Miami Boat Show. Desde então, corações disparam e a ansiedade toma conta dos admiradores das duas marcas toda vez que a feira náutica abre as portas.

Não é para menos. Nos EUA, essas máquinas de aparência arrojada, com grande aerodinâmica, usadas para passeio ou competições em alto-mar, têm uma legião de aficionados. Neste ano, a parceria (ou melhor, o relacionamento) gerou o 11º fruto: a lancha 41 AMG Carbon Edition, de 41 pés, um foguete oceânico com quatro motores Mercury Racing 400 Verado, de 400 hp cada (isso mesmo, 1 600 cavalos de potência), programados para atingir impressionantes 72 nós.

Tanto o sedã quanto a lancha abusam no uso de telas. O painel de comando de ambos tem a quantidade de tecnologia que se pode esperar de um projeto assim

Nessa velocidade, a lancha de US$ 850 mil pode transportar 8 pessoas. Já na velocidade de cruzeiro, é possível acomodar até 20 pessoas em assentos batizados de Cigarette Cool, projetados para refletir até 30% do calor absorvido. Essa tecnologia permitiu a escolha de cores mais escuras nos estofamentos.

Inspirada no sedã esportivo de quatro-portas Mercedes-AMG GT 63 S, a 41 AMG Carbon Edition nasceu bonita e com muitos pontos altos, além da promessa de uma velocidade espantosa. Como o nome sugere, a fibra de carbono ganha especial destaque. Todo o convés foi construído com esse material leve e resistente, para reduzir o peso e o centro de gravidade da lancha. O componente usado para fabricar os foguetes da Nasa também é usado na estrutura do casco (sanduíche de fibra de carbono), no revestimento de cabine e na escotilha do motor.

As cores do casco evocam o carro em que foi inspirado, o Mercedes-AMG GT 63 S,
um esportivo familiar rápido e elegante

LEIA TAMBÉM
>>Boeing 747 afunda para virar ponto de mergulho no Bahrein
>>Carro-chefe da divisão de superiates da Riva tem estreia mundial em Veneza
>>Incêndio atinge marina em Porto Alegre

O painel de comando tem tanta tecnologia quanto se pode esperar de um projeto desse nível, com nada menos que três telas de 17 polegadas, nas quais o comandante acompanha rigorosamente tudo a bordo, dos gráficos de navegação aos dados sobre os motores; das coordenadas do gps à iluminação dos ambientes.

 

O design gráfico do casco foi inspirado no logotipo do AMG, que representa uma mistura de esportividade e conforto. Os detalhes do interior — grades de alto-falante decorativas, telas de instrumentação e iluminação ambiente — também refletem sinais dos sedãs de luxo da Mercedes, assim como o hard-top, superleve, que abaixa o centro de gravidade e melhora a aerodinâmica da embarcação.

Os assentos externos da Cigarette foram projetados para refletir até 30% do calor absorvido, o que permitiu a escolha de cores mais escuras nos estofamentos

As cores usadas na lancha (cinza-grafite fosca e vermelha brilhante) evocam o carro em que foi inspirado, o Mercedes-AMG GT 63 S, essencialmente um esportivo familiar rápido e elegante, na versão quatro portas. Aliás, falando no sedã alemão, que passou a ser vendido no Brasil desde o fim do ano passado, não espere encontrar neste lançamento da Mercedes uma simples versão quatro portas adaptada do AMG GT.

Toda a estrutura foi trabalhada do zero para garantir máxima segurança e, é claro, alto desempenho. O motor do carro — um V8 4.0 biturbo com injeção direta de combustível e 32 válvulas — tem avassaladores 639 hp! De acordo com a Mercedes, o esportivo é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em míseros 3,2 segundos, podendo atingir 315 km/h de velocidade máxima. Resumindo: duas máquinas ferozmente rápidas e impressionantes. Isso é o que se pode chamar de casamento feliz!

O design gráfico do casco da
cigarette foi inspirado no logotipo
AMg, que une esportividade e conforto

Receba notícias de NÁUTICA no WhatsApp. Inscreva-se!

Quer conferir mais conteúdo de NÁUTICA?
A edição deste mês já está disponível nas bancas, no nosso app
e também na Loja Virtual. Baixe agora!
App Revista Náutica
Loja Virtual
Disponível para tablets e smartphones

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Conesul e Vale do Ivinhema: o novo horizonte do turismo náutico brasileiro

    Com planejamento e cooperação regional, rios do Mato Grosso do Sul abrem caminho para novos destinos náuticos e oportunidades de desenvolvimento sustentável

    Contagem regressiva! Salvador Boat Show chega à 3ª edição

    Maior evento náutico da Bahia movimenta a Baía de Todos-os-Santos dos dias 5 a 8 de novembro; Saiba o que esperar do salão

    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

    Formando novas gerações: Mubadala Brazil SailGP Team treina jovens mulheres para o futuro da vela

    Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!

    Pirelli 44 Ducati Edition: nova lancha de alta performance tem DNA de MotoGP

    Projeto lançado em Cannes promete casco esportivo, 1.500 hp de potência e fabricação limitada a 26 unidades