Um dos grandes vitoriosos do Aloha Spirit quer remar forte em Brasília na canoa havaiana individual
Um dos grandes vitoriosos do Aloha Spirit nos últimos anos, o paulista Rogério Mendes quer remar forte em Brasília na canoa havaiana individual, também chamada de va’a oc1. Em 2017 e 2018, ele subiu ao pódio nas seis etapas realizadas, com quatro vitórias e dois segundos lugares. Já neste ano, ficou em quinto lugar na abertura do Circuito, em Ilhabela/SP, e agora compete com a determinação, como bom militar que é.
Major do Exército, Rogério é hoje um dos principais nomes da modalidade e ainda tem como motivação não ter conseguido competir no Brasileiro, no último domingo, por causa de uma forte gripe. “Espero conseguir um bom resultado, remar forte, focado, disciplinado. É triste ficar de fora de um Brasileiro, mas foi um momento de aprendizado. Não respeitei o repouso necessário e fiquei exposto à gripe. Tive de aprender da pior forma, como meu próprio erro”, comenta.
“Meu único objetivo é treinar com disciplina e transformar cada prova num desafio pessoal a ser cumprido. É muito prazeroso ter a oportunidade de conciliar a família, a vida militar e a diversão aos esportes que tanto amo. Minha vida é muito melhor assim”, reforça Rogério, que usa o trajeto de sua casa, na Ilha Porchat, até o Forte dos Andradas, na Praia do Tombo em Guarujá, para treinar.
Muitas vezes, o meio de transporte é a canoa havaiana, remando 11 km em cada trecho. “Aproveito e treino, sem falar que evito o transito, a balsa. No começo, alguns se espantavam, hoje já é normal. Algumas vezes também vou de bike. É sempre uma ótima preparação”, ressalta Rogério, que acostumado a remar no mar, sabe que na prova deste final de semana a estratégia tem de ser diferente.
LEIA TAMBÉM
>>Boeing 747 afunda para virar ponto de mergulho no Bahrein
>>Carro-chefe da divisão de superiates da Riva tem estreia mundial em Veneza
>>Incêndio atinge marina em Porto Alegre
“Remar na lagoa é mais pesado. No Paranoá ainda é mais difícil, pois o clima seco acaba deixando todos os atletas com a boca seca, mas cada disputa tem um tipo de desafio. A baixa umidade do ar requer alguns cuidados com a hidratação, para evitar um desconforto durante a prova. Levo sempre uma garrafinha de água em mãos para ir me hidratando durante o dia”, afirma o atleta, que compete com patrocínio da Team Wine e apoios de Água Marinha, Canoe, Agonn Academia e Rumo Custom Paddles.
Maior festival de esportes aquáticos da América Latina, o Aloha Spirit será realizado no Pontão do Lago Sul, no Lago Paranoá. É a segunda de três etapas e a expectativa é reunir cerca de 1.500 atletas em sete modalidades. Ainda no va’a, os atletas competem na canoa taitiana (sem lemes), oc2 (duplas) e oc6 (equipes).
Também estarão em disputa o stand up paddle (SUP), com provas de longa distância e técnica; natação em águas abertas – 1.500m e 3.500m; paddleboard (remada na prancha); surfski, apneia estática (feita numa piscina montada na areia) e o waterman, um triathlon com os atletas competindo na natação, paddleboard e SUP.
Em todas as provas, a inclusão social é incentivada e com grande participação de deficientes físicos sobretudo na canoagem e natação. Além das disputas esportivas, destaque para a prática da yoga e as ações socioambientais, culturais e educativas, incluindo a participação de alunos de escolas locais, sempre remetendo ao tema do evento neste ano, A Simbologia da Água.
A cerimônia de abertura está marcada para sexta-feira, 19h, no Espaço Conexões, com o congresso técnico para todos os atletas, explicando percursos e regras. Outro grande destaque no primeiro dia do evento é o Festival de Cinema Aloha Spirit, que tem o patrocínio da Corona, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, da Secretaria Especial da Cultura, do Ministério da Cidadania. Serão exibidos vários documentários, contando históricas de superação no esporte e a harmonia com a natureza, para inspirar nas pessoas a busca pela prática desportiva.
Receba notícias de NÁUTICA no WhatsApp. Inscreva-se!
Quer conferir mais conteúdo de NÁUTICA?
A edição deste mês já está disponível nas bancas, no nosso app
e também na Loja Virtual. Baixe agora!
App Revista Náutica
Loja Virtual
Disponível para tablets e smartphones
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Embarcação de luxo com casco planante foi construída pelo Grupo Ferretti e lançada ao mar em Ancona
Com planejamento e cooperação regional, rios do Mato Grosso do Sul abrem caminho para novos destinos náuticos e oportunidades de desenvolvimento sustentável
Maior evento náutico da Bahia movimenta a Baía de Todos-os-Santos dos dias 5 a 8 de novembro; Saiba o que esperar do salão
Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
[caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"]

Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!




